O volume de financiamento em start-ups em Portugal nos últimos 12 meses foi de 140 milhões de euros num total de 56 rondas de investimento. Um valor bastante abaixo dos 418 milhões de euros angariados em 2018, embora este seja um número bastante inflacionado pelo fundraising de 340 milhões de euros conseguido na altura pela OutSystems.

O nosso país queda-se, assim, no 19.º lugar (numa lista de 20 países) no investimento em start-ups. Isto num ranking liderado pela Inglaterra que atraiu 11 mil milhões de dólares. De resto, os líderes europeus são Londres, Berlim e Paris.

Ainda segundo o relatório Estado da Tecnologia Europeia 2019 da Atomico, Portugal representa somente 0,4 pontos percentuais do financiamento em start-ups no Velho Continente. O capital de risco per capita, esse, passou de quatro dólares para três dólares entre 2016 e 2018, colocando a nação no último lugar da lista. Ainda relacionado com o nosso país, estima-se que existam em Portugal 7961 programadores e 4299 investigadores de desenvolvimento em tecnologia por cada milhão de habitantes.

Todavia, o estudo encerra também boas notícias para o ecossistema empreendedor nacional: 2019 foi ano recorde no investimento em tecnologia com potencial disruptivo. Isto é, as start-ups ditas “deep tech” num total de 89 milhões de euros. Mais do que nos últimos cinco anos juntos. As maiores comunidades tecnológicas fixam-se sem qualquer surpresa nas cidades de Lisboa, Porto e Braga. Isso certamente reflexo do muito engenho, intelecto e competência que brota das universidades, politécnicos e institutos locais.

Talento supostamente sem género, mas discriminado pelos investidores quer portugueses, quer espanhóis. Na verdade, o perfil do empreendedor da Península Ibérica que merece a confiança dos detentores do capital é homem, branco e tinha uma situação financeira estável mesmo antes de criar uma empresa de tecnologia. Resultado: em Portugal e Espanha 92% do financiamento conseguido pelas start-ups foi direcionado para equipas do sexo masculino.

Certeza, afirmam alguns quantos entendidos, que talvez explique a diferença de 3,3 pontos percentuais da economia digital portuguesa face à média dos países europeus. Ora, e sem entrar obviamente em discussões espúrias sobre as caraterísticas distintivas entre homens e mulheres, prefiro enfatizar a dimensão em causa: 28,5 mil milhões de euros em 2025 porventura impulsionemos todo o seu vasto potencial. Economia digital ou economia digital, eis a questão.

*Associação Nacional das Empresas das Tecnologias de Informação e Eletrónica

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Licenciado em Engenharia de Electrónica e Telecomunicações, pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa (1984/1989), José Pedro Salas Pires é atualmente presidente da ANETIE – Associação das Empresas das Tecnologias de Informação e Electrónica. Isto depois de ocupar outros cargos em... Ler Mais