Gerir um negócio é desafiante, independentemente do formato, setor ou atividade. Se adicionarmos na equação a componente familiar torna-se ainda mais complexo, uma vez que adicionamos a gestão da dinâmica familiar ao desafio de ser dono de um negócio.

Num negócio familiar é comum as emoções misturarem-se com a tomada de decisões, prejudicando a empresa e a dinâmica da equipa. É importante definir o tom da comunicação interna. Com elementos da família temos conversas mais informais do que com colaboradores. Por isso, se nos esquecermos do ambiente em que estamos podemos correr o risco de falar num tom mais familiar e com menos assertividade do que deveríamos.

Além disso é comum misturar a vida familiar com a vida profissional. Ao jantar o assunto são os negócios e durante o dia de trabalho o assunto são questões familiares. Esta mistura é perigosa. É importante garantir a separação dos temas consoante os ambientes em prol da estabilidade empresarial, mas, acima de tudo, da familiar. Estabelecer limites é fundamental.

Existe também uma enorme dificuldade em remunerar elementos familiares. A definição de uma tabela salarial justa é ainda mais importante nas empresas familiares para que todos os que trabalham na empresa recebam adequadamente. Ou seja, não recebem menos do que deveriam porque são família, nem são beneficiados.

Contratar fora da família é outro desafio. Habituados a um contexto familiar, os gestores destas empresas tendem a procurar dentro da família os recursos humanos que necessitam. Por vezes as pessoas têm as competências necessárias para a função, mas, na maioria dos casos, não se garante uma análise independente, isenta e eficaz. O processo de recrutamento, mesmo que incluía familiares como candidatos, deve avaliar pessoas externas à família e garantir o benefício da empresa.

Outra questão sensível na gestão deste tipo de negócios é a recorrente abertura de vagas para absorver familiares que precisam de trabalho. As empresas são negócios e têm como objetivo final o lucro. E abrir vagas não necessárias, unicamente com o propósito de ajudar filhos ou sobrinhos, é um erro.

A definição dos papeis de cada um neste tipo de negócios é habitualmente pouco clara. Todos fazem tudo, todos controlam tudo, e há sobreposição de autoridades. É muito comum em situações onde trabalham na empresa pais e filhos ou cônjuges. Definir quem responde ao quê, quem tem autoridade de decisão sobre determinados temas, é não só importante como essencial. Mesmo que em contexto familiar os papéis se invertam.

As empresas familiares precisam de ter uma estratégia bem definida e planear como irão passar a empresa para a próxima geração. Um dos problemas comuns a ultrapassar é garantir que os herdeiros e dirigentes do negócio compreendam claramente as suas funções. Devem ser formados para garantir o lucro e crescimento da empresa. É importante assegurar que o legado está bem definido e que o acordo sobre esta questão crítica é sólido.

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