Atenta às start-ups e às ideias inovadoras que possam trazer mais-valia aos seus projetos, a Bayer promove, local e internacionalmente, várias iniciativas que desafiam a criatividade empreendedora dos mais jovens. Nathalie Cardinal von Widdern, diretora da Bayer em Portugal, falou com o Link To Leader sobre a aposta da empresa na inovação e do papel desempenhado por Portugal neste processo.

O que representam para a Bayer programas como o STEM4health Lisbon?
O STEM4Health é um ecossistema promovido pela Bayer que visa aproximar-nos do ambiente de inovação que se vive em Lisboa, promover a interação entre diferentes stakeholders nacionais e internacionais e, simultaneamente, apresentar os diferentes programas que desenvolvemos na área de inovação aberta. Além disto, ao abrirmos as portas da Bayer às start-ups promovemos um ecossistema para os nossos colaboradores.

Quando foi criado?
A comunidade #STEM4 Health Lisbon foi criada em 2016 com o objetivo de conectar start-ups de saúde digital e biotecnologia, estudantes, engenheiros, programadores, técnicos, cientistas, biólogos, bioinformáticos, analistas de dados, analistas de business intelligence, designers, networkers de social media, bem como freelancers, empresas, faculdades, institutos, organizações, empresários ou qualquer pessoa interessada em ciências da vida e tecnologias. Esta comunidade mundial está presente em cerca de 20 cidades, em todo o mundo, e é apoiada pelo programa de aceleração de start-ups da Bayer, Grants4apps.

Tal como o STEM4health Lisbon, uma comunidade que pretende criar e desenvolver um ecossistema na área da saúde, planeiam adaptar este modelo a outras áreas de intervenção da empresa? Agricultura, por exemplo?
O STEM4Health apesar do seu nome, tem recebido apresentações de start-ups que vêm também da área agrícola e que são igualmente bem acolhidas. A Bayer na sua plataforma de inovação aberta procura essencialmente start-ups nas áreas de saúde e agricultura e o STEM4Health apesar do nome, abre as portas a essas start-ups.

Quais os programas de inovação e empreendedorismo mais emblemáticos da Bayer?
Destacaria dois programas de inovação diferentes: o G4A e o Leaps by Bayer. O G4A é o programa internacional mais emblemático para nós. Inicialmente lançado sob o nome Grants4Apps, em 2013, na altura procurava acelerar start-ups que estivessem a desenvolver apps digitais. Hoje, o programa desenvolvido pela Bayer em Berlim, procura empresas em fase de pré-lançamento de produtos na área da saúde para as quais temos financiamentos únicos com valores entre 50 mil a 100 mil euros, além de espaço dedicado e mentoria com especialistas da área da saúde.

O programa Leaps by Bayer é um dos mais ambiciosos na área das Life Sciences e tem como missão encontrar resposta para 10 desafios concretos na área agrícola e de saúde. A Bayer desenvolveu desde já parcerias com a Casebia Therapeutics, a BlueRock Therapeutics e a Joyn Bio, e com as quais vamos procurar investir no desenvolvimento de edição de ADN, microbiomas e terapias celulares, entre outras, para encontrar resposta para esses 10 desafios, que vão desde a prevenção e tratamento da cegueira ao desenvolvimento da agricultura sustentável onde se inclui a redução do uso de fertilizantes.

Alguns dos projetos que passam pelos vossos programas ficam incubados na Bayer?
Recordamos o exemplo de uma start-up portuguesa, na altura designada Pharmassistant, que participou no programa Grants4Apps com um projeto inovador para alertar doentes para a toma de medicamentos – desenvolveram uma caixa inteligente com alarme visual e sonoro, ligado a um serviço de monitorização em nuvem (cloud), que avisava sobre a hora da toma do medicamento. A parceria com a Bayer permitiu avançar com um teste piloto em Berlim. Um ano depois, entraram no mercado norte-americano com toda uma estrutura e designação novas.

Em Portugal, que papel tem desempenhado a Bayer neste universo da inovação e empreendedorismo?
Em Portugal promovemos o encontro de start-ups desde há quatro anos e com isso temos promovido a construção e pontes com investidores, incubadoras e mentores nacionais e internacionais. Além disto, a Bayer tem participado como mentora em diferentes programas nacionais de incubadoras e aceleradoras, algo que nos deixa muito orgulhosos.

“A inovação nasce da colaboração e do conhecimento heterogéneo (…)”

Esta é uma forma de encontrar no mercado soluções inovadoras?
Totalmente. A inovação nasce da colaboração e do conhecimento heterogéneo e isso é o que procuramos ao desenvolvermos o ambiente de inovação. Inspirarmos e sermos inspirados.

O que é que a irreverência e espírito disruptivo de uma start-up podem fazer por uma multinacional, no caso concreto, pela Bayer?
Desafiar-nos a sermos mais ágeis em determinados pontos e a partilharmos o conhecimento que adquirimos ao longo dos nossos já mais de 150 anos de existência no mundo e ajudarmos as start-ups a desenvolverem-se. Acreditamos que o conhecimento e agilidade de ambos permitem construir soluções realmente disruptivas.

O sucesso científico da Bayer permitiu que melhorássemos a vida das pessoas, contribuindo para o aumento da esperança média de vida e para mais qualidade de vida. A ciência parte de um pensamento disruptivo e é algo que nós queremos fomentar com abordagens de base empreendedora e inovadora.

No conjunto dos países em que a Bayer está presente, quais têm sido os mais inovadores na apresentação de novas soluções? Onde podemos encontrar as “melhores” start-ups?
É difícil determinar os países mais inovadores ou as melhores start-ups. Há países que pela sua dimensão apresentam números muito elevados de start-ups, mas há países como Portugal que são cada vez mais procurados para a aceleração das start-ups e que não precisam necessariamente de ser os originários desse conhecimento. Hoje, as tecnologias permitem o estabelecimento das start-ups em qualquer parte do mundo e isso é o que assistimos, por exemplo, nos encontros da Startup Braga onde temos participado.

“No universo da Bayer, Portugal é sempre tido como o país inovador quer pela sua forma de vencer as barreiras, quer pela sua disponibilidade permanente de contribuir para o conhecimento.”

Como enquadra o ecossistema português no cenário internacional? Inovador?  Disruptivo?
O ecossistema nacional é altamente atrativo e inovador e isso é algo reconhecido em todo o mundo. No universo da Bayer, Portugal é sempre tido como o país inovador quer pela sua forma de vencer as barreiras, quer pela sua disponibilidade permanente de contribuir para o conhecimento.
Os colaboradores da Bayer em Portugal têm sido reconhecidos internacionalmente pela sua capacidade de inovação e pelo seu espírito empreendedor que aplicam em programas de incentivos que temos, como o Incubator. Este programa de inovação tem permitido dar respostas a necessidades dos nossos clientes.

É também por este motivo que temos um laboratório satélite no Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET) desde 2009 e que este ano foi reconhecido pelo INFARMED com o prémio de Boas Práticas.

Ao nível das start-ups esse reconhecimento é, certamente, muito alavancado pela presença do Web Summit, mas também pela facilidade do estabelecimento das empresas em Portugal.

“Em todas as áreas o trabalho desenvolvido pelas start-ups pode trazer mais-valia e isso vai além do nosso interesse comercial.”

Da multiplicidade de áreas em que atuam (ciência da vida, saúde e nutrição…) quais são aquelas em que o trabalho desenvolvido por start-ups pode trazer mais-valias significativas?
Em todas as áreas o trabalho desenvolvido pelas start-ups pode trazer mais-valia e isso vai além do nosso interesse comercial. Já tivemos contactos com start-ups que desenvolvem soluções nas áreas do reconhecimento do trabalho, no apoio psicológico, por exemplo.

O ano passado desenvolvemos um trabalho na área do Healthy Ageing, com foco no envelhecimento ativo, e que daremos continuidade este ano, em que procurámos o envolvimento de start-ups nacionais. Este ano estamos a desenvolver uma iniciativa, a lançar em breve, com o Impact Hub.

Qual o budget anual do grupo, e em particular em Portugal, alocado para este tipo de programas/concursos de apoio a start-ups?
Não podemos detalhar o investimento local em inovação e start-ups, mas temos um orçamento crescente na área.

“Ao trabalharmos em proximidade com as start-ups em Portugal estamos a incluí-las num universo que reúne mais de 100 mil colaboradores em todo o mundo (…)”

Qual o papel que as multinacionais, como a Bayer, desempenham, ou podem vir a desempenhar, no desenvolvimento do ecossistema de start-ups nacional e internacionalmente?
Ao trabalharmos em proximidade com as start-ups em Portugal estamos a incluí-las num universo que reúne mais de 100 mil colaboradores em todo o mundo e que diariamente procura desenvolver soluções, para dar respostas diferentes, em diferentes partes do mundo. Acreditamos que estas pontes que criamos permitem aumentar o conhecimento das start-ups sobre o que a Bayer procura e investe em inovação.
Os nossos programas permitem desde a cedência de espaço em coworking ao investimento como venture capital, passando pela mentoria e o ecossistema.

O grupo anunciou que em 2018 destinou 5,2 mil milhões de euros para Investigação e Desenvolvimento. Quais as metas para este ano e quais as áreas prioritárias?
A meta é de crescimento nesse investimento, mantendo as áreas das ciências da vida, saúde e agricultura como prioridades.

Portugal acompanha esta tendência de investimento?
Sim. Portugal continua a ser um mercado onde queremos continuar a crescer na área de Investigação e Desenvolvimento, não só pela parceria com o iBET, mas também com os ensaios clínicos e o nosso ecossistema do STEM4Health.

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