Como gerir o stress quando se está a lançar uma start-up do zero

Foto de Yamu_Jay por Pixabay

Criar uma empresa implica lidar com decisões difíceis, pressão financeira, incerteza e uma sensação constante de urgência. Mas o stress não tem de levar ao burnout. Fundadores e líderes defendem que foco, disciplina, mentoria e propósito são fundamentais para enfrentar os primeiros tempos de uma start-up.

Criar e gerir uma empresa não é para todos. Quem está à frente de um novo negócio tem de gerir recursos financeiros, conquistar clientes, formar equipas, tomar decisões com informação limitada e continuar a avançar mesmo quando o próximo passo não é evidente.

Essa pressão pode ser estimulante, mas também tornar-se esmagadora sem os hábitos, o apoio e a perspetiva certos. Se está a pensar lançar um negócio, a Forbes reuniu vários conselhos de especialistas que podem ser úteis nesta fase.

1. Estude o mercado

Lançar um novo negócio é, quase sempre, um processo exigente e marcado por forte pressão sobre o fundador. Para lidar com esse stress, o empreendedor deve analisar o mercado, fazer benchmarking e procurar aproveitar soluções ou práticas já existentes. Depois, deve rodear-se dos consultores e assessores certos, com experiência suficiente para ajudar a definir processos e a infraestrutura do negócio.

2. Desenvolva disciplina, recuperação e paciência

A pressão não é o inimigo; o pânico é. Nas artes marciais, não se aprende a manter a calma evitando a pressão, mas treinando sob pressão, passo a passo. Para os fundadores, o equilíbrio deve ser semelhante: disciplina para continuar a avançar, recuperação para manter a clareza e paciência para melhorar um pouco todas as semanas.

3. Regresse ao seu “porquê”

Porque começou o negócio? Qual era o objetivo final? Qual era o propósito mais profundo? Qual era o problema que queria resolver? O foco deve estar nas métricas que remetem para essa razão central. Tudo o resto é distração.

4. Proteja o seu foco com uma agenda

Trabalhar mais horas não é uma solução sustentável. Uma forma de gerir melhor a carga de trabalho é organizar as tarefas por blocos. Cada interrupção tem um custo de recomeço. As agendas ajudam a proteger o foco e permitem ao fundador trabalhar no negócio, e não apenas dentro dele. Também evitam que se torne o ponto de bloqueio da própria empresa.

5. Encontre parceiros que preencham as suas lacunas

Começar um negócio exige paixão, energia e sentido de missão. Esses elementos dependem do fundador e não podem ser delegados. Tudo o resto pode ser construído à sua volta ao longo do tempo. A recomendação é encontrar parceiros e pessoas de confiança que complementem as suas competências.

6. Crie uma almofada financeira

A maioria dos novos fundadores acredita que o maior desafio será a concorrência ou a estratégia. Muitas vezes, porém, é a pressão financeira. Antes de começar, é importante criar uma almofada financeira suficiente e ser rigoroso na avaliação do ritmo pessoal de despesas.

Muitas más decisões nascem de contas por pagar, não de más ideias. Construir um negócio de raiz deve assemelhar-se a um trabalho artesanal, não a uma luta pela sobrevivência.

7. Foque-se em algumas prioridades-chave

No início de um negócio, é fácil confundir velocidade com progresso. Muitos fundadores tentam controlar tudo ao mesmo tempo, mas esse caminho conduz rapidamente ao esgotamento.

O conselho é concentrar-se em algumas prioridades-chave, aquelas que realmente fazem o negócio avançar, e aprender a delegar mais cedo. Construir uma empresa é uma maratona, pelo que o fundador deve preservar recursos não apenas para o lançamento, mas também para o crescimento a longo prazo.

8. Encontre aquilo que o ajuda a manter os pés assentes na terra

Os fundadores avançam, muitas vezes, porque acreditam profundamente na sua solução ou serviço. Mas precisam também de encontrar formas complementares de se sentirem mais equilibrados. Para alguns, isso pode passar por um mentor; para outros, por algo tão simples como manter um diário de gratidão, que permita olhar para trás e refletir sobre conquistas e aprendizagens ao longo do percurso.

9. Aprenda com quem já construiu um negócio

Encontrar alguém que já tenha construído aquilo que se está a tentar criar pode ajudar a reduzir a pressão. O importante é aprender não apenas o que essa pessoa fez, mas também como pensava.

O stress diminui quando se percebe que os problemas têm solução. Grande parte da sensação de sobrecarga dos fundadores resulta da falta de experiência e de contexto. O mentor certo pode encurtar esse percurso em anos.

10. Simplifique os problemas desta semana

Reduza o problema até caber numa página. Os fundadores não entram em burnout apenas por trabalharem muito, mas por carregarem todos os “ciclos em aberto” na cabeça.

A solução passa por concentrar-se na semana em curso e não em tentar resolver o negócio inteiro de uma só vez. Enumere as três decisões que realmente fazem avançar a empresa e o resultado indispensável a alcançar até sexta-feira. Quando está no papel, a pressão deixa de o controlar. Tire tudo da cabeça e execute.

11. Delegue antes que o stress se acumule

Tentar carregar o negócio inteiro sozinho é um dos erros mais comuns.  Criar sistemas, procurar mentoria e proteger a própria mentalidade são passos essenciais. A pressão é normal, mas o isolamento é opcional. Os fundadores que resistem são aqueles que aprendem a liderar antes de chegarem ao burnout.

12. Ligue o negócio a um propósito maior

Não comece um negócio apenas pelo dinheiro. Encontre um propósito mais amplo e significativo para si e para o mundo à sua volta. Desenvolva-o e reconheça os benefícios das suas ações.

Quando o fundador sente que está a resolver problemas e a gerar impacto, o esforço investido no lançamento do projeto ganha outro sentido. Esse propósito pode ser a energia necessária para continuar. Tudo depende da atitude perante o negócio.

13. Fale com um consultor externo

Um bom parceiro de reflexão, coach ou consultor, sem participação no negócio, pode ser uma ajuda importante. Essa pessoa pode funcionar como um espaço seguro para perceber porque é que o trabalho está a gerar stress e pressão, em vez de fluidez e entusiasmo.

14. Encare o stress como um sinal

O stress não deve ser interpretado automaticamente como prova de fracasso. Muitas vezes, a pressão mostra onde a preparação, as prioridades, o discernimento e a disciplina ainda precisam de ser aperfeiçoados antes de se conseguir sustentar o próximo nível de responsabilidade.

Cada nova fase traz uma pressão diferente. O objetivo não é evitar todo o stress, mas perceber que tipos de pressão tornam o fundador mais forte e quais o afastam daquilo que realmente importa.

15. Crie uma equipa consultiva de apoio

Uma equipa consultiva não deve incluir apenas especialistas da indústria ou da área financeira. Deve também integrar pessoas capazes de ajudar o fundador a atravessar momentos difíceis com positividade e apoio.

O conselho é recorrer a essa rede, definir passos concretos e não esquecer a importância de sair e falar com os clientes. Eles são o propósito do negócio.

16. Pare de tratar tudo como urgente

Um dos maiores riscos para um fundador é confundir tensão constante com importância constante. Nem todos os emails são importantes. Nem todos os contratempos representam uma crise. O stress diminui quando se deixa de tratar cada momento como se o destino da empresa dependesse dele.

A maioria dos negócios sobrevive a decisões imperfeitas, mas tem mais dificuldade em resistir a líderes exaustos.

17. Dê a si próprio tempo para se tornar líder

A transformação de fundador em líder é um processo contínuo, não um estado fixo. Até os melhores líderes têm momentos em que pensam em desistir.

18. Aprenda a perseverar sob pressão

Os novos fundadores devem compreender que a pressão nunca desaparece totalmente. O empreendedorismo é exigente, sobretudo nas fases iniciais. A chave está em aprender a operar na incerteza sem deixar que ela controle as decisões.

O conselho é focar-se em resolver um problema de cada vez e manter a capacidade de adaptação.

 

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