Vivemos tempos onde tudo parece mais rápido, a ficção científica rapidamente se transforma em facto científico, novos serviços e novos dispositivos entram no mercado todos os dias, a competição é permanente!

Este movimento de transformação e inovação parece imparável, estando a transformar a nossa sociedade e a forma como esta se relaciona, lançando-a num movimento de constante competição e superação, muito idêntica a uma corrida. Uma corrida em tudo semelhante com a da Alice no País das Maravilhas: a célebre corrida da Rainha Vermelha. Num diálogo através do espelho, a rainha diz a Alice:

“Agora, veja bem, é preciso todo o esforço possível para manter o mesmo lugar. Se você quiser chegar a outro lugar, deve correr pelo menos duas vezes mais rápido que isso!” Ora, esta aparente paranoia competitiva parece, na minha opinião, ser uma das citações que melhor qualifica e distingue a situação atual.

Do ponto de vista da gestão é exigido esse esforço de irmos para além dos nossos limites e das nossas capacidades. Ora, a grande maioria das organizações encontra resposta para esta corrida no processo de inovação. Quer pela procura constante de fazer mais e melhor, através da atualização da sua oferta ou dos seus processos, num movimento de continuidade, quer pela tentativa de disrupção na criação de algo efetivamente “fora da caixa”.

Nesta corrida só se pode participar se a organização tiver capacidade de adotar e implementar um verdadeiro processo de inovação. E isso passa, em primeiro lugar, por valorizar os seus colaboradores e o seu capital intelectual, e por ter uma escuta ativa sobre aquilo que nos rodeia internamente e sobre aquilo que acontece fora da organização. Isto deve ser o primeiro passo desta corrida.

As organizações são as pessoas. Se tivermos pessoas informadas, motivadas e mensuradas, isto é, com resultados visíveis do seu trabalho, temos a base para uma organização criativa e inovadora. Ora, isto por si só constitui um desafio. Pois inovar não poder ser apenas uma vontade. Tem de ser um processo, onde todos dentro da organização têm um canal para a sua valorização, para a promoção das suas ideias, e para o fomento da sua autonomia e liderança. Tal permitirá às iniciativas crescerem de forma sustentada com coaching e, sobretudo, com objetivos bem definidos.

Isso implica tempo e disponibilidade, não podendo ser encarado como um custo, mas sim como um investimento. Torna-se por isso necessário tornar a inovação uma prática de gestão, um processo regular e inclusivo, um diálogo que escuta a organização, e que a interroga de forma positiva, como podemos fazer ainda melhor? … Com objetivos claros e sempre mesuráveis abre-se o caminho para os primeiros metros da corrida. Uma corrida que deve ser traçada por objetivos rápidos, um sprint, ou objetivos mais complexos, uma maratona. Mas sempre com um fim definido logo no ponto de partida.

Abraçar a inovação é, assim, o equipamento de base para esta corrida que todos os dias nos desafia a correr ainda mais.


Emanuel Serrano é membro da Comissão Executiva da COMPTA, ocupando ainda diversos lugares de destaque dentro do mais antigo grupo tecnológico nacional. Na verdade, é presidente e administrador da Compta Business Solutions e administrador da Bee2Fire, uma empresa especializada na deteção antecipada de incêndios com recurso a AI (Inteligência Artificial).

Possui formação em Eletrónica e Telecomunicações, pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, em Empreendedorismo e Gestão de Empresas, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão – ISEG/IFEA, tendo ainda realizado o Programa Avançado de Gestão para Executivos (PAGE), na Universidade Católica de Lisboa. Detentor de uma carreira profissional sempre ligada ao setor das TI (Tecnologias de Informação), Emanuel Serrano desempenhou várias funções de gestão, tendo liderado inúmeros projetos de transformação digital em tantos outros setores de atividade que são hoje referências quer no mercado nacional, quer internacional. Tem sob a sua responsabilidade o disruptivo departamento de R&D do grupo COMPTA, equipa responsável pela criação e desenvolvimento da oferta de produtos próprios, assentes em tecnologias emergentes como IA ou IoT (Internet das Coisas), para os mais distintos setores: Smart Cities, Energia, Ambiente, Investigação Criminal ou Deteção de Incêndios.

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