Opinião

Economia em Portugal em 2026!

Paulo Doce de Moura, Investment Advisor do Banco Carregosa

Reduzir o peso fiscal e burocrático, de forma a permitir à economia portuguesa competir e contribuir para acelerar o crescimento económico ao investir no talento e na tecnologia, numa era marcada por enormes desafios geopolíticos, digitais e energéticos.

“Fiscal” é uma das palavras de ordem, devendo-se prosseguir de forma mais vincada a política de redução fiscal para as pessoas e as empresas, reduzindo o número de escalões do IRS e eliminando a derrama estadual que penaliza as empresas bem-sucedidas.

Uma das prioridades claras é garantir um ambiente fiscal e regulatório estável que incentive a modernização tecnológica e atraia mais investimento estrangeiro.

É preciso estabilizar a fiscalidade dos PPR, fundos de pensões e seguros de capitalização, introduzindo benefícios fiscais específicos que sejam uma parcela isolada dos demais, premiando quem mantém a poupança até à reforma, com um regime simples de planos de pensões e seguros de capitalização, para que possam oferecer benefícios de reforma de forma competitiva.

Simplificar o sistema fiscal e aliviar a carga sobre o trabalho. Hoje, a complexidade fiscal e os custos elevados para quem emprega e para quem trabalha são barreiras à competitividade e ao crescimento.

Burocracia não pode atrasar investimento!

Mas o apelo à simplificação não se esgota na esfera fiscal, acelerar a desburocratização e simplificar a regulação, contribuindo para o aumento da competitividade nacional.

A simplificação dos processos administrativos e em especial os licenciamentos associados a novos investimentos, novos processos, nova legislação, com diminuição dos tempos de resposta das entidades envolvidas. As decisões de investimento estrutural não podem ser atrasadas pela burocracia!

Criar condições reais para que as empresas invistam, cresçam e sejam competitivas. Isso passa por simplificar processos e melhorar os fatores de competitividade.

As oportunidades, os desafios e os riscos da IA!

Fortalecimento nacional de formação em matérias de inteligência artificial.

Os progressos na digitalização e na aplicação da inteligência artificial continuarão a ser alavancas fundamentais para aumentar a eficiência e apoiar de forma ainda mais próxima e personalizada as famílias e empresas portuguesas.

Inovação e talento de mãos dadas!

A tecnologia e as questões do talento são inseparáveis. Vamos continuar a assistir a um período de acelerada transformação na área de serviços profissionais e tecnologia, em que a nova realidade tecnológica está a redefinir o mercado de trabalho.

Priorizar tecnologia nacional reforça capacidades críticas, fortalece cadeias de valor internas e gera impacto económico duradouro, sublinhando que uma estratégia estável permite planear com responsabilidade e garantir que o país mantém autonomia e relevância internacional.

Perturbações geopolíticas!

Outro pano de fundo que deverá marcar o ano de 2026 é o da geopolítica, depois de um 2025 turbulento. Como principal risco, o ambiente geopolítico, em particular na Europa. Teremos de viver com um grau de incerteza muito superior ao que nos habituámos.

Não podemos subestimar a incerteza geopolítica nem a concorrência asiática, fatores com impacto relevante na indústria automóvel, por exemplo, entre outros setores.

O retalho será impactado pela instabilidade económica, incerteza geopolítica e pressão regulatória, as crescentes tensões geopolíticas podem causar perturbações nas cadeias de abastecimento.

A instabilidade geopolítica e a crescente competição oriunda da China exigem da Europa tomadas de decisão corajosas e das empresas europeias maior escala, agilidade e resiliência.

O sucesso dependerá da nossa capacidade de inovar, de crescer e de nos afirmarmos internacionalmente e de qualificar as nossas pessoas para enfrentar um mercado global cada vez mais exigente e fragmentado.

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Paulo Doce de Moura

Paulo Doce de Moura

Paulo Doce de Moura exerce funções no Banco Carregosa e foi diretor do BNP Paribas Personal Finance. Estudou Relações Internacionais-Económicas e Políticas, na Universidade do Minho e Direção Geral de Empresas no Programa Avançado de Gestão para Executivos na Universidade Católica Portuguesa. Foi presidente de Direção da AIESEC (Association Internationale des Étudiants en Sciences Économiques et Commercialles) na Universidade do Minho, Coordenador Distrital Economia, Trabalho e Inovação no Conselho Estratégico Nacional e membro da Assembleia de Freguesia do Lumiar. Escreveu... Ler Mais..

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