Salário já não chega: candidatos querem confiança, flexibilidade e oportunidades de desenvolvimento

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Desenvolvimento profissional, transparência, equilíbrio e adaptação à inteligência artificial estão a ganhar peso na escolha de uma nova oportunidade, diz a Adecco.

Num mercado de trabalho marcado pela escassez de competências e por candidatos cada vez mais informados, as regras da atração de talento estão a mudar. “Em 2026, o salário continua a ser determinante, mas deixou de ser suficiente. Transparência, flexibilidade, oportunidades de desenvolvimento e confiança na organização assumem hoje um papel decisivo na escolha de um novo projeto profissional”, defende a Adecco em comunicado.

A decisão de aceitar uma proposta deixou de ser apenas financeira. É, cada vez mais, uma decisão de confiança. Esta transformação é impulsionada por um contexto onde a Inteligência Artificial está a alterar funções e a acelerar a evolução das competências, levando os candidatos a procurar organizações que invistam ativamente no seu desenvolvimento contínuo. “Oportunidades de aprendizagem, requalificação e crescimento profissional tornam-se fatores diferenciadores cruciais na decisão de aceitar uma nova oportunidade”, enumera na mesma nota.

Segundo a consultora, o “Future of Jobs Report 2025”, do Fórum Económico Mundial, antecipa que 39% das competências hoje exigidas irão mudar até 2030, colocando a aprendizagem contínua no centro da competitividade das empresas e da evolução dos profissionais.

Neste cenário, a escassez de talento e a aceleração da mobilidade profissional obrigam as empresas a rever a forma como comunicam a sua proposta de valor, alerta. A valorização de modelos de trabalho flexíveis, a estabilidade e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional assumem um peso superior ao que observávamos há poucos anos. “A transparência sobre remunerações, funções e expectativas não é apenas uma boa prática; é o alicerce para construir relações de confiança desde o primeiro contacto”, reforça.

Para Alexandra Andrade, CEO da Adecco Portugal, “estamos a assistir a uma mudança estrutural no mercado de trabalho. Hoje, os candidatos escolhem empresas da mesma forma que as empresas escolhem talento: procuram informação, transparência, confiança e perspetivas de futuro”.

A responsável acrescenta ainda que “0 salário continua a ser importante, mas deixou de ser o único fator diferenciador. As pessoas procuram organizações onde possam crescer, aprender continuamente e desenvolver o seu potencial. A Inteligência Artificial está a transformar a forma como trabalhamos. Mas continua a ser o talento humano que transforma organizações. Num mercado onde a tecnologia evolui rapidamente, a vantagem competitiva continuará a ser profundamente humana”.

A Adecco acredita que esta tendência se irá consolidar nos próximos anos. “Num contexto em que a tecnologia se torna rapidamente acessível a todas as organizações, será “a capacidade para atrair, desenvolver e fidelizar talento que distinguirá as empresas mais competitivas”. Mais do que recrutar pessoas, o desafio passa por construir ecossistemas de talento, baseados em relações de confiança e em ambientes onde o potencial humano possa crescer ao longo do tempo”, afirma.

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