IA, robôs e realidade virtual transformam a dinâmica familiar
A digitalização está a mudar a forma como as famílias convivem, trabalham e passam tempo juntas. Essa transformação deverá acelerar ainda mais nos próximos 10 anos, prevê o estudo da Kaspersky.
Impulsionadas pela inteligência artificial, robots domésticos e novas formas de interação digital, as famílias estão cada vez mais digitais, de acordo com um estudo realizado pela Kaspersky. A pesquisa constata, por exemplo, que 48% dos inquiridos prevê que as histórias para adormecer criadas por inteligência artificial se tornem comuns. Esta percentagem sobe para os 53% junto dos inquiridos com idade entre os 18 e os 34 anos.
Atualmente, para os pais mais ocupados, as aplicações e dispositivos inteligentes que oferecem histórias narradas por IA, com personagens personalizáveis e reviravoltas no enredo, são uma ajuda inovadora. Já para as crianças, são um contador de histórias interativo, sempre disponível e paciente.
31% das famílias antecipam que as crianças irão preferir animais de estimação digitais em vez de reais. Todavia, e apesar de a IA ter potencial para enriquecer a vida de uma criança, exige vigilância. Quando as crianças interagem com IA, seja para histórias ou aprendizagem, os pais devem ser proativos. Isto é, devem escolher serviços com políticas de privacidade robustas, que não armazenem nem utilizem indevidamente dados ou interações de voz das crianças. Ao mesmo tempo, devem reforçar o controlo com assistentes de parentalidade digital que permitam restringir conteúdos e equilibrar o tempo de ecrã.
Em suma, os pais devem utilizar controlos parentais para limitar a duração das sessões, selecionar plataformas de histórias com IA adequadas à idade e devidamente validadas e, sobretudo, manter um diálogo aberto sobre o que são essas histórias e como são criadas. Cabe-lhes explicar às crianças que a IA é uma ferramenta, não um amigo, e incentivá-las a comunicar quaisquer interações estranhas ou desconfortáveis. O essencial é garantir que a IA complementa a interação humana, sem substituir o conforto da voz de um dos pais.
O estudo da Kaspersky revela também que 43% dos inquiridos preveem que as celebrações familiares através de videochamadas deixem ser exceção e passem a realizar-se de forma habitual. Esta é uma tendência potenciada por famílias geograficamente dispersas. Segundo a Kaspersky, o futuro da atividade digital em família não chegará como uma onda uniforme, mas sim através de adoções graduais, moldadas pela abertura cultural e pelas infraestruturas digitais.
Este cenário em evolução cria vetores de risco na chamada casa inteligente. 43% dos participantes na pesquisa preveem que os robôs domésticos venham a ser encarados como membros da família, e que os assistentes pessoais ativados por voz ou aspiradores autónomos, serão capazes de apoiar nos estudos, jogar ou proporcionar companhia.
Mas há um alerta neste processo de transformação digital. O estudo lembra que aos olhos dos hackers, cada novo dispositivo, desde um visor de realidade virtual até uma ama robótica, representa um potencial ponto de entrada. Para manter a segurança, é essencial alterar as passwords predefinidas, garantir que o firmware dos dispositivos é atualizado regularmente e segmentar a rede doméstica. À medida que robôs, IA e dispositivos de realidade virtual passam a integrar o círculo familiar, a segurança deve ser um pilar fundamental, e não uma reflexão tardia.








