Opinião
Liderança Ética: um caminho
No ano em que o Fórum de Ética da Católica Porto Business School celebra uma década de existência, reafirma o compromisso com uma ética viva, aprendida, discutida e praticada em conjunto.
O estudo “Liderança Ética: Vozes de Líderes e de Liderados” surge como uma ferramenta aberta e contínua, centrada no processo de reflexão e transformação, mais do que na avaliação ou classificação de lideranças. A liderança ética é entendida como um caminho co-construído por líderes e liderados, onde inspirar vai além de fazer o que é certo: trata-se de refletir sobre o próprio ser e agir, promovendo comportamentos éticos, estabelecendo limites claros e assumindo a responsabilidade na construção da cultura organizacional.
O inquérito, respondido nesta primeira fase por 323 participantes de diferentes setores e níveis hierárquicos, procura despertar consciência e mobilizar para a ação ética, reconhecendo a importância dos contextos e das relações humanas. Avalia quatro dimensões centrais: demonstrar que a ética é uma prioridade, comunicar expectativas claras para uma prática ética, tomar decisões éticas e apoiar o programa de ética.
Os resultados globais mostram que líderes tendem a demonstrar práticas éticas com frequência moderada, enquanto liderados percecionam essas práticas de forma mais intermitente. Estas diferenças, ainda que não sendo muito marcadas, poderão ser um convite à reflexão sobre como tornar a ética mais visível, partilhada e reconhecida nas práticas diárias de liderança. Os resultados demonstram também que há convergência entre ambos, líderes e liderados, quando identificam a comunicação de expectativas éticas como comportamentos mais frequentes no líder e, como menos frequentes, o apoio ao programa de ética, o que poderá apoiar a identificação dos passos seguintes para fortalecer uma liderança que não apenas comunica ética, mas a transforma em prática consistente.
O estudo releva também exemplos reais que ilustram desafios, desde a coragem de defender a transparência em situações de pressão, até a dificuldade de integrar a ética nos momentos formais de acompanhamento e desempenho. Relatos de liderados evidenciam, por vezes, desalinhamento entre discurso e prática e a necessidade de maior segurança para que todos possam agir eticamente sem receio de represálias.
Neste estudo assume-se que liderar eticamente é um caminho contínuo, que exige reflexão, partilha e ação. Mais do que medir, importa mobilizar; mais do que avaliar, é preciso dar poder de agir. O convite é para que cada voz participe, alimentando um ecossistema vivo de liderança ética, tornando a ética mais visível, partilhada e reconhecida nas práticas diárias das organizações.








