A Olbo & Mehler tem vindo a apostar em Portugal, onde acaba de investir 4 milhões de euros para controlar todo o processo de fabrico de produtos destinados à industria automóvel e onde vai desenvolver um Hub Logístico.

A unidade de produção da indústria têxtil Olbo & Mehler em Vila Nova de Famalicão foi alvo de um investimento de 4 milhões de euros, que permitirá trazer para Portugal uma nova área da produção e passar a controlar todo o processo de fabrico de produtos destinados à industria automóvel.

A par, a Olbo & Mehler pretende desenvolver um Hub Logístico, que lhe permitirá concentrar no país os produtos oriundos das unidades da empresa de Portugal e da República Checa e facilita o processo de exportação dos produtos por via marítima.

Estes investimentos fazem parte de uma estratégia de expansão da empresa têxtil, que pretende consolidar a sua presença nos EUA e apostar no Japão e na Coreia do Sul.

Falámos com Alberto Tavares, CEO da Olbo & Mehler, sobre os estes investimentos, os processos produtivos da empresa, estratégia de mercado e sobre o setor em Portugal.

Como gerem os processos produtivos na Olbo & Mehler?
A otimização dos processos (produtivos, logísticos, vendas e backoffice) tem sido um dos grandes objetivos da equipa de gestão. Para isso, foi feita uma análise e mapeamento de todos os processos, no sentido de identificarmos oportunidades de melhoria através da metodologia Kaizen. No fundo, a metodologia Kaizen permitiu-nos desenvolver o planeamento produtivo, sistematizar procedimentos e otimizar fluxos. No âmbito deste objetivo maior criámos também o departamento de melhoria contínua e contratámos um gestor de processos.

Receberam o prémio Inova Têxtil 2015 com o têxtil fabricado através basalto tratado, patenteado pela Olbo & Mehler. Como gerem estes processos de inovação?
A Olbo & Mehler tem investido muito em Investigação e Desenvolvimento (I&D) para oferecer ao mercado soluções diferenciadas e de valor acrescentado. Para isso, concentrou o departamento de I&D em Portugal.

O processo de Investigação e Desenvolvimento é adaptado às necessidades do mercado, ou seja, é normalmente motivado por um desafio lançado por um cliente ou por uma oportunidade identificada pela equipa. Depois, o desenvolvimento dos produtos é feito em estreita colaboração com a Academia e compreende uma série de testes, tantos quanto os necessários até que o cliente ou potencial cliente veja satisfeita a sua necessidade. Uma vez que toda produção portuguesa é exportada, podemos dizer que, desta forma, a Olbo & Mehler faz chegar a criatividade e inovação nacional a todo o mundo.

Quais as maiores apostas da Olbo & Mehler neste momento?
Continuamos a investir na unidade de produção de Vila Nova de Famalicão. Este ano, vamos instalar uma nova linha de produção, que nos vai permitir trazer para Portugal uma parte da produção que era feita externamente através de um parceiro de negócio. Trata-se de um investimento de 4 milhões de euros, que nos vai permitir controlar todo o processo produtivo nos produtos destinados à industria automóvel, um atributo muito valorizado pelos clientes, em especial, nos EUA.

Para além disso, vamos também desenvolver um Hub Logístico, que nos vai permitir concentrar no país os produtos oriundos das duas unidades da empresa – Portugal e República Checa –, o que facilita o processo de exportação de produtos por via marítima.

E em termos de mercados?
Nos próximos dois anos, pretendemos duplicar o volume de negócios que temos nos EUA (atualmente, são aproximadamente 8 milhões de euros) e apostar, também, em economias emergentes e nos mercados do leste Asiático como o Japão e a Coreia do Sul.

Quais as principais lições aprendidas com o processo de internacionalização para os EUA?
Nos EUA é crucial conhecer os decisores e por isso, primeiro, procurámos conhecer a realidade local. No último ano, estivemos a analisar o formato de entrada no mercado americano – a instalação de um escritório, de uma unidade fabril, a compra de um operador local, etc. – e, atualmente, já temos um escritório e um centro de distribuição no país, mas a ambição que temos é consolidar a nossa presença.

Que análise fazem do setor têxtil em Portugal?
Portugal tem uma grande tradição e conhecimento do setor têxtil e, felizmente, conseguiu nos últimos anos inverter por completo a tendência de perda de competitividade dos primeiros anos do novo milénio. Se antes o país era visto como um bom fornecedor de grandes marcas internacionais, hoje em dia, graças ao investimento na modernização das fábricas, ao aproveitamento do capital humano e da rede de conhecimento académico que foi estabelecida, o setor têxtil português tem-se afirmado internacionalmente pelo design, inovação e com marcas próprias, como o demonstra o crescente volume de exportações do setor. Atualmente, o setor têxtil é, sem dúvida, uma das atividades económicas que mais tem contribuído para a afirmação da marca “Made in Portugal”.

Por onde passa a estratégia da Olbo & Mehler nos próximos anos?
Nos próximos anos, a estratégia da Olbo & Mehler assenta em três pilares fundamentais. Primeiro, continuar a apostar e reforçar ainda mais a nossa equipa de I&D; segundo, continuar o investimento no processo de melhoria contínua; por ultimo, reduzir o peso do mercado europeu nas nossas vendas, através do aumento de quota de mercado nos Estados Unidos, mercados emergentes e leste Asiático.

Como veem o ecossistema empreendedor português?
O ecossistema empreendedor português tem hoje todas as condições para se tornar numa referência. Existem boas infraestruturas logísticas, uma classe jovem cada vez com maior conhecimento, e muitas vezes já com experiência internacional, e a economia do conhecimento está mais interligada com a economia da ação. Daí não ser surpresa o crescente surgir de novos projetos e novas start-ups em Portugal. Fundamental vai ser continuar a investir na inovação e na melhoria da produtividade.

Que dicas partilham com os empreendedores nacionais que querem apostar na área têxtil?
Pensar global, confiar na economia do conhecimento e instituições de investigação portuguesas, fazendo da Inovação um dos pilares da estratégia de crescimento, e, por fim, tentar fazer melhor todos os dias em todas a tarefas e decisões que tomam.

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