Opinião

Um ano de transição, preparação e ambição

João Pedro Guimarães, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP)

Ano Novo, vida nova? Vamos ver… O certo é que, para as empresas portuguesas e para a economia nacional, 2025 foi um período marcado por ajustamentos necessários e 2026 começa prometendo manter alguma turbulência global.

Num contexto internacional caracterizado por uma reconhecida instabilidade geopolítica, com pressões inflacionistas e alterações nas cadeias de valor globais e uma aceleração manifesta das transições digital e climática, os empresários e os gestores portugueses demonstraram, uma vez mais, resiliência, capacidade de adaptação e visão estratégica.

A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) acompanhou este percurso de perto. Ao longo de 365 dias, estivemos sempre ao lado das empresas, reforçando o nosso papel histórico enquanto parceiro de confiança do tecido empresarial português, seja através da promoção da internacionalização, da qualificação de gestores e quadros, do apoio jurídico e técnico, do alargamento das redes de contactos, ou da defesa ativa dos interesses empresariais junto dos decisores públicos.

É com esse mesmo espírito que olhamos agora para o próximo ciclo.

No plano da internacionalização, 2026 será um ano em que continuamos a apostar na diversificação de mercados e no aprofundamento de relações económicas estratégicas. O plano de missões empresariais internacionais da CCIP vai privilegiar destinos com elevado potencial de crescimento para as exportações portuguesas e para o investimento nacional, incluindo mercados europeus essenciais, economias da África lusófona, assim como geografias emergentes na América Latina, no Médio Oriente e na Ásia. Estas missões são desenhadas de uma forma sempre individualizada, procurando maximizar o valor para as empresas participantes através de agendas qualificadas, contactos institucionais de alto nível e encontros B2B focados em oportunidades concretas de negócio.

Paralelamente, a formação e a capacitação vão continuar a ser prioridades centrais da nossa ação. O plano de ações de formação para 2026 reflecte as novas exigências colocadas às empresas e aos seus líderes. Temas fundamentais como a liderança em contextos de incerteza, o compliance e a governação, a sustentabilidade e a aplicação dos critérios ESG, a transformação digital e a inteligência artificial aplicadas aos negócios e a gestão estratégica de pessoas vão estar cada vez mais no centro da nossa oferta formativa. E iremos continuar a parceria que temos com a Universidade Católica, em particular, no que se refere ao programa Acelerar a Internacionalização que terá, este ano, a sua 4ª edição. O objetivo é claro: dotar os empresários, os gestores e os quadros técnicos com as competências necessárias para competir num ambiente cada vez mais exigente e global.

Tudo isto será desenvolvido sem prejuízo dos serviços regulares da CCIP que constituem o alicerce da nossa atividade permanente: apoio jurídico e económico, arbitragem e resolução de litígios, emissão de documentos de apoio à exportação (certificados de origem e carnets ATA), informação estratégica, networking empresarial e representação institucional. Continuaremos a modernizar estes serviços, tornando-os mais ágeis, mais próximos e mais alinhados com as necessidades reais das empresas.

Nada disto seria possível sem a confiança que, ano após ano, as empresas depositam na CCIP. Essa confiança mútua é, simultaneamente, um reconhecimento e uma responsabilidade. A todos os associados, parceiros e participantes nas nossas iniciativas, quero deixar uma palavra de agradecimento e de incentivo. Contem connosco para vos ouvir e para continuarmos a apoiar o vosso crescimento, a promover a vossa internacionalização e a fazer crescer a vossa competitividade.

O futuro constrói-se com visão, cooperação e ação. É esse o nosso compromisso na CCIP, como tem sido desde 1834. Podem continuar a contar connosco.

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