Se olharmos para a grande maioria dos setores empresariais, verificamos que a competitividade é extrema e que a grande maioria dos mercados está saturado, ou seja, há cada vez menos lugar para mais concorrentes em mercados existentes e estabelecidos. Basta analisar por exemplo alguns mercados de consumo na maioria dos países: telecomunicações, serviços financeiros ou retalho.

Estes são setores de mercado totalmente estabilizados e com uma ampla oferta de produtos e serviços disponibilizados de acordo com os hábitos de consumo estabelecidos. Nalguns setores, como o caso das telecomunicações, há maior consumo que o inicialmente esperado: mais de 8.3 biliões de subscrições de serviços móveis, quando a população mundial tem 7 biliões (Statista, 2019).

Neste contexto, compreende-se que a concorrência seja bastante agressiva, traduzindo-se numa vivência comum a nível mundial dos mercados as lutas constantes e intensa entre empresas. Este fenómeno foi muito bem descrito por W.Chan Kim e Renée Mauborgne no livro “Blue Ocean Strategy” (Kim & Mauborgne, 2005), ao criar a analogia dos mercados saturados criarem “muito sangue”, à semelhança com as guerras criadas pelos tubarões quando “se mordem uns aos outros e se alimentam” de forma intensa.

Em termos práticos, e perante este cenário intenso de competitividade, ninguém se pode dar ao “luxo” de não ter informação atualizada da sua empresa, caso contrário, uma distração num mercado, numa insatisfação de clientes, numa falha de relação com um fornecedor, pode ser crucial para uma defesa ou ataque. Isto é, quando se fala de informação de gestão, não estamos apenas perante informação financeira ou contabilística.

A informação tem também de ser em detalhe sobre os clientes. E nos dias de hoje, não basta saber apenas o nome ou a idade dos clientes. É importante saber os seus hábitos, os contextos familiares, sociais, profissionais. Entender que um cliente é um corpo ativo e mutável, no qual em momentos específicos podemos ter o produto ou serviço adequado para o servir.

Entender a evolução da Web, em particular da sua versão 3.0, ou Web Semântica, permite entender precisamente as evoluções tecnológicas alinhadas com estas necessidades de negócio. Com o Web 3.0, o conceito dos websites desaparece, onde os dados deixam de ser proprietários e passam a ser partilhados, onde os serviços mostram diferentes visões para a mesma web, ou seja, para os mesmos dados (D. Shivalingaiah & Umesha Naik, 2008). De referir que esses serviços podem ser aplicações, criando não um ambiente de interação, como na Web 2.0, mas um ambiente de imersão.

Para se compreender este conceito de imersão, admita que todos os contextos de privacidade são cumpridos e imagine-se a adquirir um produto na Amazon, como um simples livro. Como terá dado autorização à Amazon para aceder a alguns conteúdos seus do Facebook, a Amazon detetou que “andou” a pedir opiniões sobre uma viagem que você vai fazer às Caraíbas, pelo que permitiu à Amazon não só dar-lhe sugestões sobre o livro que inicialmente foi em busca, mas também dizer-lhe: “se vai às Caraíbas, tem aqui também um livro muito interessante sobre o Turismo das Caraíbas”.

Ora este é um exemplo relativamente simples do potencial de colocar as redes a interligarem-se entre si, em prol do modelo de negócio da Amazon, bem como do seu próprio interesse individual, uma vez que não significa spam, significa criar um ambiente contextual único de imersão em prol do indivíduo. Estamos enquadrados num interesse que você e a Amazon têm, tendo um produto ou serviço adequado ao seu contexto psicográfico, que lhe foi disponibilizado especificamente. Quem ganha? Ambos. Você e a Amazon. Claro está, que haverá sempre uma fronteira ténue com a sua privacidade, mas imaginando que isso é integralmente cumprido, acredito que é um valor acrescentado. Imagine agora o que aí vem, quando começar a partilhar as suas opiniões e ações com uma assistente virtual Siri, GAssistant, Cortana, Alexa, ou outra ….

Desta forma, entendemos que há cada vez mais desafios empresariais em todo o lado. Aqueles que entenderem quais são as novas tendências e novos hábitos que se estão a estabelecer, melhor estarão preparados para enfrentar a concorrência agressiva dos seus mercados. Aqueles que se distraírem por um momento, poderão ter de enfrentar um tubarão muito mais preparado e ágil, transformando-se de predador em presa em poucos minutos.

Em conclusão, a competitividade é tal, que a pressão sobre quem gere as organizações não dá um segundo para vacilar.

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais