Capital de risco ou capital de ventura (em inglês: venture capital), é uma modalidade de investimentos utilizada para apoiar negócios por meio da compra de uma participação acionista, geralmente minoritária, com objetivo de ter as ações valorizadas para posterior saída da operação.

Chama-se capital de risco não pelo risco do capital, mas pela aposta em empresas cujo potencial de valorização é elevado e o retorno esperado é idêntico ao risco que os investidores querem correr. Este modelo de investimento é feito através de sociedades especializadas neste tipo de negócio. Estas sociedades além do contributo em capital, ajudam na gestão e aconselhamento.

Este financiamento está associado a negócios que estão a iniciar, em fase de expansão ou em mudança de gestão. Qualquer destas situações tem um risco muito elevado associado à incerteza do projeto em que a empresa se encontra.

Os primeiros antecedentes dos investimentos em capital de risco encontram-se no século XV, quando as primeiras expedições marítimas eram financiadas com expetativa nos lucros decorrentes, mas com grande risco de perda total do investimento.

Outro período relevante para o crescimento do capital de risco, enquanto atividade económica, encontra-se no século XVIII, em Inglaterra, produto da Revolução Industrial e do ambiente propício aos investimentos em projetos fabris emergentes com elevado potencial de rentabilidade, quando mercadores, armadores e os primeiros industriais da tecelagem procuravam apoio financeiro para os seus projetos.

As primeiras operações de investimento em capital de risco, tal como as conhecemos hoje, têm as suas origens nos Estados Unidos da América, em meados da década de 40 do século XX.

Os Wallenbergs, Vanderbilts, e Rockefellers foram notáveis investidores em companhias particulares nessa época. Laurance S. Rockefeller ajudou financeiramente na criação das empresas Eastern Air Lines e Douglas Aircraft e a família Wallenberg fez investimentos iniciais em muitas companhias suecas como a ABB, Atlas Copco e a Ericsson.

Em 1946, foi criada a primeira sociedade de investimentos em capital de risco, gerida por profissionais dedicada a realizar investimentos de alto risco.

Tradicionalmente continuam a ser as empresas americanas, as maiores participantes nos mercados do capital de risco, quer pelo lado dos investidores, quer pelo lado das empresas que recorrem ao capital de risco. Mas no resto do mundo, esta atividade tem também vindo a ter um grande desenvolvimento. As entidades públicas têm utilizado o capital de risco, como uma ferramenta para promover o desenvolvimento económico de muitas regiões ou setores de negócio, sobretudo as novas tecnologias.

Nas regiões com menor desenvolvimento do setor financeiro, este instrumento desempenha um papel facilitador no acesso aos mercados financeiros, sobretudo nas pequenas e médias empresas (PME) que estão na fase de early stage ou start-up.

O capital de risco pode ser definido como uma forma de investimento empresarial, com o objetivo de financiar empresas, apoiando o seu desenvolvimento e crescimento, com fortes reflexos na gestão. É uma das principais fontes de financiamento para jovens empresas, “start-up’s” e investimentos de risco com elevado potencial.

O capital de risco destaca-se pela análise concreta dos projetos apresentados, do seu potencial de crescimento e da relação com o risco. Uma vez feita essa análise, e aprovado o investimento, o capital de risco assume um interesse direto na sua valorização e crescimento. Comparado com as outras formas de financiamento, é a única que assume o sucesso do negócio como o sucesso do seu próprio investimento.

O capital de risco assume integralmente os desafios do mercado, ao não ser recompensado pelos juros do capital investido, mas sim pelo sucesso da empresa financiada. Os ganhos dos investidores de capital de risco estão dependentes do sucesso ou insucesso das empresas.

O investidor compreende e reconhece o elevado risco a que se submete e que pode resultar na perda total do capital investido … é um novo sócio da empresa: se esta fracassa, ele não retirará benefício algum do investimento. Se tiver êxito, terá direito a participar nesse sucesso.

O capital de risco constitui uma alternativa interessante para capitalizar Pequenas e Médias Empresas, em especial pela dificuldade que estas encontram na fase de desenvolvimento e crescimento.

O capital de risco participa no capital social das empresas, apoiando a sua gestão e tentando otimizar ao máximo o seu sucesso, uma vez que o seu investimento está dependente dos resultados obtidos. O capital de risco não é garantido!!!


*Paulo Doce de Moura exerce funções no Banco Carregosa e foi diretor do BNP Paribas Personal Finance. Estudou Relações Internacionais – Económicas e Políticas, na Universidade do Minho e Direção Geral de Empresas no Programa Avançado de Gestão para Executivos na Universidade Católica Portuguesa. Foi presidente de Direção da AIESEC (Association Internationale des Étudiants en Sciences Économiques et Commercialles) na Universidade do Minho, Coordenador Distrital Economia, Trabalho e Inovação no Conselho Estratégico Nacional e membro da Assembleia de Freguesia do Lumiar. Escreveu artigos de opinião no jornal OJE, na Revista Human, na PME Magazine, no Repórter Sombra, na Plataforma-Egov e na Rebbit Magazine. Também é membro do Board of Advisors da AIESEC Lisboa ISCTE. Além disso, é presidente do Conselho Fiscal da Associação de Atletismo de Lisboa e Subdiretor na Secção de Basquetebol do Sporting Clube de Portugal.

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