Empresas recorrem ao trabalho híbrido para atrair talento
O trabalho híbrido é atualmente a principal estratégia utilizada pelas empresas para atrair os melhores profissionais do setor tecnológico, à frente do salário, segundo estudo da International Workplace Group.
Num estudo conjunto com a Arup, a International Workplace Group (IWG), revela que os modelos de trabalho mais flexíveis podem gerar ganhos significativos de produtividade ao ajudar as empresas a atrair e reter talento e a preservar conhecimento crítico. Aliás, num contexto em que as empresas procuram por competências cada vez mais especializadas e ambicionam aumentar a produtividade, a atração e retenção dos profissionais certos tornou-se uma prioridade crescente.
A análise permite dimensionar o valor económico que pode estar associado a uma maior capacidade de retenção de talento. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a retenção de colaboradores poderá representar, por si só, ganhos de produtividade de cerca de 204,7 mil milhões de dólares e 10,8 mil milhões de libras, respetivamente, ao longo de cinco anos.
Embora estes valores digam respeito especificamente aos dois mercados analisados, o estudo considera que ajudam a ilustrar o potencial impacto económico de estratégias de trabalho que contribuam para reter profissionais mais experientes.
A análise da IWG conclui que 72% dos líderes empresariais consideram que oferecer modelos de trabalho híbridos ou flexíveis é essencial para atrair líderes mais jovens. Mais, reconhecem que é possível trabalhar com o mesmo nível de produtividade, ou até superior, sem a necessidade de realizar diariamente longas deslocações.
Constata-se ainda que, segundo a pesquisa da IWG, trabalho híbrido é também a estratégia mais utilizada para competir pelos melhores profissionais do setor tecnológico. Isso é referenciado por 37% dos líderes empresariais, à frente da remuneração competitiva referida por 35%. Além disso, 78% acreditam que as organizações que oferecem modelos de trabalho híbridos ou flexíveis têm uma clara vantagem face àquelas que não o fazem.
Ao eliminar barreiras geográficas e proporcionar maior flexibilidade, os modelos híbridos permitem às empresas alargar a sua base de recrutamento e desenvolver modelos de funcionamento mais eficientes. Esta realidade está no centro de uma nova equação do talento, em que flexibilidade, tecnologia e maior acesso a profissionais qualificados combinam para gerar valor em termos de produtividade.
Na investigação realizada para os Estados Unidos e o Reino Unido, uma maior retenção de talento surge como o principal fator individual de ganhos de produtividade, podendo representar cerca de 204,7 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e 10,8 mil milhões de libras no Reino Unido, ao longo de cinco anos.
A redução da rotatividade de colaboradores pode também ajudar as empresas a evitar perdas significativas. A análise estima perdas anuais de Valor Acrescentado Bruto (VAB) que podem atingir 40,9 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e 2,2 mil milhões de libras no Reino Unido, uma vez que, quando um profissional deixa uma organização, esta perde não apenas a pessoa, mas também experiência, conhecimento, continuidade e capacidade produtiva.
Reter profissionais experientes permite ainda preservar conhecimento dentro das organizações. O novo estudo atribui 65,5 mil milhões de dólares em ganhos de produtividade nos Estados Unidos e 5,7 mil milhões de libras no Reino Unido à redução das perturbações associadas à perda de conhecimento, reforçando o valor operacional de manter competências e experiência nas empresas.
Uma maior capacidade de atração de talento representa igualmente um contributo relevante, podendo gerar mais 98,3 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e 6,5 mil milhões de libras no Reino Unido ao longo de cinco anos. Já os ganhos associados a processos de recrutamento e integração mais eficientes são estimados em aproximadamente 9,4 mil milhões de dólares e 600 milhões de libras, respetivamente.
Em conjunto, estes resultados mostram que a flexibilidade no trabalho não representa apenas um benefício para os colaboradores, podendo assumir-se também como uma ferramenta estratégica para promover o crescimento, a resiliência e a produtividade das organizações.
A inteligência artificial (IA) também poderá ampliar ainda mais estes benefícios. Quatro em cada cinco CEO (80%) consideram que a IA aumenta a produtividade quando combinada com modelos de trabalho híbridos, enquanto cerca de 60% dos profissionais norte-americanos e 68% dos britânicos afirmam que a tecnologia já está a melhorar a sua experiência de trabalho híbrido.
Portugal também valoriza flexibilidade
A valorização da flexibilidade laboral também é uma realidade em Portugal, como lembra a IWG, ao referenciar um estudo da Hays, realizado em 2026. Neste concluiu-se que 87% dos profissionais consideram o modelo de trabalho – presencial, remoto ou híbrido – uma prioridade máxima ou um fator muito importante na avaliação de uma nova oportunidade profissional.
No setor tecnológico, a flexibilidade assume igualmente um papel relevante na atração e retenção de talento. Segundo o Experis Tech Talent Outlook relativo ao segundo trimestre de 2026, uma maior flexibilidade de horários é a medida mais referida pelos empregadores do setor em Portugal (35%), à frente dos aumentos salariais (30%), enquanto 28% apontam uma maior flexibilidade relativamente ao local de trabalho.
No mercado de trabalho nacional, a retenção está igualmente muito relacionada com fatores como a flexibilidade e a autonomia. Segundo o Workmonitor 2026, da Randstad, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o principal motivo para 51% dos profissionais em Portugal permanecerem no atual emprego, face a 23% que apontam a remuneração e os benefícios. Metade dos profissionais portugueses inquiridos já abandonou um emprego por falta de autonomia, enquanto oito em cada dez empregadores consideram que dar maior autonomia aos colaboradores contribui para aumentar o compromisso e a produtividade.
Em Portugal, a inteligência artificial também assume uma importância crescente na produtividade. Segundo o Workmonitor 2026, 60% dos profissionais e 70% dos empregadores inquiridos consideram que a IA está a contribuir para melhorar o desempenho. A sua adoção deverá continuar a aumentar, com 89% dos empregadores portugueses a planearem reforçar a utilização desta tecnologia nos 12 meses seguintes.







