Empresa de Maryland cria fundo de 200 milhões para start-ups de IA e tecnologia para centros de dados

Foto: Pixabay

Um número crescente de empresas está a procurar investir em start-ups de inteligência artificial. Uma empresa tecnológica sediada no Maryland, nos EUA, anunciou o lançamento de um novo fundo destinado a investir em empresas em fase inicial e em fundos de capital de risco focados em tecnologia, com especial atenção às redes e à conectividade impulsionadas por IA.

A Ciena anunciou um compromisso inicial de 200 milhões de dólares (cerca de 176 milhões de euros) para o seu braço de investimento, a Ciena Ventures. A empresa de redes, serviços e software sediada no condado de Howard, em Maryland, cujas ações atingiram um máximo em maio, mas que entretanto recuaram, apresentou recentemente receitas de 1,67 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,47 mil milhões de euros) no terceiro trimestre fiscal, um aumento de 37% face ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a empresa, a Ciena Ventures será liderada por Loai Louis, vice-presidente de desenvolvimento corporativo. O investimento será direcionado para tecnologias capazes de acelerar as arquiteturas de centros de dados, desenvolver as redes e a conectividade e criar novas oportunidades em áreas relacionadas, como computação, materiais e tecnologias emergentes de comunicação.

“À medida que tecnologias como a IA transformam o panorama das redes, a Ciena Ventures representa mais um veículo para executarmos a nossa estratégia de longo prazo e as nossas prioridades de alocação de capital”, afirmou David Rothenstein, vice-presidente executivo e diretor de estratégia da Ciena.

O novo fundo surge numa altura em que as empresas tecnológicas estão a aumentar o investimento em IA e as start-ups deste setor absorvem uma fatia significativa do capital de risco.

No ano passado, 41% das empresas que captaram financiamento de venture capital através da plataforma Carta eram start-ups de IA, segundo dados da empresa.

No início deste ano, a Nvidia, o maior fabricante de chips do mundo, investiu 5 mil milhões de dólares (4,40 mil milhões de euros) numa start-up de IA e adquiriu recentemente a startup Hugging Face por 12,9 mil milhões de dólares.

De acordo com projeções recentes do Goldman Sachs, o investimento global em inteligência artificial deverá ultrapassar 1 bilião de dólares este ano.

O número de centros de dados também está a crescer rapidamente. Uma análise do Pew Research Center, divulgada no início deste ano, concluiu que existem mais de 3.000 centros de dados operacionais nos Estados Unidos, estando cerca de 1.500 novos centros de dados em desenvolvimento.

Segundo a Data Center Map, existem 58 centros de dados em diferentes fases de desenvolvimento em Maryland, um número bastante inferior ao da Virgínia, que conta com cerca de 674, e do Texas, com aproximadamente 537 — os dois estados norte-americanos com maior número de infraestruturas deste tipo.

Em 2024, o governador do Maryland, Wes Moore, mostrou-se empenhado em posicionar o estado como um dos líderes no setor da inteligência artificial. Nesse ano, promulgou o Critical Infrastructure Streamlining Act, legislação que, segundo afirmou na altura, permitiria “acelerar significativamente a indústria dos centros de dados” através da redução de alguns obstáculos regulamentares.

Desde então, contudo, aumentaram as preocupações públicas relativamente ao impacto ambiental dos centros de dados e aos riscos de segurança associados à inteligência artificial.

Numa participação recente no podcast The Root, Moore mostrou-se mais cauteloso perante o aumento das exigências associadas aos centros de dados.

“Pelo menos posso garantir-vos que, no estado do Maryland, os centros de dados não definem as regras. Não podem sobrepor-se à opinião das comunidades locais. Temos de garantir que o poder pertence às pessoas”, afirmou.

O governador anunciou também que pretende pedir aos legisladores que revoguem uma isenção fiscal destinada aos centros de dados, criada em 2020.

Durante uma conferência de imprensa realizada a 23 de setembro, Moore afirmou: “Têm de suportar os seus próprios custos ou terão de sair”.

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