Corrida ao Fundo Europeu de Defesa dispara: 612 projetos candidatam-se a mil milhões de euros

Foto: Fundo Europeu de Defesa

O Fundo Europeu de Defesa recebeu um número recorde de 612 propostas nos concursos de 2026, mais 49% do que no ano anterior. Em causa está uma dotação superior a mil milhões de euros para financiar projetos de investigação e desenvolvimento de novas tecnologias de defesa.

O Fundo Europeu de Defesa (FED) alcançou um novo marco, ao receber um número recorde de 612 propostas de projetos no âmbito dos concursos de 2026 destinados a ações colaborativas de investigação e desenvolvimento na área da defesa. “Trata-se do nível de interesse mais elevado por parte dos agentes europeus do setor da defesa desde o lançamento do Fundo, em 2021”, segundo o FED.

O número de propostas representa um aumento de 49% face ao ano passado, dando continuidade ao crescimento de 38% registado entre 2024 e 2025 e demonstrando a crescente relevância e atratividade do Fundo. Os 1,006 mil milhões de euros disponibilizados no âmbito dos concursos de 2026 atraíram tanto empresas já estabelecidas no setor como novos inovadores interessados em colaborar no desenvolvimento de tecnologias de defesa de próxima geração.

Pela primeira vez, os concursos estiveram também abertos a candidatos ucranianos, antecipando a entrada em vigor, em breve, do acordo de associação da Ucrânia ao Fundo Europeu de Defesa.

“Os concursos do FED para 2026 representam um passo significativo para a concretização de capacidades e tecnologias de defesa de próxima geração destinadas às forças armadas”, pode ler-se no site da Comissão Europeia.

Metade do orçamento será canalizado para projetos colaborativos de investigação e desenvolvimento em áreas estratégicas da defesa, incluindo iniciativas que dão continuidade a projetos já apoiados pelo Fundo Europeu de Defesa e que poderão agora avançar até à fase de protótipo, com vista à produção e aquisição.

Entre as capacidades em desenvolvimento estão um intercetor endoatmosférico europeu para defesa antimíssil, um carro de combate de próxima geração, um sistema lançador múltiplo de foguetes e uma embarcação naval semiautónoma. O programa aposta ainda em áreas consideradas críticas para o futuro da defesa, como redes seguras com tecnologia quântica, guerra eletrónica, cloud para operações multidomínio e sistemas energéticos de elevado desempenho.

Um quarto do orçamento ficará reservado ao Programa de Inovação em Defesa da UE (EUDIS), destinado a apoiar soluções inovadoras e tecnologias disruptivas com aplicação no setor. Cerca de 60 milhões de euros serão especificamente dirigidos a tecnologias disruptivas.

As candidaturas apresentadas por pequenas e médias empresas (PME) também se destacaram. Os concursos não temáticos destinados a este segmento, com uma dotação de 60 milhões de euros, registaram uma forte procura, num contexto em que Bruxelas tem vindo a simplificar os processos de candidatura e a facilitar o acesso das empresas de menor dimensão aos instrumentos de financiamento na área da defesa.

As propostas apresentadas serão agora sujeitas a um rigoroso processo de avaliação, que inclui a análise da sua admissibilidade e elegibilidade pelos serviços da Comissão Europeia, seguida da avaliação da excelência científica e dos critérios de atribuição, bem como de análises de natureza ética realizadas com o apoio de peritos independentes.

Os resultados deverão ser anunciados até março de 2027.

Recorde-se que o Fundo Europeu de Defesa dispõe de um orçamento total de cerca de 7,3 mil milhões de euros para o período 2021–2027, colocando a União Europeia entre os principais investidores mundiais na área da defesa.

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