Sim, hoje falo da diretora de recursos humanos. Não falo da diretora de pessoas, diretora de capital humano, diretora de talento, diretora de desenvolvimento, diretora de mais não sei quantas buzz words que agora estão na moda. Hoje falo-vos da diretora de recursos humanos.

A diretora de recursos humanos é isso tudo! É alguém que além de assegurar a gestão de um recurso fundamental em todas as organizações, os RECURSOS HUMANOS, preocupa-se também em desenvolver e tirar o maior partido possível desse capital, os RECURSOS HUMANOS, pensando estratégias para atrair e reter o talento inerente aos RECURSOS HUMANOS e promovendo o desenvolvimento desses RECURSOS HUMANOS.

Podia substituir as palavras “recursos humanos” por “pessoas”? Provavelmente sim, mas o contrário também é verdadeiro.

Hoje quero usar as palavras “recursos humanos” para enaltecer todos os que dedicam parte significativa do seu tempo e da sua carreira a cuidar de aspetos absolutamente críticos em qualquer organização e que se prendem com as questões laborais, normativas e regulamentares, com as relações sindicais, com o absentismo e baixas, com os acidentes de trabalho, com a higiene e segurança no trabalho, com o payroll ou com as políticas automóveis e outros benefícios como a saúde e pensões, entre tantas outras tarefas.

Alguns dirão que estas tarefas são menores, monótonas e puramente administrativas. Pois bem, eu digo que sem estas tarefas e sem pessoas que a elas se dediquem com esforço, paixão e dedicação não há atração, gestão e desenvolvimento de talento.

Sem essas pessoas, não há modelos de avaliação de desempenho ou de carreiras.
Sem essas pessoas, não há políticas de remuneração.
Sem essas pessoas, não há EVP e IVP.
Sem essas pessoas, não há cultura, valor ou propósito.

Sem essas pessoas, todas as buzz words que hoje nos encantam sobre gestão de PESSOAS esboroam-se como um castelo de cartas ou resistem menos que um grão de areia numa tempestade no deserto. É absolutamente crítico ter pessoas nas nossas organizações que percebem profundamente e cuidem dos alicerces das políticas relacionados com os RECURSOS HUMANOS.

Hoje, recordo as longas conversas que tive com a Filipa Silva sobre esta moda das “Pessoas” versus “Recursos Humanos”. Hoje percebo melhor o que querias dizer e como estavas certa quanto rias das modas e das buzz words. Hoje os Recursos Humanos estão mais pobres quando esquecem esses alicerces e fundações.

Mas ainda estamos a tempo de reencontrar o equilíbrio entre a necessidade de estruturas sólidas e eficazes de processos de Recursos Humanos colocados ao serviço das estratégias de Pessoas. Uma estratégia sem processos não é mais do que bonitas intenções num PowerPoint. Da mesma forma, processos cegos e rígidos que não estejam pensados em função e para as pessoas não são mais do que exercícios estéreis e sem sentido.

O segredo estará sempre na capacidade de encontrarmos o equilíbrio.

Obrigado, Filipa!

NOTA: Texto escrito em homenagem à Filipa Silva, antiga diretora de recursos humanos (e Pessoas!) da Mercer Portugal que nos deixou este verão, com 42 anos, a fazer o que mais gostava: viajar a conhecer novos locais e pessoas…

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