“Temos como missão adaptar o setor imobiliário aos dias de hoje e à tecnologia existente, tornando-o mais transparente”. Este é um dos  statements da Spotahome, plataforma de arrendamento de casas que há quatro anos chegou a Portugal. Atualmente, presente em Lisboa, Porto e Coimbra, quer continuar a crescer, 150% este ano, e contribuir para que arrendar uma casa seja tão fácil como fazer compras online, afirmou Pedro Franco Caiado, Country Manager da Spotahome Portugal e UKI (United Kingdom and Ireland), em entrevista ao Link To Leaders.

A plataforma de arrendamento de casas Spotahome está presente em Portugal desde 2018 e soma mais de seis mil casas no mercado nacional. Quer ter um papel ativo no desenvolvimento tecnológico do setor imobiliário em Portugal e quer reinventar o modo como se arrendam imóveis, sendo o público de “nómadas digitais” uma das grandes apostas localmente.

O marketplace verifica o estado de todos os imóveis antes de os disponibilizar para arrendamento e tem como objetivo combater a falta de transparência no setor e promover a segurança neste processo, tanto para senhorios como para inquilinos, frisou Pedro Franco Caiado, Country Manager da Spotahome Portugal e UKI (United Kingdom and Ireland).

Quase quatro anos depois de ter chegado a Portugal, a Spotahome está onde queria estar?
Desde que entrámos no mercado português, temos como missão reinventar o setor imobiliário, mantendo sempre o foco na confiança dos clientes e dos senhorios. Temos vindo a crescer de forma sustentável, e em 2021 tivemos um crescimento de 180% em relação ao ano de 2020 e, principalmente desde o período pandémico, sentimos uma maior adesão dos clientes a opções totalmente digitais.

Já levantámos 80 milhões de euros em rondas de investimento e no ano passado, com o levantamento de 25 milhões de euros, conseguimos consolidar o nosso crescimento nos oito mercados principais em que atuamos e desenvolver um plano de expansão nos países em que estamos presentes.

No futuro, queremos expandir e disponibilizar a plataforma para mais cidades na Europa e para o resto do país porque acreditamos que o setor imobiliário tem muito potencial em Portugal. Com o movimento que tem havido de descentralização das cidades, faz sentido que a Spotahome também tenha oferta nestes locais e estamos neste momento a trabalhar nisso.

Numa plataforma de arrendamento de casas como a vossa, qual o público preferencial? Estamos a falar de clientes com que tipo de perfil?
Somos uma plataforma transversal a um público muito abrangente. Uma grande parte dos clientes são estudantes (40%), mas temos todo o tipo de cliente, desde estudantes, a nómadas digitais, estrangeiros que trabalham remotamente e passam temporadas em países diferentes, a pessoas que querem arrendar casas por um longo período de tempo.

“O mercado das proptech em Espanha está num estado mais avançado que o de Portugal”.

O mercado das proptech espanhol difere muito do português? O que mais os distingue e/ou aproxima?
O mercado das proptech em Espanha está num estado mais avançado que o de Portugal. O setor imobiliário diversificou-se para incluir uma gama de tecnologia e serviços digitais que satisfazem as necessidades da procura actual. A realidade virtual e aumentada, o blockchain, o big data e a inteligência artificial contribuíram para o crescimento do setor imobiliário e, mesmo antes da pandemia, os consumidores já estavam a aderir a opções de arrendamento totalmente digitais.

Em Portugal, chegámos mais tarde mas viemos para ficar. Temos notado um crescimento muito grande das plataformas digitais imobiliárias e acreditamos que rapidamente conseguimos chegar ao ponto de Espanha.

Este setor imobiliário é muito concorrencial? Cada vez surgem mais plataformas com propostas inovadoras, novas funcionalidades… como se mantêm atualizados?
Sendo que somos uma plataforma digital, conseguimos acompanhar o setor imobiliário e adaptar a nossa oferta consoante a evolução de todos os players do mercado. O que nos diferencia  é o foco na verificação das casas.

A plataforma envia uma pessoa (home checker) a cada casa para tirar fotografias e vídeos profissionais onde se pode ver o estado verdadeiro da casa. Mais de 80% dos inquilinos da Spotahome sabe que as casas são verificadas e que vão entrar numa casa idêntica ao que viram no anúncio. Defendem a transparência no setor e têm como lema: “o que vês é o que arrendas” (What you see is what you rent).

Este serviço está disponível durante todo o ano em duas épocas: de maio a setembro, onde a nossa aposta recai sobre o turismo sazonal, ou seja, nos turistas que viajam na época alta e querem arrendar casa durante pouco tempo. Depois, no arrendamento a longo-prazo, de outubro a abril, a nossa “época baixa”, apostamos em estadias mais longas. Os preços são apresentados ao mês, o que faz com que o preço final seja mais competitivo comparando com os nossos concorrentes e com as plataformas turísticas. Viemos contrariar a ideia de se cobrar mais por um período de tempo mais curto. Este método permite evitar alguns custos extra para o inquilino, como limpeza e eletricidade, e permite que o senhorio poupe tempo porque já não tem que fazer tantos check ins e check outs por mês.

“A tecnologia veio ajudar a que as pessoas, mesmo que confinadas e em plena pandemia, tivessem as mesmas oportunidades”.

Que papel plataformas tecnológicas como a Spotahome podem assumir na dinamização do mercado imobiliário em Portugal?
No caso da Spotahome, conseguimos dinamizar o setor aliando a tecnologia ao arrendamento das casas. Há uns anos as casas estavam disponíveis em vários sites e agências imobiliárias e havia falta de transparência no setor. Com o objetivo de colmatar estes problemas, transversais a todo o setor, houve a necessidade de começar a agregar a oferta. As plataformas 100% online de arrendamento como a nossa mudaram a forma como se arrenda uma casa. Esta mudança, quase que radical, permitiu que muito mais clientes tivessem acesso às casas e a possibilidade de arrendar.

A tecnologia veio ajudar a que as pessoas, mesmo que confinadas e em plena pandemia, tivessem as mesmas oportunidades. Por isso, creio que tanto os proprietários como os compradores e arrendatários encontraram uma forma mais simples de proceder ao processo de compra e venda e arrendamento de uma casa. Não só a procura melhorou, como os processos burocráticos que estavam adjacentes a estes processos foram simplificados.

Quais os números Spotahome? Quantas propriedades têm em Portugal? Quantos arrendamentos em 2021? Qual a faturação registada?
Desde que operamos em Portugal, temos vindo a crescer tanto em número de casas como em número de reservas. Em 2021, tivemos um crescimento de 180% em relação ao ano de 2020. A pandemia acelerou o arrendamento de casas inteiras, em 2021 assistimos a um aumento de quase 60% de procura por apartamentos inteiros em Portugal. Neste momento, temos 70 mil casas disponíveis na plataforma, das quais mais de seis mil casas são em Portugal.

“Pretendemos ser a primeira escolha para ajudar tanto senhorios a arrendar as suas casas, como os inquilinos no processo de mudança para as cidades portuguesas”.

Na sua opinião, as plataformas de arrendamento digitais já são a primeira escolha de quem procura uma casa ou ainda se opta preferencialmente pelo modelo tradicional?
Durante o período pandémico, crescemos no mercado português, que se tornou mais valioso, mais competitivo e mais atrativo. As plataformas de arrendamento digitais tornaram-se a primeira escolha de quem procura e são mais relevantes que nunca. Facilmente os clientes habituaram-se a este método de arrendar casas e, além disso, Portugal tem também das melhores universidades na Europa o que faz com que muitos alunos estrangeiros apostem em mudar-se para aqui para estudar.

O nosso clima, o custo de vida e a nossa cultura são ainda algumas das razões pelas quais assistimos ao crescimento da vinda de estrangeiros para o nosso país. É normal que os nossos clientes tenham aderido a este tipo de modelo porque é possível fazer exatamente o mesmo que numa visita presencial. Na Spotahome, como as casas são previamente verificadas, é possível ver a casa toda, as vezes que forem precisas.

Do lado do senhorio, se for necessário ter algum critério para escolher os inquilinos ou fazer uma entrevista virtual, também é possível. Nestas condições, pretendemos ser a primeira escolha para ajudar tanto senhorios a arrendar as suas casas, como os inquilinos no processo de mudança para as cidades portuguesas.

“(…) durante a pandemia notámos uma grande procura por parte dos “nómadas digitais”

Afirmaram, recentemente, que os “nómadas digitais” são uma das apostas da empresa em Portugal? Porquê? Em que se baseia a vossa proposta para esta target? Preço, serviço…?
O mercado imobiliário em Portugal está a evoluir muito rápido e durante a pandemia notámos uma grande procura por parte dos “nómadas digitais”, que são pessoas que trabalham remotamente e passam temporadas em países diferentes, sendo que 70% dos nossos clientes são estrangeiros. Este tipo de cliente vê em Portugal uma oportunidade para conhecer uma nova cultura, língua e desfrutar do nosso fantástico clima, algo que pesa bastante na decisão. Portugal é, hoje em dia, um dos países que está a apostar mais na inovação e transformação digital e, por isso, os nossos clientes também se mudam com o objetivo de se juntar a esta onda crescente de hubs de inovação e empreendedorismo.

Deste modo, o nosso modo de arrendar casa para períodos superiores a 30 dias ajuda a facilitar a vida dos clientes. As reservas são feitas 100% online com a garantia de que as casas foram previamente verificadas antes de estarem disponíveis no site pelos “home checkers”. A ideia de que uma casa serve só para dormir já está obsoleta e temos na nossa oferta propriedades que facilmente estão alinhadas com as prioridades dos clientes hoje em dia. Tudo à distância de um clique.

“Arrendar uma casa devia ser tão fácil como fazer compras online (…)”

Apesar da recetividade globalmente positiva ao mercado às proptechs, que dificuldades é que estas novas plataformas enfrentam numa área de negócio que ainda se baseia muito no face to face?
Em Portugal, muitos dos processos de arrendamento ainda são feitos por sites de classificados, agências imobiliárias locais e plataformas para arrendamentos de curto prazo e, por isso, a tarefa de arrendar uma casa torna-se mais difícil. A oferta não está toda num só local e por vezes chega só a parte do público alvo. O sistema tradicional de arrendamento não coincide com a procura atual de vários tipos de clientes e com uma plataforma agregadora da oferta é mais fácil colmatar este problema e fazer com que o setor imobiliário evolua ao lado da tecnologia e não atrás dela.

A solução para estes desafios passa por ter opções de plataformas que tenham mais diversidade e quantidade de casas para arrendamento. Percebemos que tanto os inquilinos como os senhorios querem ter uma oferta mais abrangente e que satisfaça as necessidades de todos. Arrendar uma casa devia ser tão fácil como fazer compras online e a Spotahome quer ajudar a reinventar este mercado.

Para facilitar todo este processo, criámos um serviço adicional, a Spotahome Plus, que procura dar mais segurança às duas partes envolvidas. Este novo serviço garante que fazemos a verificação do inquilino em tempo record (até 24 horas) e inclui também um contrato digital. O inquilino, por sua vez, não paga depósito da casa nem rendas em avanço e consegue arrendar uma casa sem uma taxa fixa e por um preço muito mais baixo que o normal. Este serviço permite também ao senhorio fazer uma pesquisa mais aprofundada sobre o inquilino e o entreviste virtualmente, por exemplo.

Que tendências antevê para este setor em Portugal?
Portugal é um dos destinos mais procurados e prevemos que no futuro esta tendência só vai aumentar. Hoje em dia, é um dos países que está a apostar mais na inovação e transformação digital e, por isso, os nossos clientes também se mudam com o objetivo de se juntarem a esta onda crescente de hubs de inovação e empreendedorismo. Como referi, temos também das melhores universidades na Europa o que faz com que muitos alunos estrangeiros apostem em mudar-se para estudar cá. O nosso clima, o custo de vida e a nossa cultura são ainda algumas das razões pelas quais assistimos ao aumento da vinda de estrangeiros para o nosso país.

Neste sentido, esperamos continuar a crescer no mercado português, que se tornou mais valioso, mais competitivo e mais atrativo durante o período pandémico e que permite que empresas como a Spotahome cresçam e criem novas formas mais fáceis de agilizar o processo de arrendamento, como o nosso serviço Spotahome Plus.

Qual a vossa meta de expansão para este ano e quais as cidades prioritárias?
Estamos presentes em toda a Europa, em 100 cidades, e no Dubai. Em Portugal, estamos em Lisboa, Porto e Coimbra. Temos como missão adaptar o setor imobiliário aos dias de hoje e à tecnologia existente, tornando-o mais transparente. A empresa tem vindo a crescer nos últimos anos e acredita que essa tendência vai continuar, visto que, queremos ainda posicionarmo-nos como a melhor plataforma digital e, hoje em dia, mais do que nunca, os processos totalmente remotos são mais privilegiados pelos clientes. Ambicionamos crescer 150% este ano em Portugal e, para atingir este objetivo, queremos que cada vez mais senhorios nos vejam como a primeira escolha para colocar as suas casas a arrendar.

Alguma ronda de investimento no horizonte para terem tração para eventuais novos desafios?
No ano passado tivemos uma ronda de investimento de 25 milhões de euros que nos permitirá consolidar o crescimento nos nossos oito mercados principais e desenvolver o plano de expansão nos países onde estamos presentes. Com esta ronda continuaremos a melhorar o nosso serviço inovador que permite a proteção, tanto dos senhorios como dos inquilinos no processo de arrendamento de uma casa.

Em quanto está avaliada atualmente a Spotahome?
Desde que fomos criados conseguimos levantar mais de 80 milhões de euros e consolidámos a nossa empresa a nível mundial como a opção de eleição de plataforma de arrendamento com processos 100% online. Depois de três rondas de investimento, continuamos a melhorar e a adaptar o nosso serviço consoante as tendências do setor.

*United Kingdom e Ireland

Comentários