Intraempreendedorismo: como voltar a pensar como uma start-up

À medida que uma empresa cresce e solidifica a sua posição no mercado, corre o risco de cair num rol de processos que podem torná-la pesada e pouco flexível. Eis quatro conselhos para voltar a empreender com sucesso.

As empresas de longa data estão a recorrer ao intraempreendedorismo para levarem os seus colaborares a agirem como empreendedores e a manterem a empresa fresca e flexível. Mas nem sempre é fácil conseguir passar da vontade à ação.

A Canadian Business reuniu quatro conselhos de especialistas sobre como trazer o espírito empreendedor de volta à sua empresa.

1. Crie um laboratório de ideias

“Temos três laboratórios onde levamos as pessoas a juntarem-se e a experimentarem novas ideias. É necessário escolher cuidadosamente as pessoas. Os laboratórios precisam de pessoas que adoram andar à volta de ideias e que são felizes na sua própria pele, precisam de uma mistura saudável entre recém-graduados, séniores e estudantes. A combinação entre as ideias das diferentes pessoas e a sua própria forma de pensar é também crítica ao sucesso. Os líderes precisam de saber como ajudar individualmente cada uma destas pessoas. Enquanto equipa devem criar novas ideias, testarem-nas rapidamente e selecionarem as melhores. Finalmente, a gestão sénior tem de manter uma mente aberta e um envolvimento à medida que as novas ideias dão origem a oportunidades. O intraempreendedorismo é difícil na maior parte dos casos, mas um laboratório cria um local onde todos na empresa podem ver algo especial a acontecer”.

Eugene Roman, chief technology officer da Canadian Tire

2. Mude a forma como vê o falhanço

“As organizações têm de se comprometer a tornarem-se empreendedoras e a reconhecerem os seus benefícios. Mas precisam também de reconhecer os seus aspetos menos positivos. O falhanço é um deles e um desafio para as grandes empresas. Estas afirmam que querem tornar-se mais empreendedoras, mas não querem falhar. Tradicionalmente, quando alguém tenta algo novo e não funciona, a organização responde com uma reprimenda, o que desencoraja uma nova tentativa de criar algo novo, como forma de evitar o falhanço. Para inovarem, as empresas precisam de admitir a possibilidade de falhar e de tal passar a ser visto como uma aprendizagem, conseguindo-se assim uma mudança na mentalidade coletiva sobre como é visto o falhanço”.

Robert Mitchell, Professor Associado de Educação para o Empreendedorismo no Ivey Business School

3. Faça competições de pitch

“Temos algumas competições entre vários departamentos que ajudam a adotar o espírito do intraempreendedorismo. Desde 2012, que já fizemos 14 Telus Improvement Day, que deram origem a mais de 130 ideias. Os membros das equipas começam a trabalhar em ideias para melhorar o negócio no curto a médio prazo e desenvolvem uma avaliação aproximada do seu impacto financeiro e um plano de implementação. De seguida apresentam as ideias a um júri que seleciona a que deve ser implementada. Exemplo disso foi a simplificação do embalamento do nosso cartão SIM. Retirámos um grande folheto com termos e serviços, digitalizámo-lo e reduzimos os cursos e o desperdício, conseguindo uma poupança de 1 milhão de dólares anuais (cerca de 872 mil euros)”.

Kevin Banderk, vice-presidente de mobility marketing da Telus

4. Dê tempo aos colaboradores para desenvolverem projetos que os apaixonam

“Todas as organizações criam rotinas, mas a inovação requer que sejam criadas novas rotinas, pelo que é difícil. As rotinas permitem-lhe operar eficientemente – continuar a fazer as mesmas coisas vezes seguidas sem ser preciso voltar a pensar sobre isso –, mas atrapalham quando se pretende fazer algo novo. Para ultrapassar esse desafio, é preciso dar às pessoas a oportunidade de participarem no que é chamado de ‘skunk works’. Isto significa que as pessoas podem trabalhar em algo fora do que é supervisionado. Tal pode ser feito durante a jornada diária normal de trabalho, à noite ou no fim-de-semana, mas no fundo é fazer algo fora da supervisão da gestão tradicional. Pode ser desenvolvido apenas por uma pessoa ou por uma equipa. Trata-se de algo que existe em muitas empresas, uma vez que as pessoas quererem fazer coisas por si mesmas e sem supervisão superior. Quando alguém surge com algo que quer partilhar é útil ter algum tipo de processo semiformal em que possa submeter a ideia. Caso o projeto seja interessante, a empresa pode pagar ao colaborador e atribuir-lhe formalmente tempo para se dedicar ao mesmo”.

William Mitchell, professor de gestão estratégica na Rotman School of Management, Toronto

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