Opinião

E se o futuro dependesse daquilo que hoje escolhemos sustentar?

Teresa Themudo, diretora executiva do GRACE – Empresas Responsáveis
Foto: Teresa Themudo, diretora executiva do GRACE – Empresas Responsáveis

Há momentos em que uma mudança de ciclo nos obriga a parar, olhar para o caminho percorrido e, sobretudo, a perguntar: o que é que queremos construir a partir daqui?

É assim que início esta nova etapa no GRACE – Empresas Responsáveis, enquanto diretora executiva: com entusiasmo, com sentido de responsabilidade e, acima de tudo, com uma enorme vontade de continuar a fazer aquilo que o GRACE sabe fazer há mais de 25 anos – aproximar empresas, pessoas e organizações para transformar a sustentabilidade em ação.

Vivemos tempos particularmente exigentes e o mundo está em constante mudança. As empresas enfrentam pressão regulatória, incerteza geopolítica, transformação tecnológica, alterações profundas no mercado de trabalho, novas expectativas dos consumidores e investidores, e desafios ambientais que já não podem ser tratados como uma questão distante ou exclusivamente ambiental.

Mas, no meio desta complexidade, há também uma oportunidade. A oportunidade de repensarmos a sustentabilidade não como mais uma exigência a acrescentar à (já cheia) agenda das organizações, mas como uma infraestrutura essencial para a resiliência, para a competitividade e para a criação de valor.

Porque uma empresa não existe isoladamente. Depende da natureza, da água, da energia, das pessoas, das comunidades, das cadeias de valor, da confiança e das instituições. Depende de sistemas que, muitas vezes, são tão presentes e tão fundamentais que quase nem damos por eles. As tais infraestruturas invisíveis.

E talvez uma das perguntas mais importantes que podemos fazer hoje seja precisamente esta: o que é que acontece quando deixamos de cuidar daquilo que sustenta o nosso negócio, o nosso planeta, as nossas pessoas?

É esta reflexão que estará no centro do II Congresso do GRACE – Empresas Responsáveis, no próximo dia 24 de novembro, no Centro de Congressos de Lisboa.
Depois do primeiro Congresso, More Than Green, queremos voltar a juntar a comunidade empresarial para ir mais longe. Para sair das respostas previsíveis e para fazer perguntas difíceis. Para cruzar perspetivas e, sobretudo, para transformar reflexão em ação.

E se a natureza não fosse apenas contexto, mas infraestrutura? E se as nossas pessoas fossem vistas não apenas como talento, mas como parte essencial da resiliência das organizações? E se as cadeias de valor fossem pensadas não apenas como uma questão de eficiência, mas como redes de interdependência e criação de valor? E se o risco deixasse de ser apenas aquilo que queremos evitar e passasse também a ser uma oportunidade para antecipar, inovar e liderar? E se a sustentabilidade deixasse definitivamente de estar confinada a uma área, a um departamento ou a um relatório e passasse a estar verdadeiramente no centro das decisões empresariais?

São algumas destas perguntas que queremos levar para o palco do Congresso. Falaremos de natureza e biodiversidade, clima, água, cadeias de valor, risco, pessoas, desigualdades, longevidade, governance, risco, regulação e inovação.

Mas não queremos falar destes temas de forma isolada. Queremos falar das ligações entre eles. Porque é precisamente nessas ligações que estão muitos dos desafios — e também muitas das oportunidades — que as empresas têm pela frente.

Uma cadeia de valor mais resiliente é também uma cadeia de valor mais preparada para o futuro. Uma organização que cuida das suas pessoas está mais preparada para responder à transformação. Uma empresa que compreende a sua dependência da natureza está mais preparada para antecipar riscos. Uma governance responsável não é apenas uma questão de princípios: é também uma condição para gerar confiança. E uma estratégia de sustentabilidade que não chega à decisão, ao investimento, à inovação e ao negócio dificilmente conseguirá ser o motor da transformação de que precisamos.

Não acredito que tenhamos de escolher entre competitividade e sustentabilidade. Acredito que o verdadeiro desafio está em perceber como podem reforçar-se mutuamente. E acredito, sobretudo, que nenhuma empresa conseguirá fazer esta transformação sozinha. É por isso que o GRACE existe: para criar pontes.

Criar pontes entre empresas de diferentes dimensões e setores. Entre quem já está mais avançado e quem está agora a começar. Entre conhecimento e prática. Entre empresas e sociedade. Entre diferentes gerações, experiências e perspetivas. Porque quando partilhamos conhecimento, aceleramos. Quando colaboramos, encontramos soluções que dificilmente encontraríamos sozinhos. E quando colocamos diferentes pessoas à mesma mesa, conseguimos transformar problemas complexos em desafios partilhados.

Não queremos apenas encher uma sala: queremos encher a sala de perguntas, de ideias, de pessoas diferentes e de vontade de fazer diferente.
Queremos que estejam connosco os líderes empresariais, as equipas de sustentabilidade, os responsáveis de pessoas, operações, compras, comunicação, risco, inovação e governance. Mas também quem trabalha diariamente para transformar estas áreas dentro das organizações. Queremos PME e grandes empresas. Queremos quem já tem respostas e, sobretudo, quem ainda tem perguntas.

Porque acredito que é precisamente desse encontro que nasce a mudança e o futuro não é um lugar para onde vamos. É um lugar que estamos a construir — através das decisões que tomamos hoje. E talvez a pergunta mais importante não seja apenas “What if?”, talvez seja: “E se fizermos acontecer?”

No GRACE, queremos continuar a fazer a nossa parte com os nossos Associados, com os nossos parceiros e com toda a comunidade empresarial. Por isso, no dia 24 de novembro, espero encontrar-vos no Centro de Congressos de Lisboa. Para ouvir, questionar, partilhar e para que, juntos, nos possamos inspirar. Mas o que quero, sobretudo, é que possamos pensar juntos o que queremos realmente sustentar para o futuro. O futuro precisa de empresas responsáveis preparadas para liderar a transformação. E essa transformação começa quando decidimos não ficar apenas a assistir.

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