Todos! A Facebook tem uma filosofia mais agressiva que outros gigantes tecnológicos, como a Apple, a Google ou a Alibaba. A sua ambição é ser a empresa mais valiosa no mundo (para não dizer outras coisas). Mas … ainda é “só” a 6.ª maior. E, como tal, tem modelos de gestão e de visão mais agressivos de gestão e de marketing ao mercado.

A Facebook, depois de várias tentativas falhadas, de querer entrar no mercado empresarial, tentando ser uma plataforma de compras eletrónicas para empresas, mas não muito bem sucedida, pois não tem modelos de apoio logístico que apoiem efetivamente as empresas, tal qual uma Amazon, e como não quis entrar num mercado de pagamentos e cartões já ocupado pela Apple e pela Google, e muitas outras, quis ser muito mais revolucionária e, por isso, propõe-se agora criar uma moeda própria.

Sabendo-se que as moedas digitais já andam por aí há algum tempo, onde a mais conhecida Bitcoin tem já uma dimensão financeira de mais de 100 biliões de dólares num mundo de 100 triliões, o receio é que o aparecimento de uma moeda diretamente patrocinada pelo Facebook, crie de facto uma disrupção demasiado rápida ao modelo económico e financeiro como o conhecemos atualmente.

A tecnologia blockchain tem como um dos seus princípios base o desaparecimento de intermediários na realização de transações. As criptomoedas, que assentam a sua tecnologia em blockchain, têm assim como princípio a realização de transações financeiras em modelos “peer-to-peer”, pelo que se até agora a velocidade, aparentemente estonteante de crescimento do mercado de criptomoedas, não faz um impacto sério, com a provável entrada de um patrocínio como a Facebook, que se fosse um país teria uma dimensão similar à China, pode de facto colocar em risco o “status quo” instituído e de interesses corporativos estabelecidos desde o século XIV na Renascença Italiana, com a criação dos primeiros bancos em modelos similares aos que hoje conhecemos.

É, por isso, sempre de desconfiar, se o interesse é sincero ou é em favor dos clientes/cidadãos, quando as primeiras reações são com uma base na estratégia de “FUD – Fear, Uncertainty and Doubt”. Esta técnica de criar pânico é sinónimo de quem vê os seus interesses ameaçados e precisa de tempo de adaptação. A nível tecnológico é conhecido como uma Microsoft reagiu ao movimento Open Source e ao Linux, até entender que de facto esse movimento poderia ser uma vantagem competitiva para si.

O movimento das criptomoedas tem de ser entendido e o Facebook aparenta ter percebido que há um mercado futuro certo e por explorar. Talvez seja mais um “Oceano Azul” que queira descobrir, fugindo aos modelos de negócio de pagamentos onde a Apple e Google já se começaram a degladiar. Se souber guiar a sua estratégia de forma estruturada, pode de facto ajudar a mudar o mundo digital e financeiro de forma radical. Essa é a razão pelas quais os Bancos Centrais, que até aqui não se tinham “pronunciado” muito preocupados com os Bitcoins, vieram dizer “alto lá” à Facebook. Veremos se Mark Zuckerberg, conhecido pela sua ambição pessoal, terá a resiliência para manter esse passo e sustentar a estratégia.

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Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais