Mulheres líderes portuguesas acreditam no crescimento das suas empresas

Foto: Global Female Leaders Outlook 2026 (KPMG)

88% das líderes empresariais portuguesas inquiridas pela KPMG estão confiantes ou muito confiantes nas perspetivas de crescimento da sua própria empresa nos próximos três anos. Já sobre a economia global mantêm uma visão prudente.

As mulheres líderes em Portugal confiam no crescimento das suas organizações, mas mantêm uma visão prudente sobre a economia global.  Esta é uma das conclusões do Global Female Leaders Outlook 2026 , da KPMG, uma análise que reuniu respostas de 634 mulheres líderes de 46 países e geografias, entre as quais Portugal.

Constata-se que 88% das participantes portuguesas no estudo estão confiantes ou muito confiantes quanto ao crescimento das suas empresas nos próximos três anos. Contudo, essa confiança diminui progressivamente à medida que o horizonte de análise se alarga, ou seja, 70% mostram-se confiantes relativamente ao respetivo setor, 35% quanto à evolução da economia portuguesa e apenas 17% relativamente à economia global.

Uma ressalva para o facto as participantes portuguesas demonstrarem maior confiança na sua própria empresa do que a média global – 88% face a 72% -, e também no respetivo setor – 70% face a 62%. Por outro lado, revelam-se mais cautelosas quando olham para a economia nacional: 35% face a uma média global de 41% relativamente à economia do respetivo país, e, sobretudo, para a economia mundial, onde a confiança é de apenas 17%, face a 29% a nível global.

Filipa Barreto, Partner de Advisory da KPMG Portugal, sublinha que “os resultados mostram que, apesar de toda a incerteza económica e geopolítica, a confiança não desapareceu, mas tornou-se mais seletiva. As líderes continuam a acreditar nas capacidades das suas organizações e sobre as quais conseguem agir diretamente, adotando, simultaneamente, uma visão mais prudente sobre o contexto externo. Em Portugal, esta diferença é particularmente expressiva”.

A forma como as líderes perspetivam o crescimento também regista diferenças entre países. Por exemplo, em Portugal, 67% esperam um aumento dos resultados das suas organizações nos próximos três anos, enquanto apenas 38% antecipam um crescimento do número de trabalhadores. Globalmente, a diferença é semelhante: 69% esperam crescimento dos resultados e apenas 38% preveem aumentar as equipas.

Neste contexto, a tecnologia assume um papel mais relevante com 61% das participantes portuguesas a indicar que as suas organizações estão a privilegiar o investimento em novas tecnologias, enquanto 35% apontam o desenvolvimento de competências. A nível global, as percentagens são de 64% e 36%, respetivamente.

Em Portugal, as inquiridas identificam ganhos claros da IA sobretudo ao nível da eficiência operacional e da redução da carga administrativa. A automação de tarefas repetitivas destaca-se como o principal caso de uso com retorno económico comprovado, em linha com a tendência global. No entanto, a adoção de IA em áreas de maior criação de valor, como a análise de dados, o apoio à decisão e a otimização de processos, continua abaixo da média global. Destaque, ainda, para um indicador relevante: 20% das organizações em Portugal reportam não ter ainda qualquer caso de uso de IA a gerar valor económico, mais do dobro do valor registado a nível global (8%).

No item equidade de género, segundo o Global Female Leaders Outlook 2026, 65% das participantes, a nível global, acreditam que alcançar a equidade de género no C-suite contribuirá para atingir os objetivos de crescimento das suas organizações, um valor muito próximo dos 64% registados entre as participantes portuguesas. Contudo, três quartos das organizações representadas no estudo global continuam abaixo da paridade ao nível de decisão; em Portugal, essa proporção aproxima-se dos 82%.

O estudo alerta ainda para a saúde da mulher enquanto fator de desempenho e de sustentabilidade das carreiras. A nível global, 97% das inquiridas consideram que as organizações têm responsabilidade nesta matéria, 70% afirmam que fatores relacionados com a saúde da mulher já afetaram o seu trabalho quotidiano e 63% indicam que influenciaram decisões ao longo da carreira. Apesar da relevância do tema, uma em cada quatro participantes refere que a sua organização ainda não disponibiliza qualquer medida específica. Em Portugal essa percentagem é de 26%.

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