85% dos pais apoiariam os filhos na criação de um negócio no Reino Unido
O empreendedorismo está a ganhar terreno face aos percursos académicos tradicionais entre as famílias britânicas. Um estudo da Virgin StartUp revela que 85% dos pais apoiariam os filhos caso estes quisessem criar um negócio.
Um novo estudo da Virgin StartUp, empresa sem fins lucrativos do grupo Virgin dedicada a empreendedores, realizado junto de 1.000 pais britânicos com filhos entre os 13 e os 21 anos, concluiu que mais de oito em cada dez (85%) apoiariam os filhos caso estes quisessem criar um negócio, enquanto mais de um terço (35%) preferiria que os filhos criassem uma empresa em vez de ingressarem na universidade neste outono.
Os resultados refletem uma mudança de atitude relativamente aos percursos profissionais tradicionais, numa altura em que mais de um milhão de jovens no Reino Unido não estudam, não trabalham nem frequentam qualquer tipo de formação. Neste contexto, quatro em cada dez pais (41%) consideram que um diploma universitário é hoje menos importante para construir uma carreira de sucesso do que era há 20 anos. Entre as principais razões apontadas estão o elevado custo do ensino e o endividamento associado (63%), a rápida evolução do mercado de trabalho (56%) e uma maior perceção da existência de percursos para o sucesso fora da universidade (54%).
Os pais não estão apenas a revelar maior apoio ao empreendedorismo, como também o estão a incentivar ativamente em casa. Mais de três em cada cinco pais (63%) afirmam já estimular o espírito empreendedor dos filhos, sobretudo ajudando-os a aprender a poupar dinheiro (60%), incentivando-os a investir as suas poupanças (40%), ensinando-lhes conceitos como lucros, custos e formação de preços através de um orçamento simples, por exemplo recorrendo a aplicações (36%), e encorajando-os a vender brinquedos antigos ou outros objetos que já não utilizam (33%).
Segundo o estudo, os pais estão também a atribuir maior importância à paixão e ao propósito do que aos percursos profissionais tradicionais. Dois terços (66%) afirmaram que o mais importante é que os filhos gostem daquilo que fazem, enquanto 52% consideram que os filhos têm um espírito mais empreendedor do que eles próprios tinham na mesma idade. Quase seis em cada dez (59%) acreditam ainda que o empreendedorismo é hoje uma opção de carreira mais atrativa do que há duas décadas.
Esta mudança de mentalidade reflete-se igualmente na forma como os pais encaram o mundo do trabalho. Mais de metade (54%) considera que o atual mercado de trabalho torna o empreendedorismo uma opção de carreira mais atrativa, enquanto quase dois terços (62%) afirmam que avanços como as redes sociais e a Inteligência Artificial facilitaram a possibilidade de os jovens criarem um negócio logo após terminarem a escola.
Apesar do crescente interesse dos estudantes pelo empreendedorismo enquanto opção profissional, apenas 57% dos pais se sentiriam confiantes para aconselhar os filhos sobre como criar uma empresa. Além disso, quase seis em cada dez jovens (59%) ainda não consideraram ou discutiram com as suas famílias a possibilidade de criar um negócio.
De acordo com Andy Fishburn, Managing Director da Virgin StartUp, “estamos a assistir a um número crescente de jovens que considera criar um negócio em vez de seguir automaticamente o percurso académico tradicional. A Inteligência Artificial está verdadeiramente a democratizar o acesso, facilitando o acesso a aconselhamento e competências. Mas o empreendedorismo é também uma excelente forma de construir algo segundo os nossos próprios termos, o que exerce uma forte atração sobre as gerações mais jovens”.
Apesar do crescente entusiasmo em torno do empreendedorismo, os pais consideram que as escolas ainda têm um papel mais relevante a desempenhar. 87% concordam que as competências empreendedoras deveriam ser ensinadas na escola, apontando a literacia financeira (52%), a resolução de problemas (48%) e o desenvolvimento de melhores competências de comunicação (43%) como principais prioridades. Dois terços afirmam ainda que gostariam de ter sido mais incentivados a desenvolver um espírito empreendedor quando frequentavam a escola.







