É fundadora do Canal Renda Maior, um projeto de literacia financeira com mais de 40 mil subscritores, e acaba de lançar o livro “Multiplique o seu dinheiro”. Ao Link To Leaders, Ariana Nunes fala do contexto económico atual e dos desafios financeiros que se colocam às famílias portuguesas.

Tem 35 anos, é autora do Renda Maior, no Youtube, um canal de investimento e educação financeira, instrutora de Educação Financeira Certificada (CFEI) pela National Financial Educators Council (EUA) e licenciada em Geografia e Planeamento pela Universidade do Minho. Conta ainda com uma Certificação Profissional em Coaching Financeiro e com uma Certificação Profissional em Bitcoin pela CryptoCurrency Certification Consortium (C4).

Ao longo dos últimos anos, teve contacto com pessoas em diversas situações económicas, conseguindo ajudá-las através da educação financeira acompanhada, ou seja, ajudando a estabelecer acordos de pagamento e recolhendo informações, de forma a perceber os cenários que as levava ao incumprimento financeiro.

Acaba de lançar um livro, mas quer continuar o seu propósito: mostrar como a educação financeira é importante na vida de todos, partilhando experiências e realçando os ensinamentos dos especialistas na área.

O que é preciso para conseguirmos multiplicar o dinheiro?
Não existe uma formula mágica, nem um único caminho. Porém, acredito que se ganharmos mais do que o nosso ordenado, através de um rendimento extra e se fizermos uma boa gestão das nossas despesas, podemos ficar bem encaminhados para o passo seguinte: ter capital disponível para investir. É extremamente necessário perceber o que se está a fazer e ainda perceber onde se aplica o dinheiro. Com determinação, vontade e disciplina, podemos pôr o nosso dinheiro a gerar dinheiro.

“Após a massificação do crédito bancário, os portugueses deixaram de sentir a necessidade de fazer esforços para poupar primeiro, mas foi algo transversal na Europa e não exclusivo ao nosso país”.

Os portugueses são bons a gerir o dinheiro?
As gerações mais antigas sim, tinham que poupar primeiro para depois ter acesso aos bens, tais como a casa, o carro ou até ter férias. Após a massificação do crédito bancário, os portugueses deixaram de sentir a necessidade de fazer esforços para poupar primeiro, mas foi algo transversal na Europa e não exclusivo ao nosso país.

O que a levou a lançar o livro “Multiplique o seu dinheiro”?
Por dois motivos, o primeiro pela necessidade de criar um guia passo a passo, para as pessoas se inspirarem e começarem a cuidar da sua vida financeira, principalmente porque chegavam ao meu canal Renda Maior no YouTube e precisavam de procurar os primeiros vídeos e, por fim, o segundo motivo tem a ver com mostrar um caminho para uma vida melhor, que funcionou comigo.

Como e quando surgiu a ideia de criar o canal Renda Maior?
Surgiu em 2017, após perceber que no online não havia muito conteúdo sobre investimentos e educação financeira na realidade portuguesa. Os canais do YouTube que existiam não eram alimentados com frequência ou eram mais sobre poupanças.

Como tem sido a recetividade e que tipo de dúvidas/procura tem tido até agora?
Tem sido incrível, pois, graças ao público, tenho tido uma jornada de superação diária e uma motivação sem precedentes, tudo para continuar a falar sobre estes assuntos. Todos os dias, recebo nas várias plataformas centenas de mensagens de apoio e várias dúvidas, que vão desde o investidor que está a começar, até ao mais experiente que procura debater ideias.

Como avalia o atual estado da literacia financeira em Portugal?
Creio que estamos mais bem informados nestes últimos cinco anos, pois já está a existir uma atenção especial aos assuntos relacionados com o dinheiro, que advém da atual globalização e da passagem de informação sobre estas matérias, provenientes, por exemplo, de países mais ricos, como os Estados Unidos.

A pandemia está a ser um desafio para o orçamento dos portugueses? Ou uma oportunidade para as famílias, dado o atual nível de poupanças?
O que tenho visto é uma posição por parte dos bancos mais flexível do que antes, demonstrando o interesse em renegociar com as pessoas que não têm capacidade financeira para cumprir os pagamentos. Por isso, não vejo um impacto tão negativo nos mercados como foi com a última crise financeira em Portugal.

“Falta educação financeira nas escolas, principalmente no secundário, onde os adolescentes já começam a ter um verdadeiro contacto com o dinheiro e com o consumismo”.

O que é que ainda falta fazer para dotar as pessoas de um maior conhecimento sobre finanças pessoais?
Falta educação financeira nas escolas, principalmente no secundário, onde os adolescentes já começam a ter um verdadeiro contacto com o dinheiro e com o consumismo. Atualmente, a população mais velha vai correndo atrás do prejuízo, isto é, sem saber bem usar estas ferramentas e conceitos, usam a própria vontade para aprender mais e com isso tentam melhorar a vida financeira, mas isso só acontece com quem efetivamente tem interesse nisso ou, precisa, por algum motivo maior.

Que conselhos daria às famílias neste momento?
Que tenham uma estratégia. Primeiro comecem com uma boa reserva de emergência financeira (equivalente a 9 ou 12 meses do salário) e que façam uma definição claro dos objetivos, seja para a amortização da casa anualmente, juntar dinheiro para o futuro dos filhos ou começar a investir, de forma regular em produtos financeiros que entendam e acompanhem.

E aos empreendedores?
Que reinvistam, procurem mais investimento, inovem e sejam persistentes com os seus negócios. Que procurem resolver problemas e que tenham abordagens criativas. Façam mais networking e que procurem obter mais aprendizagem, principalmente através de outros negócios que já funcionam e que dominam os mercados onde se inserem.

Respostas rápidas:
O maior risco:
Ter-me dedicado ao projeto online a 100%.
O maior erro: Não ter investido mais cedo.
A maior lição: Nunca investir, sem saber o que se está a fazer.
A maior conquista: O meu atual património.

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