Na última década a expressão o conteúdo é Rei tornou-se um mantra para evidenciar a relevância que o todo-poderoso algoritmo de pesquisa do Google atribui ao identificar a pertinência e qualidade de textos, imagens e vídeos, que destacam instituições e marcas na Internet.

Uma entidade que pretenda construir uma presença online relevante tem, obrigatoriamente, que posicionar a produção de conteúdos como um eixo central da sua estratégia.

Se até aqui se tratava de um reino, o atual contexto da pandemia de COVID-19 fez com que a importância do conteúdo na internet se tornasse um “Império”. O confinamento e distanciamento social tornaram a World Wide Web a nossa única janela para o mundo. Aproximou-nos da família, amigos, reinventou a forma como trabalhamos com colegas, clientes, parceiros e permite-nos continuar a evoluir, a informarmo-nos e a…consumir.

O aumento exponencial de tráfego de dados e voz – sobretudo desde o fecho das escolas – é a resposta digital ao afastamento real. O desafio de nos destacarmos neste maremoto de informação é incomensurável e nunca antes registado, desde o surgimento da internet. Senão vejamos, apesar do tempo adicional que passamos em frente ao computador os estímulos que recebemos, para consumir diferentes tipos de conteúdo, são enormes. As marcas têm de competir entre si e têm de competir com serviços que substituíram os tempos de lazer no exterior.

Como poderão adivinhar estou a falar da Netflix, HBO e restantes serviços de streaming on demand com destaque para o todo-poderoso Youtube. A pandemia de COVID-19 e a visualização de séries de uma assentada (binge watching) são um match algo mórbido, mas efetivo neste período distópico que atravessamos.

Relativamente ao acesso à informação, muitas das casas têm, em permanência, os canais de notícias ligados de manhã à noite. Nos Estados Unidos da América e no Reino Unido uma sondagem desenvolvida pelo Global Web Index demonstra que 68% dos inquiridos (independentemente da idade), procuram notícias sobre o novo coronavírus mais do que qualquer outro tema. A situação não é para menos, se houver um milagre que nos livre do vírus, queremos ser os primeiros a saber.

Como tal, as marcas reagiram com ímpeto para ocupar o seu espaço. Algumas das maiores conferências mundiais como a Adobe Summit, IBM Think Digital ou Content Marketing Conference passaram a ter acesso livre, exclusivamente online, apresentando keynote speakers de primeira linha para captar e, o mais difícil, fixar a nossa atenção. Os webinars surgem como cogumelos mudando para sempre a indústria dos eventos e turismo de negócios.

A quantidade de informação disponível é tal que é difícil gerir a nossa agenda de visionamento. A quantos de nós já escaparam palestras imperdíveis do Seth Godin, do Gary Vaynerchuck ou do Andrew Davis porque apesar dos avisos automatizados, para o nosso e-mail ou redes sociais, distraímo-nos com outro conteúdo que, entretanto, nos parece ainda mais imperdível?

Qual a solução? Em tempos de enorme disrupção fazer futurologia pode ser um exercício demasiado perigoso, mas mais do que nunca, estes são tempos de pensar estrategicamente o que pretendemos comunicar a médio prazo e sermos coerentes com a visão e os atributos que nos podem fazer distinguir da concorrência.

A definição do mapa de mensagens de cada produto ou serviço deve analisar em detalhe e em tempo real o que o seu público procura. O estado de emergência pode, de um dia para o outro, mudar os anseios e preocupações de quem pesquisa, as marcas têm de ser coerentes nessa resposta sem que percam a sua identidade.

Numa época onde muitos procuram picos de atenção (mais likes, mais seguidores, mais tweets) as insígnias que melhores conteúdos produzirem e que identifiquem claramente para quem os produzem (buyer personas) provavelmente terão sucesso a médio prazo.

Para sermos relevantes quando escrevermos um texto, produzimos um vídeo ou publicamos uma fotografia é imperativo saber qual a mensagem que queremos transmitir, mas, igualmente, validar se o público alvo demonstra interesse sobre o tema. O tempo do “conteúdo imperial” veio para ficar, quem não o entender vai perder relevância, até desaparecer.


Ricardo Carvalho iniciou a sua carreira na área da publicidade, tendo sido convidado aos 23 anos para diretor executivo de uma start-up de new-media. Atualmente é CEO do Grupo Lisbon Project e Business Angel. É especializado em marcas de consumo e institucionais, tendo investido e fundado 10 outras empresas nos setores de publicidade, marketing e tecnologias de informação.

Ao longo da sua carreira trabalhou com clientes como a Presidência da República Portuguesa, Ministério dos Negócios Estrangeiros; Chicco, Citroën, DS Automobiles; Global Wines; Peugeot ou Kia Motors.

O seu percurso profissional levou-o a desenvolver projetos em diferentes geografias, começando por diversos países da União Europeia, EUA, Médio Oriente e África Austral (SADC). Ricardo Carvalho é finalista do curso de Comunicação, Publicidade e Marketing da Universidade Autónoma de Lisboa.

Comentários