Opinião
Da tecnologia ao impacto: o que esperar do venture capital em 2026?
No mercado de capital de risco, o ano de 2025 confirmou uma tendência que já tem sido desenhada nos últimos anos: o crescimento continua, mas de forma mais seletiva e segmentada.
Enquanto áreas tradicionais de investimento, como SaaS e marketplaces, enfrentam desafios crescentes para levantar capital, setores como inteligência artificial, defesa e robótica emergem como polos de atenção para investidores. Este reposicionamento reflete não apenas a evolução tecnológica, mas também a busca por investimentos que ofereçam retorno diferenciado e sustentável num contexto económico mais exigente.
Dentro do universo da inteligência artificial, assistimos a uma consolidação tecnológica sem precedentes. Modelos cada vez mais sofisticados demonstram capacidade de executar tarefas complexas, o que aumenta a pressão para que start-ups criem vantagens competitivas claras. Diferenciação passa a significar não apenas acesso a dados exclusivos, mas também a capacidade de substituir workflows existentes dos clientes, gerando ganhos exponenciais em vez de incrementais. A criação de “moats” robustos torna-se, portanto, um requisito fundamental para quem pretende liderar nesta nova fase da IA.
As indústrias e empresas tradicionais estão, por sua vez, também cada vez mais focadas em implementar soluções de inteligência artificial, reconhecendo o impacto que estas tecnologias podem ter na eficiência e inovação. Este movimento abre oportunidades significativas para produtos e serviços que consigam ir ao encontro de necessidades concretas do mercado empresarial, criando valor mensurável e de rápida adoção. É na articulação entre tecnologia e resultados mensuráveis que as start-ups capazes de navegar neste espaço encontram terreno fértil para crescimento e consolidação.
Um dos desenvolvimentos mais marcantes de 2025 foi a mudança de foco de tecnologia para outcomes. Investidores e clientes estão a priorizar empresas que entregam resultados claros, em vez de produtos ou plataformas em si. Este novo paradigma redefine a criação de valor: mesmo que margens unitárias sejam mais baixas, a captura de valor passa a depender da capacidade de transformar tecnologia em impacto real para o utilizador final, consolidando relações de longo prazo e reforçando a escalabilidade do negócio.
Agora, com os olhos postos em 2026, espera-se que este alinhamento entre tecnologia e outcomes se intensifique ainda mais. As start-ups e os investidores precisarão não só de acompanhar a evolução tecnológica, mas também de compreender profundamente os fluxos de trabalho dos clientes e os fatores que realmente impulsionam resultados. A capacidade de combinar inovação com entrega mensurável será determinante para identificar os vencedores do mercado de venture capital no próximo ano.
Podemos retirar deste ano a aprendizagem de que o crescimento e a seletividade caminham lado a lado. A consolidação tecnológica, o foco em resultados e a atenção às indústrias tradicionais criam um ambiente desafiador, mas cheio de oportunidades. Para 2026, a aposta certa será naquelas empresas que consigam traduzir tecnologia de ponta em valor concreto, escalável e sustentável, redefinindo a noção de sucesso no ecossistema de capital de risco europeu e global.








