O contexto macroeconómico atual é singular e totalmente novo, com grandes mudanças a acontecer todos os dias. Por toda a Europa, vários governos anunciam medidas de apoio às start-ups e estas, por sua vez, tentam reajustar-se. As fintechs são um exemplo disso.

Um estudo recente da “The Dutch Tech Ecosystem and COVID-19” sobre o ecossistema holandês, citado pela EU.Startups, revela as perceções e sentimentos dos fundadores e empresas de capital de risco, as necessidades atuais e possíveis medidas a serem tomadas. A maioria dos fundadores indica a necessidade de financiamento de curto prazo, enquanto, por outro lado, 65% dos fundos de capital de risco parecem estar a atrasar os investimentos. Este tipo de comportamento é facilmente extrapolado para o resto da Europa e para alguns setores em particular. 

No caso concreto das start-ups fintech, que começaram o ano a marcar pontos, o estudo levanta a questão de de saber como é que a atual situação as vai afetar. Atentas à realidade, as fintech mostram sinais de adaptação ao contexto. A maioria tem a vantagem de ter equipas e sistemas ágeis, mas agora o desafio é saber se a sua capacidade de resiliência e a relevância dos seus serviços estarão à altura para ultrapassar o momento atual. A Eu.startups compilou cinco tendências que estão a mexer com este setor. Vejamos:

  1. Procura de financiamento

Uma fintech que procura financiamento pode querer adiá-lo dado o contexto, como alguns sugerem. Mas há que ter em mente, que as start-ups que sobreviverem têm mais hipóteses de se tornarem líderes de mercado. As empresas que conseguem fechar as rondas de financiamento, levantam essas rondas junto dos investidores atuais e business angels.

  1. Eventos online marcam a nova tendência

Este setor, tal como o de tecnologia em geral, está muito ligado à realização de eventos. Habitualmente, várias vezes por ano, a comunidade de inovação fintech juntava-se em eventos em Amsterdão, Berlim, Paris e outras cidades. Aqui eram celebradas parcerias, fechavam-se negócios ou eram assinadas as transações de financiamento. No entanto a maioria destes eventos foi adiada ou cancelada. Para contornar a situação, os eventos online tornaram-se norma, e por isso as start-ups devem direcionar os orçamentos para as iniciativas voltadas para o cliente.

  1. Oportunidade de serviços financeiros online

Para os bancos e apps fintech com clientes que trabalham em casa, surge uma nova oportunidade. Verificou-se um aumento nos pagamentos digitais, assim como um aumento acentuado no recurso a aplicações móveis. Isto significa que muitas aplicações fintech registaram um aumento de utilização na ordem dos 72%.  No cenário europeu, por exemplo, o neobank Monzo está a oferecer várias opções de empréstimos e o Tide oferece consultoria a clientes comerciais, através de guias e de newsletters. Por seu lado a Microsoft juntou-se à Plaid para permitir que as pessoas importem automaticamente os seus dados bancários e contas do cartão de crédito para um excel.

  1. Assumir alguns riscos

Algumas start-ups estão a preparar e a lançar novos produtos. Veja-se  exemplo da Bux que lançou recentemente uma nova plataforma de criptomoeda sem comissão. ou da Speedinvest, que anunciou uma parceria com a start-up austríaca de criptomoedas Bitpanda.

  1. Iniciativas dirigidas à comunidade

As start-ups fintech também estão a apoiar a comunidade neste período, através de aconselhamento gratuito, cancelamentos ou renúncias de taxas de transações, doações a hospitais e organizações sem fins lucrativos.  Isto pode ser o início de um novo comportamento do setor onde as necessidades da comunidade se tornam na prioridade dos negócios.

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