Quantas vezes o melhor especialista técnico de tecnologia ou de outra área de operações não consegue explicar o que fez, o que pretende fazer e o impacto que pode ter para a empresa? Quantas vezes o especialista técnico faz uma apresentação só com siglas tecnológicas? Quantas vezes faz uma pergunta a um técnico, de forma objetiva (cuja resposta é sim ou não) e obtém uma resposta que não responde objetivamente ao que precisa de saber?

E … podia continuar…. Mas será que a culpa é do técnico? Do informático? Do operador da máquina de produção? Do técnico de manutenção? Do técnico de telecomunicações?
A realidade é que as linguagens das áreas técnicas e das áreas de negócio de uma empresa são diferentes. Podem “parecer” português, mas no fundo são muitas vezes línguas estrangeiras e com dificuldade de tradução entre si.

A realidade é que a formação de base das equipas técnicas das empresas é de incorporação de um “chip” operacional e de especialização da sua função e na “sua” tecnologia. Por norma, um técnico em toda a sua vida não tem qualquer enquadramento do que é uma empresa, para que serve a empresa e, acima de tudo, qual o impacto da sua atividade e das suas tarefas técnicas no negócio da empresa e no serviço entregue aos clientes.

E é aqui que está a principal lacuna.

Se um profissional do negócio das vendas sabe como pode ajudar um cliente, mas não sabe como passar isso em “linguagem máquina”, o que o técnico entende é um conjunto de tópicos sobre intenções e desejos, interpretando-o à sua maneira. Conclusão, sai asneira! A competitividade da empresa pode estar posta em causa.

Este é um drama típico das empresas! A não existência de tradutores de linguagens negócio-técnico, tal como existem tradutores de inglês-chinês. Por isso, a competitividade das empresas está também na formação dos quadros profissionais em liderança, em know-how técnico para as equipas de negócio, em know-how de negócio e serviço ao cliente para as equipas técnicas. Aquelas empresas que conseguirem formar estes pivots de conhecimento e distribuição de “jogo” interno, terão uma base de vantagem competitiva verdadeiramente elevada.

Se estes pivots, que conhecem a realidade do terreno técnico, estiverem no conselho de administração, a vantagem é ainda maior. Vejamos casos como Bill Gates, Jeff Bezos ou Mark Zuckerberg, internacionalmente, ou Paulo Pereira da Silva, Paulo Rosado ou Rui Paiva, a nível nacional. Todos eles sabem o que é a realidade da operação técnica, porque a viveram na primeira pessoa, mas sabem ter a visão de negócio e serviço ao cliente, isto é, conhecem todo o propósito das suas organizações, desde a rececionista dos seus escritórios até ao serviço da entrega dos seus produtos ou serviços.

Em jeito de conclusão: tradutores negócio-tecnologia procuram-se.

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Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais