Dois em cada três portugueses já foram alvo de tentativas de fraude com dinheiro
Nos últimos 12 meses, 66% dos portugueses foram alvo de pelo menos uma tentativa de fraude ou roubo relacionado com dinheiro.
O apresenta o novo Barómetro Literacia Financeira Digital, apresentado pelo Doutor Finanças e realizado pelo Centro de Estudos Aplicados Católica-Lisbon, avaliou a preparação dos portugueses para gerir o dinheiro no atual contexto digital e as conclusões mostram que, no último ano, 66% dos portugueses foram alvo de pelo menos uma tentativa de fraude ou roubo relacionado com dinheiro. Mais, 34% sentem-se pouco ou nada confiantes para utilizar serviços financeiros digitais e proteger os seus dados. Ou seja, a fraude surge como um dos principais desafios identificados pelo barómetro.
A maioria dos portugueses (60%) não chegou a sofrer consequências da tentativa de fraude ou roubo, mas 4% reportaram uma tentativa com perda financeira e 2% partilharam dados, ainda que sem perda de dinheiro. Referida por 45% dos inquiridos, a SMS falsa (smishing) é a fraude mais frequente, seguindo-se o e-mail falso (phishing), com 27%, e as chamadas telefónicas (vishing), com 18%.
Apesar da elevada exposição, 95% dos inquiridos afirmaram que, perante uma mensagem do banco a pedir para clicar num link e inserir códigos, não clicariam e contactariam a instituição através de um canal oficial. Ainda assim, 31% sentem-se pouco ou nada confiantes na sua capacidade para identificar uma tentativa de fraude online. Refira-se que, entre as vítimas, apenas 47% apresentou queixa às entidades e 23% não tomou qualquer medida.
País digitalizado, mas…
O Barómetro Literacia Financeira Digital revela um país amplamente digitalizado onde 90% dos inquiridos utilizam internet todos os dias e 94% têm um smartphone com acesso à internet. Quando à forma de gestão do dinheiro, o MB Way é o canal financeiro digital utilizado por 74% dos inquiridos, ligeiramente acima da app do banco/homebanking (73%).
Mas apesar desta da utilização generalizada, a confiança sofre alguns revezes. 34% dos portugueses sentem-se pouco ou nada confiante para utilizar serviços financeiros digitais e proteger os seus dados. Inclusive os níveis de confiança diminuem à medida que aumenta a idade e são superiores entre os portugueses com maior escolaridade.
Por sua vez, a facilidade de utilização dos serviços digitais também continua a representar um desafio para os portugueses. 47% já deixaram de realizar uma operação financeira por considerarem o processo digital demasiado complexo, 38% fizeram-no pontualmente, enquanto 9% afirmam que já aconteceu várias vezes.
14% de portugueses que nunca, ou raramente, utilizam serviços financeiros digitais, aponta como motivos a preferência pelo atendimento presencial (42%) e a falta de confiança ou medo de fraude (42%). 12% admitem não saber utilizar este serviço.
A idade dos utilizadores também marca diferenças na utilização de serviços financeiros digitais. Por exemplo, a utilização diária atinge os 64% entre os 25 e os 34 anos, mas desce para 16% entre os maiores de 65 anos. Outro indicador relevante é o nível de escolaridade já que 49% dos portugueses com ensino superior usam estes serviços diariamente, face a apenas 14% entre quem não completou o 3.º ciclo. Aliás, 79% dos portugueses que não completaram o 3.º ciclo não consomem conteúdos financeiros, percentagem que chega aos 66% entre quem tem rendimentos até 860 euros mensais.
Portugueses não consomem informação sobre dinheiro
Apesar do acesso generalizado ao digital, 36% dos portugueses não consome informação sobre dinheiro. Entre os que procuram este tipo de conteúdos, os websites especializados são o principal canal (40%), seguindo-se os motores de pesquisa (33%), Instagram (20%), podcasts (19%), YouTube (17%) e televisão (14%).
Entre os mais jovens, as redes sociais, o YouTube e os podcasts ganham espaço e começam a ter impacto na forma como se tomam decisões financeiras. Um em cada quatro portugueses (25%) admite que as redes sociais influenciaram a forma como lidaram com o dinheiro nos últimos três meses, 12% aplicaram dicas relacionadas com poupança ou orçamento, 7% consideraram investimentos e 6% viram produtos financeiros.
A confiança na utilização da Inteligência Artificial foi outro indicador analisado no estudo e, neste ponto ,constatou-se que esta ainda é encarada com alguma relutância pelos portugueses: 48% afirmam não confiar nem utilizar ferramentas de IA em contexto financeiro.
O tipo de utilização em que os portugueses sentem mais confiança é para obter explicações sobre conceitos financeiros (44%), comparar produtos financeiros (24%), detetar possíveis burlas (18%) e apoio ao orçamento familiar (17%). Apenas 12% confiam nestas ferramentas para recomendar investimentos.
A desconfiança face à utilização de IA aumenta com a idade e é mais expressiva entre os grupos com menores níveis de formação. Pelo contrário, a confiança é significativamente mais elevada entre os mais jovens e pessoas com maior nível de escolaridade.








