Em 1962, Hanna e Barbera, dois génios da animação, apresentavam ao mundo Os Jestsons, uma família que vivia em 2062, numa cidade repleta de arquitetura Goonie, carros voadores e tecnologia revolucionária.

Na década de 90, ao ver uma das reposições da série, nunca imaginei que um dia viveria aquele futuro tão longínquo, onde o George trabalhava cerca de nove horas por semana, os computadores e robots faziam todo o trabalho e a informação chegava através de ecrãs (para não falar na máquina que imprimia panquecas ao pequeno almoço).

No entanto, 44 anos antes do preconizado por Hanna-Barbera, estamos prestes a ultrapassar os seus sonhos mais fantásticos. Dos (eternamente prometidos) carros voadores, à inteligência artificial (quem nunca perguntou à Siri onde era o restaurante mais próximo ou à Anna como se monta a Hemnes), não faltam exemplos de como a tecnologia superou todas as expetativas e é hoje uma realidade que muitos não foram sequer capazes de sonhar.

No mundo do marketing, um desses exemplos é o Albert, um simpático “robot” que se considera o primeiro digital marketeer completamente autónomo. Este software é capaz de analisar toneladas de informação para definir targets, testar campanhas, analisar resultados, comprar espaços publicitários online e, o mais incrível, a cada campanha que realiza, torna-se mais inteligente, mais rápido e mais eficaz.

Depois temos a Alexa, aquela “senhora” simpática da Amazon, que está lá em casa para responder às nossas inquietações filosóficas e encomendar tostas de abacate para o jantar, e que tem como passatempo ajudar a aumentar o tráfego de websites, optimizar keywords, comparar um website com o da concorrência e melhorar o SEO de qualquer página.

Também temos o Einstein, criado pela SalesForce para completar o seu CRM, o ROSS e a EVA a tentar substituir advogados pelo mundo fora, a Ada, que o ajuda a descobrir que doença pode ter, e uma multiplicidade de soluções, cada dia mais poderosas, como a Google AI, que já diagnostica algumas doenças oncológicas melhor do que os médicos.

É incrível não só existirem softwares capazes de tais façanhas, como o facto da nossa realidade o exigir. E se esta invasão de inteligência artificial tem assustado muitas pessoas, pelo receio (real) de perderem os seus empregos, parece-me que temos de a ver como uma oportunidade, um desafio. Como gestores, temos de pensar de que forma é que esta realidade vai (e está a) afetar o nosso negócio: na comunicação dos produtos/serviços, nas vendas, no atendimento ao cliente, na distribuição. Mais ainda, é fundamental perceber que impacto terá dentro das nossas organizações. Como se gere uma equipa onde bots e pessoas interagem diariamente, por exemplo? Que impacto tem a inteligência artificial na cultura de uma organização? Como se adaptam funções e tarefas a esta realidade? E como otimizar os recursos excedentes?

Neste ponto, entram duas outras forças: a sociedade e o indivíduo. Por um lado, precisamos de encontrar soluções que minimizem o fim de milhares de postos de trabalho, que permitam investir na (re)educação das pessoas, no fundo, precisamos de políticas de gestão de talento numa escala macro.
Por outro, acredito que compete a cada um de nós ser ainda mais criativo, mais inovador, mais ousado, mais inquieto, para descobrirmos soluções que nos permitam (sobreviver e) conviver com a tecnologia, dentro e fora das nossas organizações.

Enquanto continuamos a trilhar o incessante caminho da inovação tecnológica, talvez tenhamos de nos reinventar como sociedade, como organizações, como seres Humanos.

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Rita Viegas é uma millennial convicta, apaixonada por pessoas e viciada em comunicação. Atualmente é gestora de projetos na OZ Energia, tendo sido anteriormente diretora de marketing da Eastbanc e desempenhado vários cargos em áreas de marketing e comunicação em... Ler Mais