“As Enviadas Especiais”. A visão feminina da guerra.

Numa altura em que a Europa vive uma inesperada situação de guerra, a visão feminina da II Guerra Mundial é o tema do livro da britânica Judith Mackrell que retrata a vida de seis mulheres jornalistas que fizeram história no seu tempo.

A Segunda Guerra Mundial é o palco da história de seis mulheres que foram pioneiras enquanto repórteres de guerra e desbravaram um território até à data dominado por homens. Martha Gellhorn, Lee Miller, Virginia Cowles, Sigrid Schultz, Helen Kirkpatrick e Clare Hollingworth são os nomes das seis “Enviadas Especiais”, graças à coragem das quais é possível hoje saber um pouco mais sobre alguns dos acontecimentos que tiveram lugar durante a Segunda Guerra Mundial.

Estas mulheres extraordinárias estiveram na linha da frente entre 1939 e 1945 e cobriram a guerra no teatro das operações, rompendo preconceitos e convenções.

Martha Gellhorn conseguiu a “cacha” do Dia D, já que foi a única mulher a desembarcar em Omaha Beach disfarçada de enfermeira, depois de viajar clandestinamente num navio da Cruz Vermelha. Uma aventura que não foi do agrado do marido, o famoso escritor Ernest Hemingway.
Por sua vez, Lee Miller, modelo da Vogue, tornou-se correspondente de guerra e fez questão de conhecer o apartamento de Hitler em Munique depois da derrota alemã. Enquanto isso, Sigrid Schultz escondeu a sua ascendência judia, arriscando a própria vida, para denunciar as atrocidades nazis. Fez reportagens na Alemanha e denunciou ao mundo os planos do III Reich.

Virginia Cowles começou por ser uma jornalista “cor-de rosa”, mas acabou a percorrer os campos de batalha da Guerra Civil de Espanha. Clare Hollingworth foi a autora do “furo do século” ao noticiar em primeira mão o início da guerra na fronteira da Alemanha com a Polónia e Helen Kirkpatrick esteve nos bombardeamentos de Londres, na invasão de Itália e na libertação de Paris. Foi a primeira repórter a conseguir os mesmos direitos que os homens numa zona de combate controlada pelos Aliados.

Este grupo de seis mulheres jornalistas abriu caminho até às zonas de combate na Europa e no Norte de África e constituiu uma alternativa importante à narrativa masculina da guerra. Nas notícias que enviavam das zonas de combate, nas suas memórias, diários e cartas que, entretanto, vieram a público, estas mulheres escreveram a sua versão da história e abriram caminho para que muitas outras mulheres pudessem, nas gerações vindouras, prosseguir os seus sonhos com determinação.

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