Opinião
Não vai dar…mas não devia!
Não consigo perceber! Não consigo mesmo…Como é possível que alguns seres humanos achem normal não fazer aquilo que se comprometeram a fazer, sem que isso lhes cause nenhum problema?
Como conseguem viver deixando tudo e todos à sua volta pendurados por causa das suas falhas? Como podem dormir descansados quando não querem saber das consequências dos seus “pois é, não posso…”; “pois é, mas agora não dá…”; “pois é, mas as circunstâncias mudaram…”; “pois é …”o diabo que os carregue!”
Assistimos todos os dias a este triste espetáculo. Um total desprezo pelo acordado, acompanhado de uma total indiferença pelo que pode acontecer a quem está à espera de alguma coisa que não é entregue nos prazos ou nas condições acordadas. Por vezes não é entregue de todo. Outras, entregue em más condições.
Algumas…até parece que está tudo bem, mas depois, afinal, não funciona. E quem falha segue a sua vida, sem quaisquer remorsos, e, na maioria das vezes, sem sequer um pedido de desculpas!
Incumprimento de horas. Incumprimento de prazos. Incumprimento de tarefas. Incumprimento de respostas. Incumprimento de qualidade…
Para tudo, a resposta “pois é…” e um “não me chateie mais!” que não é dito, mas fica sempre no ar. Resolvem o problema falhando com alguém e esse alguém que se dane, já não é problema deles!
Ainda mais grave – para estas pessoas há sempre uma qualquer razão (para elas imensamente válida) para deixar o outro na mão. Porque apareceu alguém que paga mais. Porque há uma coisa mais urgente. Porque deixou de me interessar. Porque agora já não me apetece…
Egoísmo em estado puro, na maioria das vezes. Roçando o desprezo noutras. Quase doloso nas suas consequências em muitas! Este fenómeno está presente em todos os aspetos da nossa vida, da data de resposta a um email à aprovação de um megaprojeto público.
Pessoas, empresas, instituições, organismos públicos e privados, governo…Por toda a parte o não fazer o que está combinado / acordado / regulamentado / previsto da forma e nos prazos devidos é o que parece normal. Tanto que até nos admiramos quando alguma coisa é feita tal e qual como devia ter sido, verdade?
Encolhemos os ombros, resmungamos, barafustamos, protestamos, escrevemos no livro de reclamações (by the way, a esse algumas empresas nem se dignam responder!), ameaçamos com processos (que já sabemos não vão dar em nada)… E vamos, pouco a pouco, desacreditando, alguns aceitando que é mesmo assim, outros sentindo-se cada vez mais desrespeitados. Sim, os recursos são escassos e suscetíveis de usos alternativos
Pois, não chegam para tudo. E mesmo sabendo que o homem procura sempre otimizar a sua utilização para maximizar a sua satisfação .. será que a vergonha de falhar não entra na equação?
A satisfação do dever cumprido e o respeito pela palavra dada já não existem? Como não param para pensar no que se segue (para os outros!) aos incumprimentos que fazem?
E não me venham com a conversa da pandemia. Já não se aguenta! Coitado da Covid, é desculpa para tudo…
Por favor, pensem um bocadinho antes de não fazer o que se combina. O valor de uma palavra ou de um aperto de mão tem de existir!
Sentir vergonha, saber reconhecer que se falha, ter a decência de pedir desculpa, fazer um esforço para ajudar a resolver a situação…São sentimentos e atitudes que temos de recuperar sob pena de perdermos o respeito mútuo!








