BOOST 2026 reforça urgência de agir hoje para preparar o turismo do futuro

Créditos: Making Powerhouse

Na 4.ª edição do BOOST, em Lisboa, ficou claro que o turismo não pode esperar por certezas: é preciso preparar-se para vários futuros possíveis e agir, combinando inovação, sustentabilidade e foco nas pessoas.

O balanço da 4.ª edição do BOOST aponta para duas ideias estruturantes face a mudanças rápidas e crises globais: o turismo não pode esperar por certezas e deve preparar-se para vários futuros possíveis, e todos exigem ação no presente.

Roberto Antunes, diretor executivo do NEST – Centro de Inovação do Turismo, sublinhou que o balanço desta edição, realizada a 16 de janeiro, em Lisboa, confirma um setor disponível para mudar. Acrescenta que as intervenções e perguntas feitas ao longo do dia refletiram uma grande curiosidade sobre como o setor pode enfrentar toda essa incerteza, e, ao mesmo tempo, sedimentar os valores que quer manter, tais como a inovação, sustentabilidade e a dimensão humana.

O BOOST voltou a afirmar-se como um espaço de partilha de experiências, antecipação de cenários e aposta na inovação, sem perder de vista que o turismo é, antes de mais, feito de pessoas e para pessoas. Para Roberto Antunes, esse equilíbrio exige uma mudança de mentalidade: “tudo isto precisa de ser reimaginado e precisa da utilização da tecnologia”, mas com o desenvolvimento humano no centro e de forma sustentável.

Na sua opinião, a reflexão sobre o futuro ganhou especial densidade com a intervenção de Bugge Holm Hansen, do Copenhagen Institute for Futures Studies, que apresentou uma abordagem estruturada de prospetiva baseada em tendências e ferramentas tecnológicas. “Foi uma prospeção informada, que nos ajuda a pensar cidades e a antecipar como poderemos atuar no turismo perante diferentes cenários”, explicou Roberto Antunes. Esse exercício, acrescentou, permite ganhar agilidade mental e capacidade criativa para agir já no presente sobre matérias decisivas para o futuro.

É neste contexto que surge a primeira das mensagens práticas que marcam esta edição do BOOST: “transformar a incerteza em ação”. Em vez de se deixar paralisar pelo que não controla, o setor deve concentrar-se no que pode influenciar. “Nunca devemos ficar reféns da incerteza. Devemos atuar onde podemos agir, plantar hoje o que queremos colher amanhã.

A valorização de vários futuros possíveis assumiu também um papel central. “Temos muitos futuros. Temos os futuros que quisermos desenvolver”, defendeu. Cada um desses futuros exige trabalho no presente, abertura à diversidade e capacidade de imaginar cenários distintos. “Pensar apenas num caminho único é uma visão ultrapassada. Esse era o modelo do passado, quando acreditávamos num mundo equilibrado e previsível. Esse futuro não se concretizou.”

Receitas do turismo deverão ultrapassar os 29 mil milhões de euros em 2025

Num contexto marcado por instabilidade geopolítica, desafios ambientais e transformações sociais, a conclusão é inequívoca: só uma abordagem que reconheça a existência de vários futuros permite preparar o turismo para o que aí vem. E é precisamente essa mudança de perspetiva, mais estratégica, mais plural e mais orientada para a ação, que o BOOST 2026 procurou reforçar.

Numa altura em que o Turismo de Portugal se prepara para aprovar a estratégia para a próxima década, Carlos Abade, presidente do conselho diretivo deste organismo onde o NEST está integrado, reforçou a necessidade de o setor se preparar para o futuro. “Temos de nos preparar para crescer de outra forma. Temos de nos preparar para continuar a fazer a diferença em Portugal. Crescer com valor, mais do que o volume. Crescer cada vez com mais equilíbrio, crescer cada vez com mais impacto. É importante termos a noção de que o turismo não é um fim em si mesmo. O turismo é um veículo. E para quê? Para trazer mais prosperidade, para trazer mais bem-estar à população”, frisou.

Para Carlos Abade, “o turismo é verdadeiramente um grande motor” daquilo que é a economia e sociedade portuguesa, e revelou que 2025 será um ano de recordes históricos, prevendo-se que sejam alcançados mais de 29 mil milhões de euros de receitas do turismo. “Isto é particularmente importante. Não é só para o turismo, é para Portugal. É para todas as atividades económicas, é para todas as pessoas”, rematou.

Comentários

Artigos Relacionados