Opinião
Revitalizar é fazer a cidade viver
Uma regulação estável e equilibrada, bem como incentivos para proprietários e investidores são essenciais.
Recentemente, as principais associações representativas do setor apresentaram ao Ministério das Infraestruturas e Habitação uma posição comum sobre o processo legislativo em curso relativo à habitação e ao arrendamento. O objetivo é criar um mercado de arrendamento funcional e digno, capaz de dar uma resposta efetiva à crise habitacional. As medidas propostas podem gerar “uma onda de confiança”, estimulando a oferta de casas, tanto pela reabilitação do edificado existente como pela promoção de nova construção destinada ao arrendamento.
Há seis anos assumi a oportunidade de dar continuidade ao projeto da EastBanc em Portugal com a convicção de que o investimento imobiliário pode — e deve — ser um motor de transformação positiva nas cidades. Temos procurado afirmar-nos como um agente ativo de revitalização urbana, recuperando edifícios históricos, dando-lhes vida, propósito e valor. Requalificando, dessa forma, um bairro com equilíbrio.
Vários têm sido os projetos desenvolvidos com sucesso no Príncipe Real. Entre os que melhor ilustram esta visão estão o Palácio Faria, o projeto da Rua da Alegria 76, a mais recente intervenção do Anjos Urban Palace, os futuros projetos de habitação e hotelaria, bem como a residência de estudantes, exemplos do que significa dar uma nova vida não apenas a um edifício, mas também a todo um bairro. É isso que nos distingue no mercado: não nos limitamos a restaurar fachadas — procuramos revitalizar comunidades, dinamizar o comércio local e reforçar a identidade dos lugares.
A estratégia tem passado pela aquisição e reabilitação de ativos, com uma visão de longo prazo que integra património, cultura e sustentabilidade. A visão ganhou, entretanto, uma nova dimensão. Com oito projetos em pipeline, que representam um investimento de 70 milhões de euros nos próximos quatro anos, a EastBanc entrou numa nova fase da sua atuação em Portugal. O segmento da habitação representa agora mais de metade dos projetos — uma verdadeira mudança de agulha na abordagem ao mercado.
Mas se há algo que continua a travar o pleno potencial de Lisboa, é o elevado número de casas fechadas. Muitas permanecem devolutas, por falta de condições adequadas no mercado de arrendamento. A ausência de uma regulação estável e equilibrada, aliada à falta de incentivos para proprietários e investidores, impede que a cidade se torne verdadeiramente habitada e viva.
Acredito que o futuro das cidades se constrói com visão e colaboração. Lisboa só será verdadeiramente sustentável quando for uma cidade habitada — onde viver, trabalhar e visitar se cruzam em harmonia. Revitalizar é, acima de tudo, fazer a cidade viver.








