Saiba como dizer “não” e estabelecer limites no trabalho
Se quiser dizer não a uma proposta de trabalho, à chefia ou a um colega, a recusa deve ser clara, educada e difícil de contestar. John Richardson, professor de negociação, diz que é preciso manter a gentileza, mas preservar o limite.
Manter boas relações profissionais, seja com a direção ou com os colegas, passa muitas vezes por saber dizer não às tarefas e propostas que são atribuídas. É um “jogo” difícil, sobretudo, quando se tem de dizer “não” sem querer levantar problemas com a chefia ou ficar mal com os colegas de trabalho.
O mesmo se passa num processo de negociação, onde dizer não pode parecer simples, mas pode transformar-se numa armadilha. Porque ao tentar ser educado demais, e ao explicar os seus motivos em excesso, a pessoa acaba por entregar ao outro lado argumentos para insistir.
John Richardson, professor de negociação e ex-Harvard Law School e Harvard Negotiation Project, explica que recusar propostas com clareza evita a insistência e preserva as relações profissionais. Na sua opinião o “não” é uma habilidade subestimada.
Assim, num artigo publicado pela CNBC, John Richardson, em colaboração com Attia Qureshi, professora adjunta da Universidade de Michigan, defende que a recusa ideal deve ser clara, educada e difícil de rebater. Ou seja, um “não é não” e não deve dar margem para que a outra parte possa continuar a insistir. Uma ressalva: a ideia não é encerrar a relação, mas sim encerrar o assunto em questão de forma definitiva. Manter a gentileza, mas preservar o limite.
Explicar demais pode ser um erro
De acordo com professor de Harvard, dar uma resposta negativa, mas explicar muito os motivos pode enfraquecer a própria recusa. Isto porque quando alguém dá muito detalhes para justificar a razão porque não aceita uma proposta, a outra pessoa ganha informações para reformular a oferta.
Por exemplo, quando se trata de uma negociação de trabalho dizer que não quer uma determinada mudança pode levar o outro lado a oferecer um cargo maior. Desta forma, recomenda-se o recurso a respostas que deixem pouco espaço para que haja contrapropostas.
Dizer não sem parecer rude
Uma recusa firme não deve ser agressiva. Aliás, a primeira regra é agradecer. Segundo os especialistas, frases como “Isso é muito gentil da sua parte. Agradeço por perguntar. Sinto muito, mas não posso dizer sim”, podem ajudá-lo a sair airosamente da situação. Mantem a educação, mas deixa a sua posição clara.
Para os autores, o ponto central é não transformar a recusa numa porta aberta para o debate.
Recorra a motivos difíceis de contestar
Outra abordagem possível passa por apresentar uma razão pessoal, ampla e difícil de contornar, em vez de criticar a proposta que lhe foi apresentada. Por exemplo, se for o caso de querer recusar uma oferta de emprego, pode sempre dizer que está dedicado à sua atual equipa e que não é o momento certo para fazer uma mudança. Este tipo de frase evita julgamento sobre a proposta e reduz as hipóteses do outro lado tentar uma nova oferta, uma contraproposta.
Sugerir outra pessoa pode ajudar
Sempre que faça sentido, pode sugerir uma alternativa, indicar colegas que fazem um bom trabalho. Esta estratégia permite recusar a negociação sem desvalorizar o próprio trabalho e sem deixar o outro lado sem resposta.
Quando a insistência continua
Se a outra pessoa pedir mais explicações, os especialistas recomendam que se mantenha a resposta curta. E pode voltar a frisar que o momento não é adequado. Se houver nova pressão, a recusa pode ficar mais direta, com frases do tipo: “Receio que terá de aceitar a minha decisão como final”.
O tom usado também é relevante para marcar uma posição. Encerrar a frase com entonação descendente e olhar nos olhos ajuda a indicar que a decisão já está tomada.







