Trazer a eficiência para as empresas que vendem online, assegurando a entrega das encomendas ao cliente o mais rapidamente possível, é o lema do Batch, um projeto que nasceu há pouco mais de seis meses, mas que está conquistar espaço junto dos retalhistas. O objetivo é chegar a 1 milhão de entregas até  final deste ano, revelou o cofundador Pedro Vasconcelos.

A Batch nasceu em tempo de pandemia e quer fazer chegar aos consumidores os produtos encomendados online no mesmo dia ou no prazo de duas horas. O processo é simples: a empresa liga o seu sistema ao website dos retalhistas e quando o cliente completa uma compra pode escolher o tempo de entrega que mais lhe for cómodo (2 horas, mesmo dia, dia seguinte).

A partir daí, a Batch assegura a entrega. O projeto conta com investidores da APEX como António Félix da Costa (campeão do mundo de FE) ou Brandon Hartley, ex-piloto de F1. Com a próxima ronda de investimento, tem planos para abrir para os primeiros mercados internacionais.

Como surgiu a ideia de criar a Batch?
Eu sempre trabalhei em empresas tecnológicas e tive muito contacto com o ecossistema de empresas que vendem online. E o mundo foi evoluindo. O consumidor tornou-se mais exigente a comprar e quer um serviço rápido e eficaz. A informação acontece ao minuto, o consumidor reage ao minuto, por isso, na área do consumo (não falando da área alimentar), parecia-me estranho que o desenvolvimento da tecnologia não conseguisse ainda fazer chegar os produtos aos consumidores no mesmo dia ou até mesmo em 2 horas.
Ainda há empresas a demorarem mais de 2 dias a entregar um produto comprado online e com isso perdem muita competitividade. Com a pandemia, e o facto de não podermos ir à loja, a forma como hoje compramos mudou e passou para o digital. E da mesma forma que numa loja experimentamos e levamos, porque é que comprando digitalmente o mesmo não poderia acontecer? A pandemia não foi a razão, mas sem dúvida que ajudou a que concretizasse esta ideia com uma maior rapidez.

Como é que este projeto deu os primeiros passos?
Depois de muita pesquisa, juntei uma equipa que me ajudou a pensar e encontrar uma solução. Desta forma percebemos que o grande problema está na logística por trás dos sites. Assim, a ideia seria criar uma plataforma ligando o nosso sistema ao website dos retalhistas. Quando o cliente do retalhista completasse uma compra no seu site, poderia escolher o tempo de entrega que lhe fosse mais cómodo (2 horas, mesmo dia, dia seguinte). O cliente manter-se-ia sempre no site do retalhista, mas a partir do momento do pagamento, a Batch enviaria automaticamente um estafeta para ir buscar o produto à loja do retalhista ou ao armazém da Batch mais próximo do cliente para fazer a entrega.

“Com a Batch, o consumidor pode ter a sua encomenda em 2h de uma forma natural, acessível e intuitiva, sempre na plataforma da marca”.

Quais os serviços e mais-valias que a Batch apresenta ao mercado?
Os nossos clientes são os retalhistas do mercado não alimentar que vendem online, mas que, por vários motivos, principalmente logísticos, não conseguem dar a devida resposta em termos de entregas. A Batch resolve esses problemas, satisfazendo da melhor forma os consumidores dessas marcas que compram online, uma realidade cada vez maior. Com a Batch, o consumidor pode ter a sua encomenda em 2h de uma forma natural, acessível e intuitiva, sempre na plataforma da marca. E mais importante ainda, a gestão de toda a operação de last mile das marcas através dos nossos armazéns urbanos que garantem uma maior proximidade aos consumidores. Além disso, temos transportes e estafetas, sendo que os nossos estafetas só trabalham em exclusivo para a Batch e passam por um processo de recrutamento desenhado por nós. Investimos muito em treino porque, no fundo, são quem dão a cara ao consumidor final estando a representar determinada marca. Ou seja, somos a extensão da marca do retalhista e uma continuação da experiência do mesmo.

Com quantas marcas trabalham atualmente?
Desde o lançamento que já contamos com mais de 80 parceiros de várias áreas como moda, cosmética ou setor livreiro. Temos marcas como a Sephora, Benamor, Paez, Leya ou Latitid.

Pretendem ficar só pelo ramo não alimentar?
Sim, esse sempre foi o objetivo desde o início e assim queremos continuar.

Qual tem sido a vossa estratégia para dar a conhecer a empresa e divulgar os serviços?
Temos uma equipa de business development que contacta retalhistas com base na nossa estratégia de aquisição. As motas que circulam pelos mercados que operamos acabam também por ser uma fonte excelente de leads inbounds. Temos, por exemplo, uma multinacional com que vamos começar a trabalhar no próximo mês porque o CEO viu uma das nossas motas e contactou-nos.

“O nosso objetivo é conseguir chegar ao 1 milhão de entregas no final de 2021”.

Quanto faturaram até agora e quais as previsão para este ano?
A faturação está acima dos nossos objetivos devido à rápida adesão por parte dos nossos parceiros. Mas neste momento, mais importante do que a faturação para uma empresa nova como a Batch, importa-nos a capacidade de trabalhar e satisfazer desde SMEs como big players como a Sephora ou a Swatch. É muito interessante ver que começam a trabalhar com a Batch para usar um produto especifico, mas que depois a relação vai crescendo com base na boa experiência que têm com a marca. O nosso objetivo é conseguir chegar ao 1 milhão de entregas no final de 2021.

Neste momento operam em Lisboa e Porto, mas o objetivo é atuar em todo o mercado nacional. Qual é a vossa estratégia de expansão?
Já operamos em Lisboa e Porto com equipa em frota própria. Fazemos entregas em Portugal continental ilhas e alguns países da Europa através de parceiros Batch. A grande vantagem é que o retalhista não tem de interagir com várias empresas. Tudo é gerido por nós. O retalhista gere todas as suas encomendas na plataforma da Batch.

“Quando a aposta é grande e a hipótese de crescimento também, sem dúvida que o projeto se torna apetecível a investidores”.

O que o levou a procurar investidores e quem são eles?
Quando a aposta é grande e a hipótese de crescimento também, sem dúvida que o projeto se torna apetecível a investidores. E a Batch encaixava nesse perfil, por isso considerámos que faria sentido arrancarmos com pessoas que queriam apostar neste serviço. Por isso tivemos o apoio do António Félix da Costa, campeão do Mundo de FE, do Barndon Hartley, ex-piloto de F1, e do Mitch Evans, todos membros da APEX.

Segundo o próprio António Félix, “faço muitas compras online e nunca percebi a razão pela qual os produtos demoram tanto tempo a chegar. Enquanto piloto, tento ser mais rápido e eficiente todos os dias. A Batch quer trazer esta eficiência para as empresas que vendem online. A busca pela performance é algo que nos une!”

Quais foram os maiores desafios que encontraram na relação com os investidores?
Tivemos muita sorte com os investidores que temos onboard. Quando fomos à procura de investimento, tínhamos apenas uma boa ideia, meia dúzia de slides num Power Point. Portugal ainda é um mercado pequeno e pouco líquido quando olhamos para outros países como o UK e a Alemanha. Mas decidimos arriscar e tudo correu bem. Aliás, continua a correr.

Quanto investiram até agora na Batch (capitais próprios e de investidores)?
Estes são números que não podemos revelar por política interna da empresa e dos próprios investidores. No fundo, o que realmente importa neste momento são os nossos parceiros e os seus clientes. É aí que a nossa atenção está 200% focada. Os números virão se todo esse foco não derrapar.

É fácil ser-se empreendedor em Portugal?
Depende do caminho que se escolhe e depende do risco que se quer ter. Mas sem dúvida que é um trabalho muito individual, além de que estamos a falar de ser-se empreendedor em tempo de pandemia. Mais do isso, é também preciso ter um pouco de loucura e coragem pois falamos da responsabilidade pela direção do negócio e da gestão de equipas, algo que nunca é fácil. Há um enorme sentido de responsabilidade, todos os dias.

“Qualquer que seja a indústria do negócio, o mais importante é termos a capacidade de nos rodeamos de talento capaz de fazer a empresa crescer”.

Que balanço faz desta aventura empreendedora?
Muito positivo e além das minhas expectativas para já. Por um lado, a reação que estamos a ter pela parte dos parceiros, mostrando que estamos a resolver um problema real e isso é muito gratificante. E depois a experiência em si. Qualquer que seja a indústria do negócio, o mais importante é termos a capacidade de nos rodeamos de talento capaz de fazer a empresa crescer. E quando se encontra a equipa certa a aventura pode ser fantástica.

Qual foi o conselho mais valioso que recebeu quando lançou este projeto?
Focus na missão, tudo o resto são distrações.

Como projeta o futuro da Batch Logistics ?
A Batch está no mercado para fazer chegar a todos os clientes encomendas em 2 horas e ajudar os retalhistas com o seu processo logístico. Acreditamos que isto é uma vontade não só em Portugal, mas em todo o lado. Temos planos para, com a próxima ronda de investimento, abrirmos os primeiros mercados internacionais.

Respostas rápidas:
O maior risco:
Não ter arriscado noutras ocasiões naquilo que acreditava.
O maior erro: Não acreditar que seria capaz
A maior lição: Sozinho não se vai a lado nenhum
A maior conquista: A Batch

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