Empresas preparam-se para adaptar legislação sobre transparência salarial
A Mercer fez um estudo global sobre transparência salarial nas empresas, em 60 países, e constatou que apenas metade está preparada para esta realidade.
A Diretiva da Transparência Salarial da União Europeia está a impulsionar uma mudança crítica da política para medidas práticas sobre equidade salarial e transparência, e é neste âmbito o relatório “Pay Transparency”, da Mercer, aborda como uma estrutura de descrição de funções clara e robusta é um pilar essencial para as organizações cumprirem os requisitos da Diretiva de forma eficaz e a prepararem uma força de trabalho mais equitativa e preparada para o futuro.
O relatório destaca os principais requisitos da Diretiva e as obrigações das organizações, incluindo o direito do colaborador solicitar informações sobre remuneração a partir de 2026 e a comunicação obrigatória de lacunas salariais de género por categorias de funções a partir de 2027.
O estudo, que reúne informações de mais de 1600 multinacionais, em 60 mercados, constata que apenas metade das empresas está preparada para aplicar os requisitos sobre transparência salarial que a legislação exige. Muitas já estão a desenvolver ou já desenvolveram estratégias para implementar a transparência salarial, contudo só cerca de 14% a implementaram em toda a organização. Ainda assim, o nível de preparação das empresas tem aumentado ao passar de 32%, em 2024, para cerca de 50% no ano passado.
A diferença de aplicação da transparência salarial entre os países também é uma realidade já que as empresas do norte da Europa, por exemplo, estão melhor preparadas do que noutros mercados. Refira-se que na Europa 9% das empresas afirmam ter a estratégia totalmente implementada, no caso dos Estados-membros terem de transpor a diretiva europeia até junho deste ano. Em mercados como a Alemanha, França ou Itália a implementação ronda os 4% a 9%, enquanto no Reino Unido é de 5%, valores abaixo dos 14% da média Europeia.
Os dados relativos a Portugal apontam para uma evolução positiva, mas os desafios continuam. Das empresas que já abordam a transparência salarial, 52% mostram ter familiaridade moderada com o tema, e, entre as que ainda não começaram este trabalho, 54% afirmam ter apenas uma noção básica.
Globalmente, o fator motivacional para a aplicação da transparência salarial também varia, sendo que a conformidade com a legislação continua a ser o principal impulsionador para 90% das empresas, seguindo do compromisso com os colaboradores (56%), e da competitividade no mercado (55%).
49% das empresas no inquérito da Mercer relataram aumentar a utilização de processos formalizados na avaliação de cargos, e 35% estão a implementar uma abordagem padrão à avaliação de funções para se prepararem para o aumento dos requisitos de transparência salarial.
Recorde-se que a Diretiva da UE sobre Transparência Salarial exige que os empregadores ajam de forma decisiva nas questões de equidade salarial, transparência e classificação de empregos. Assim, até junho de 2026, os Estados-membros devem incorporar a Diretiva nas suas legislações nacionais. A partir de 2027, os grandes empregadores terão de publicar dados sobre a disparidade salarial de género com base em categorias de trabalho definidas.








