De 9 a 20 de outubro, empresários de diversas nacionalidades e setores farão parte da comitiva que participará de atividades culturais e de negócios na China. Em entrevista ao Link To Leaders, Gabriela Faria de Oliveira, fundadora e CEO do BusinessRail Experience, explica como vão os negócios sobre carris e fala da próxima edição.

Durante 12 dias, cerca de 20 empresas vão juntar-se num evento de networking e partilha de conhecimento empresarial que vai decorrer ao longo de viagens de comboio pela China. O conceito, designado “BusinessRail Experience“, visa juntar empresários de diferentes setores e países em viagens de comboio. A próxima edição, que decorre entre os dias 9 e 20 de outubro, arranca em Pequim e termina em Macau, com passagens por Xangai, Shenzhen e Hong Kong.

Cada cidade ou região chinesa vai estar focada em temáticas diferentes, com base nas suas principais áreas de atividade. Pequim vai ter um programa centrado em temáticas institucionais devido à presença de embaixadas, Xangai no comércio internacional e Shenzhen – ou a Sillicon Valley do Oriente – vai-se focar nas tecnologias e inovação. Hong Kong terá uma programação semelhante à de estas duas últimas  cidades. A viagem termina em Macau, onde os empresários vão participar na Feira Internacional de Comércio e Investimento.

Quais as perspetivas para a terceira edição do BusinessRail?
São bastante entusiasmastes! Estamos a falar de uma edição que acontecerá na China, um mercado gigantesco com oportunidades nos mais diversos setores. Vamos fazer visitas a empresas, entidades, vamos contar com seminários, congressos, participação na MIF – Feira Internacional de Macau, além de todas as atividades de âmbito cultural, algo que não poderiam faltar num país que conta com tanta riqueza histórica.

O que é que os participantes/empreendedores poderão esperar desta terceira edição?
“A once in a lifetime business experience” é este o nosso chavão e reflete a experiência do BusinessRail. Estamos a falar de um evento que permite desenvolver muitos contactos internacionais e locais. Contamos com “Official Hosts” que desenvolvem o programa a nível local, o que possibilita o acesso a contactos e atividades que de outra forma não seria possível. Além disso, uma vez que estamos a falar de um evento multissetorial, iremos dar especial relevância a aspetos de destaque em cada região.

No caso de Shenzhen, a nova “Silicon Valley Asiática”, contamos com o precioso apoio da SZOCRA – Shenzhen Overseas Returnees Association, faremos visitas a empresas de alta tecnologia e robótica. Em Hong Kong, por outro lado, abordaremos mais a área de trading e investimento, contando com os “Official Hosts” InvestHK – Invest Hong Kong e HKTDC – Trade Development Council, enfim, damos destaque às especialidades de cada cidade ao lado de anfitriões de excelência.

Porquê a China como destino desta edição?
A escolha desse destino está muito relacionada com a próxima relação com a AJEPC – Associação de Jovens Empresários Portugal – China, que desenvolveu connosco as últimas duas edições, onde contamos com uma forte presença de empresários chineses que se identificaram com o conceito e demonstraram interesse em integrar a China como novo destino do BusinessRail.  Além disso, em 2024 prevemos a realização do Silk BusinessRail, uma grande edição que fará a ligação entre Pequim e Lisboa. Um evento que, apesar da grande dimensão, permite que empresários entrem e saiam ao longo do percurso de acordo com as suas necessidades e interesses, o que torna o evento muito dinâmico.

“Contamos com parceiros locais que se identificam com o conceito do evento de desenvolver networking e gerar oportunidades de negócios entre os participantes”.

Como será feito o contacto com os empresários chineses?
Contamos com parceiros locais que se identificam com o conceito do evento de desenvolver networking e gerar oportunidades de negócios entre os participantes. Desenvolvem um trabalho extraordinário tanto no contacto com empresários locais, como na realização de seminários e atividades que expõem as oportunidades de cada cidade.

“Além das BusinessRail Experiences contamos também com o desenvolvimento de Seminários de Networking em mercados onde Portugal chegou através da via marítima”.

Usar a via-férrea para abrir novos negócios. É este o propósito do BusinessRail?
Sim, mas não só. O propósito do BusinessRail é criar ligação entre pessoas e países, gerando oportunidades de negócio. Além das BusinessRail Experiences contamos também com o desenvolvimento de Seminários de Networking em mercados onde Portugal chegou através da via marítima. No próximo ano realizaremos estes Seminários no Dubai, Cidade da Praia, Bahrain, Beirute, Maputo, Luanda, São Tomé e Bissau e São Paulo, contando também com parceiros locais aliados a esta iniciativa.

Como surgiu a ideia de criar o BusinessRail Experience?
O comboio é um meio de transporte que eu particularmente aprecio, é confortável, rápido e não exige esperas sendo na maior parte das vezes extremamente pontual. Numa das minhas viagens nesse meio de transporte verifiquei que estavam alguns empresários na mesma carruagem, mas que não se conheciam e, naturalmente, não se falaram. Foi aí que me ocorreu! Porque não aproveitar a mobilidade e o conforto do comboio para “recolher” empresários de diferentes regiões e consequentemente colocá-los em contacto, gerando assim oportunidades de negócio? Foi assim que nasceu o BusinessRail, um projeto do CIC – Centro Internacional de Cultura, realizado também pela JEUNE e pela Federação Sino-PLPE, contando com a coorganização da AJEPC – Associação de Jovens Empresários Portugal-China e da CJLP – Comunidade de Juristas de Língua Portuguesa, além de muitos parceiros internacionais que se identificam como o objetivo comum de ligar pessoas, instituições, governos, associações, empresas, etc., enfim fomentar o melhor do networking.

O que tem sido fundamental para a realização do BusinessRail Experience?
Sem dúvidas os nossos parceiros, que acreditam no projeto e desenvolvem esforços no mesmo sentido, promovendo assim também as suas próprias entidades e os seus países.

“O que fazemos é incentivar a colaboração, procurando realizar o evento de maneira a integrar no programa atividades das entidades locais, como seminários e feiras”.

Qual o investimento realizado na iniciativa até agora?
O investimento tem sido maioritariamente o de conquistar mais aliados a esta iniciativa. O que fazemos é incentivar a colaboração, procurando realizar o evento de maneira a integrar no programa atividades das entidades locais, como seminários e feiras. Foi o que aconteceu na edição Ibérica, com a integração da FIN – Feira Internacional de Negócios que se realizou no Porto, e é o que vai voltar a acontecer na China, onde concluímos o programa na MIF/PLPEX, 24ª Feira Internacional de Macau, cujo pavilhão dos Países de Língua Portuguesa é organizado pela AJEPC. Vamos repetir este formato nas edições futuras, integrando cada vez mais atividades promovidas por diversas entidades.

Como tem sido a aceitação a esta iniciativa?
Extremamente positiva! Temos recebido convites de entidades para realizar o BusinessRail nas suas cidades, e é a partir destas aberturas que vamos desenhando as edições seguintes. Tudo a base de cooperação e de promover os nossos parceiros e apoios.

Qual o balanço que faz?
O balanço é bastante positivo. Estamos a crescer e a chegar a diversos mercados, ao mesmo tempo que vemos oportunidades de negócio se tornarem realidades para os participantes desta iniciativa. Estamos a estreitar laços entre pessoas, negócios, países, o que é um trabalho muito bonito e estimulante de desenvolver.

“Nas duas últimas edições conseguimos envolver cerca de 600 empresários de âmbito nacional e internacional”.

Quantas pessoas já participaram no BusinessRail Experience até agora?
Contamos com muitas entradas e saídas ao longo dos percursos, pois estamos a falar de um evento que possibilita que as pessoas participem de determinadas atividades e cidades, de acordo com a sua disponibilidade. Mas nas duas últimas edições conseguimos envolver cerca de 600 empresários de âmbito nacional e internacional.

Já se fizeram negócios nas carruagens?
As atividades nas carruagens são especialmente interessantes, pois estamos a falar de uma “venue” itinerante, um espaço onde decorrem atividades empresariais que se desloca e “recolhe” empresários de outras regiões que integram as atividades. Estamos a falar de apresentações e “speed meetings”, onde cada empresário se apresenta e fala dos seus negócios em poucos minutos, no sentido de fazer com que todos os membros da comitiva comuniquem. E aí sim, muitas vezes surgem oportunidades de negócios, mesmo quando falamos de pessoas em setores de atividades completamente distintos.

“Temos de tudo! Desde jovens com start-ups a CEOs de grandes empresas, e colocamos esses dois “mundos” a falar”.

Como define o tipo de empreendedores que recorre à iniciativa?
Temos de tudo! Desde jovens com start-ups a CEOs de grandes empresas, e colocamos esses dois “mundos” a falar. Os setores também variam imenso, desde agronegócio, a investimento, imobiliário, turismo, energia, ambiente, consultoria, fintech, etc… E é interessante observar como existem oportunidades entre pessoas com perfis e negócios tão distintos.

Projetos para o futuro e próximos destinos?
No próximo ano contaremos com três edições: vamos repetir o evento Ibérico e o da China, mas desta vez passando por algumas cidades diferentes, para promover novas regiões e oportunidades. E vamos inaugurar a edição da Europa Central, onde passaremos por cidades como Bruxelas, Amsterdã, Berlim, Praga, Bratislava, Budapeste, Lubliana, Veneza e Roma. Já em 2020 inauguraremos a edição do Sul da Europa, passando por Zagreb, Belgrado, Craiova, Sofia, Salonica e Atenas.

Além das BusinessRail Experiences, no próximo ano realizaremos Seminários de Networking do BusinessRail no Dubai, Cidade da Praia, Bahrain, Beirute, Maputo, Luanda, São Tomé e Bissau e São Paulo E em 2024 teremos o nosso projeto mais ambicioso! O Silk BusinessRail, onde iremos remontar a Rota da Seda em carris, que irá ligar Lisboa a Pequim.

“Acredito que a criatividade seja veículo para uma contínua inovação do BusinessRail, mas a surpresa também é um elemento essencial, pelo que vamos esperar para ver o que o BusinessRail reservará para o futuro”.

Poderemos esperar um BusinessRail Experience num outro meio de transporte? Qual? Ou Onde gostaria de realizar o BusinessRail Experience no futuro?
Como complemento aos BusinessRail Experiences, também contamos com seminários de networking, que replicam os destinos das rotas marítimas, realizadas pelos portugueses, o que abre a necessidade de utilização de outros meios de transporte. Acredito que a criatividade seja veículo para uma contínua inovação do BusinessRail, mas a surpresa também é um elemento essencial, pelo que vamos esperar para ver o que o BusinessRail reservará para o futuro.

Respostas rápidas:
O maior risco:
  Não inovar.
O maior erro:  Não tentar.
A melhor ideia: Surge quando menos seespera.
A maior lição:  Ser humilde, aprender com os outros e trabalhar pelo sucesso de todos.
A maior conquista: Está muito longe da sua zona de conforto.

*Gabriela Faria de Oliveira, diretora Executiva do CIC e fundadora e CEO do BusinessRail Experience.

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