A felicidade nas empresas está longe de ser um fruto do acaso. Exige foco e um esforço continuado, que não a torna óbvia, mas faz com que seja mais fácil do que se pensa.

O que impede então que as empresas tenham pessoas mais felizes no seu dia a dia de trabalho? E como pode um gestor ajudar os colaboradores da sua empresa a trabalharem a atitude para a felicidade? Em suma, qual o plano para a felicidade se tornar um foco constante? – esta é a questão que tantas vezes me colocam e para a qual muitos gestores procuram resposta.

E nessa procura de resposta, os gestores que a encontram partem sempre do pressuposto de que a felicidade, tal como qualquer atividade humana, necessita de prática e método. Sabem que num ambiente laboral só pode ser desenvolvida se a trabalharmos de forma profissional, sem querer que seja uma condição acidental desligada do fruto do trabalho. A felicidade nas empresas é simples, mas dá trabalho.

Trabalhar a atitude para a felicidade requer que uma empresa interiorize três aspetos chave. Primeiro, saber que as pessoas necessitam de ferramentas e treino para as utilizar. Depois, saber que é necessário preparar os líderes para fomentarem esta atitude e a fazerem crescer dentro de toda a organização. Por fim, tal como qualquer procedimento de gestão, que se quer sério, é necessário medir e reagir aos indicadores.

Treinar os colaboradores requer aceitar que a felicidade não pode ser imposta e que cada pessoa deve ser livre de a procurar. Para isso, não basta dotar uma empresa de “momentos divertidos”, como atividades lúdicas, team buildings ou um ambiente descontraído. Tudo isso é ótimo e na empresa que lidero é uma peça core no nosso DNA. Mas, hoje, é preciso ir mais além e, é por isso, que é importante formar os colaboradores em técnicas específicas de desenvolvimento pessoal e emocional, em técnicas de auto-motivação e de tomada de consciência do papel que a felicidade pode ter no seu dia a dia.

Na preparação dos líderes, que é um dos pontos chave e ao qual dou a máxima importância, é importante que estes saibam como a sua atuação afeta as suas equipas, nomeadamente nalguns dos pontos mais importantes da felicidade no trabalho, em especial, se tivermos em consideração um dos mais recentes estudos do Boston Consulting Group, no reconhecimento do valor do seu trabalho, na boa relação com os colegas, no chamado work-life balance e na relação com as chefias. O treino das lideranças é fulcral, porque as empresas gerem-se por pessoas, com pessoas e para pessoas.

Por fim, como e onde se pode avaliar a felicidade na empresa? É necessário dotar as empresas de indicadores e ferramentas que permitam avaliar os níveis de felicidade empresarial. A autoavaliação, a avaliação periódica por parte dos líderes nas reuniões diretas com os colaboradores, e a criação de um happy score interno, onde os colaboradores avaliam o seu estado de felicidade naquele momento, são exemplos de medidas de avaliação que podem ser usadas para ver o sucesso dos nossos esforços e para ajustarmos alguns desvios que possamos encontrar.

De facto, a felicidade é simples. Dá trabalho porque requer uma nova mentalidade de gestão e uma monitorização constante, especialmente, porque as empresas são organismos vivos complexos, onde as pessoas necessitam de estar permanentemente motivadas e empenhadas. Mas, com a implementação profissional de metodologias de trabalho da atitude para a felicidade, torna-se natural.

A felicidade é um investimento de gestão, que se for complementado com o potencial que as ferramentas tecnológicas permitem, torna-se num dos maiores ativos de produtividade que uma empresa pode ter.

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