Para formar os seus alunos, a Escola Nacional de Administração, em França, oferece estágios em jovens empresas. Objetivo? Confrontá-los com a cultura das start-ups que quebra os códigos da gestão tradicional.

Colocar em contacto os seus alunos com a cultura das start-ups é objetivo da Escola Nacional de Administração (ENA), em França, que forma as elites de amanhã naquele país.

A ENA tem estado debaixo do fogo dos críticos, sendo criticada e considerada demasiado “conformista”. O candidato às primárias da Direita Bruno Le Maire declarou ao Parisien que queria fechar a instituição de ensino. Porquê? Porque a renovação passa por ali.  Uma mensagem entendida pela escola, que agora pretende que os seus alunos deixem de se interessar pelas empresas e pelos grandes grupos tradicionais para fazerem os seus estágios e se voltem para a nova economia: o mundo das start-ups.

“Queremos que a ENA esteja ainda mais virada para a inovação”, é o sonho de Nathalie Loiseau, diretora da ENA, que dá agora a oportunidade aos seus alunos de se familiarizem com os jovens empreendedores, avança o Le Figaro.

Assim, para cerca de 20 alunos – entraram na ENA este mês 90 alunos –, os habituais estágios na indústria pesada, na financeira ou nas empresas de consultoria serão substituídos por estágios em start-ups. Para muitos deles, será uma forma de descobrirem um meio que não conhecem e que quebra os códigos clássicos da gestão.

A ideia surgiu há dois anos, com a iniciativa Start-up Assembly (uma associação de jovens empreendedores parisienses) que propôs visitas guiadas às suas empresas, tais comoAirbnb, Leetchi, Blablacar, KissKissBankBank. Vários responsáveis da ENA apoiam estas start-ups. “Encontrámos-nos com alguns responsáveis destas empresas para lhes pedir que aceitassem os nossos estagiários”, conta Nathalie Loiseau. “Propusemos aos jovens empresários oferecer-lhes um aluno gratuitamente!”, acrescentou a responsável. Foi também pedida a ajuda do BPI (Banque publique d’investissement), de forma a ajudar que cada aluno encontrasse a start-up que melhor correspondesse às suas expetativas

“O tempo não é igual numa start-up e numa grande estrutura, muito menos numa administração. É incrível o que conseguimos fazer ali em dois meses”, conta  a aluna da ENA Cécile Renault, de 46 anos, que realizou um estágio na start-up Wistiki. Apesar de toda esta boa vontade, é, por vezes, complicado “converter” os alunos à iniciativa. Muitos deles preferem fazer como os seus pais e avós, e realizar estágios na administração pública ou em grandes grupos.

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