Investigação biomédica portuguesa selecionada pela Fundação ”la Caixa”

Nove instituições portuguesas de investigação foram selecionadas no concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa”.

O concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa” selecionou 34 novos projetos de investigação biomédica, que recebem 26 milhões de euros em apoios. Os projetos são liderados por 25 centros de investigação, universidades e hospitais espanhóis, e por nove instituições portuguesas.

Os projetos portugueses destacam-se pelo seu carácter inovador e elevado impacto social, abrangendo diversas áreas da investigação biomédica de ponta. Incluem iniciativas como o projeto de Bruno Sarmento (i3S, Universidade do Porto), que desenvolve um dispositivo implantável para melhorar o tratamento do glioblastoma, o de Claus Maria Azzalin (Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular), que investiga a estabilidade do genoma através das interações entre telómeros e ARN, e o trabalho de Ricardo Henriques (ITQB NOVA), que aplica microscopia baseada em inteligência artificial para estudar infeções virais.

Destaque também para a investigação oncológica, com o projeto de João Lacerda (GIMM), que desenvolve uma célula CAR-T universal eficaz contra vários tipos de cancro, e o de June Ereño-Orbea (CIC bioGUNE), que conta com a participação de Carlos Minutti (Fundação Champalimaud) e que utiliza nanotecnologia para potenciar a imunoterapia contra o cancro.

Juntam-se ainda o projeto de Ana Eulálio (Universidade de Coimbra), que analisa a sobrevivência intracelular e a resistência aos antibióticos da Staphylococcus aureus, o de Cristina Márquez (Universidade de Coimbra), que procura descodificar os mecanismos cerebrais subjacentes à empatia e ao comportamento social, e o projeto de Joseph Paton (Fundação Champalimaud), que investiga como a dopamina e os circuitos neuronais influenciam os processos de tomada de decisão.

Esta edição destaca-se ainda pelo apoio a projetos portugueses que exploram novas abordagens de medicina preventiva e terapias inovadoras com impacto direto na saúde pública. De salientar o projeto de Diogo Castro, centrado em compreender como pequenas alterações no ADN influenciam a formação e a função do cérebro, e o de Ana Paula Pêgo  que desenvolve novas estratégias de proteção cerebral para prevenir danos causados por doenças neurológicas graves. Ambos da i3S, Universidade do Porto.

Nesta que é a 8.ª  edição do concurso, foram apresentadas 714 propostas de investigação básica, clínica e translacional. Refira-se que o concurso está especialmente direcionado para abordar desafios de saúde em várias áreas, desde as neurociências, a doenças cardiovasculares e metabólicas, oncologia, doenças infeciosas e tecnologias facilitadoras em alguns destes campos.

Este ano, os acordos com a Fundação Breakthrough T1D e com a Fundação Luzón permitiram dar maior destaque ao financiamento de iniciativas centradas na diabetes tipo 1, com dois projetos financiados, e na esclerose lateral amiotrófica (ELA), com um projeto selecionado. O concurso tem ainda com a colaboração da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que destina 1,8 milhões de euros para financiar três dos nove projetos portugueses premiados.

Àngel Font, subdiretor-geral de Investigação e Bolsas da Fundação ”la Caixa”, lembrou que “a investigação biomédica é uma das formas mais poderosas de melhorar a vida das pessoas”. Acrescentou que “os 34 projetos premiados abordam desafios muito diversos a partir de diferentes perspetivas, mas todos partilham três eixos fundamentais para avançar rumo a um futuro mais promissor para os doentes e as suas famílias: colaboração, talento e inovação”.

O concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa” concede até 500 mil euros a projetos com uma única instituição de investigação envolvida e até um milhão de euros a consórcios de investigação formados por várias instituições.

Desde o início do programa, em 2018, o montante total do concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa” ascende a 172,3 milhões de euros para 234 projetos, dos quais 162 são liderados por equipas espanholas e 72 por grupos de investigação portugueses.

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