Fintechs portuguesas triplicam receitas em cinco anos e atingem 416 milhões de euros

Foto: Portugal Fintech Report 2026

O ecossistema fintech em Portugal acumula mais de 1,2 mil milhões de euros em financiamento e conta com 29 empresas que ultrapassam um milhão de euros de faturação anual. Os dados são do Portugal Fintech Report 2026, que assinala uma década de evolução do setor.

As fintech portuguesas registaram receitas de 416 milhões de euros em 2025, mais do triplo dos 136 milhões contabilizados em 2020, segundo o Portugal Fintech Report 2026, divulgado hoje pela Portugal Fintech. O estudo, que celebra a sua 10.ª edição, revela um setor em crescimento, com empresas mais consolidadas, maior capacidade de internacionalização e uma presença crescente de investidores estrangeiros.

Ao longo da última década, foram criadas 199 fintechs no ecossistema português, o equivalente a uma nova empresa a cada três semanas. O número de empresas com receitas anuais superiores a um milhão de euros passou de 12, em 2020, para 29, em 2025, representando atualmente cerca de 31% das empresas que reportaram faturação.

O crescimento também se reflete no emprego. De acordo com os dados recolhidos pelo relatório, o número de trabalhadores nas fintechs participantes passou de 1.553, em 2020, para 4.258, em 2026. A receita média por trabalhador aumentou de 87 mil euros para 113 mil euros entre 2020 e 2025.

“Portugal não se limitou a criar mais fintechs; criou fintechs mais fortes”, afirma João Freire de Andrade, fundador e presidente da Portugal Fintech, na mensagem de abertura do relatório.

O responsável sublinha que, apesar de o ritmo de criação de empresas se ter mantido relativamente estável ao longo da década, as fintech portuguesas se tornaram maiores, mais sofisticadas e mais competitivas internacionalmente.

Investimento acumulado ultrapassa 1,2 mil milhões de euros

O relatório revela ainda que o financiamento acumulado pelo ecossistema fintech português atingiu aproximadamente 1,22 mil milhões de euros.

Em 2026, 22,3% das fintechs inquiridas conseguiram captar uma ronda de investimento. Entre estas, 81% receberam capital estrangeiro, uma subida face aos 58% registados no ano anterior.

A maioria das rondas de financiamento continua a apresentar valores relativamente reduzidos: 31,8% situaram-se abaixo dos 250 mil euros e 36,4% entre os 250 mil e um milhão de euros. Apenas 9,1% atingiram ou ultrapassaram dois milhões de euros.

Os dados mostram também uma alteração nas prioridades das empresas. Entre as fintechs que captaram financiamento em 2026, 40% pretendem utilizar os recursos para apoiar a expansão internacional, contra 28% em 2025. O peso das empresas que angariaram capital exclusivamente para desenvolver produto diminuiu de 27% para 13%.

Mais de metade das fintech já opera internacionalmente

A internacionalização assume um papel cada vez mais relevante na estratégia das empresas. Segundo o estudo, 56% das fintechs portuguesas inquiridas já desenvolvem atividade em mercados internacionais.

Em termos geográficos, Lisboa continua a concentrar a maior parte do ecossistema nacional, acolhendo 65,6% das empresas participantes com sede em Portugal, seguindo-se o Porto, com 15,6%, e Braga, com 5,6%.

No que respeita às áreas de atividade, destacam-se a gestão financeira, que representa 16,1% das fintechs analisadas, os pagamentos e transferências de dinheiro, as infraestruturas financeiras e APIs e o setor segurador, cada um com 13,4%.

A colaboração entre fintechs e instituições financeiras tradicionais é outra das tendências identificadas. O relatório contabiliza 377 iniciativas de inovação aberta, das quais resultaram 166 projetos-piloto e 88 parcerias comerciais remuneradas, correspondendo a uma taxa de conversão de 53%.

Cerca de 60% das fintechs participantes indicam ter estado envolvidas em pelo menos uma iniciativa de inovação aberta, evidenciando a importância crescente das parcerias com bancos, seguradoras e outras instituições.

Assine a newsletter do Link to Leaders e receba semanalmente as principais notícias sobre empresas, start-ups, negócios e investimentos na sua caixa de correio.

 

Comentários

Artigos Relacionados