Entrevista/ “Quero investir em start-ups portuguesas”

Maurizio Calcopietro, investidor anjo da Curitiba Angels, Brasil

Maurizio Calcopietro é um investidor brasileiro que integra o Curitiba Angels- Investimentos, no Brasil. Aproveitou o Web Summit para visitar Lisboa e conhecer o ecossistema nacional de start-ups. Ao Link to Leaders confidenciou estar à procura de projetos portugueses inovadores.

Nascido em Itália, há mais de 20 anos que Maurizio Calcopietro vive e trabalha no Brasil. É empresário na área da tecnologia e um Angel Investor, mas, agora, está de olhos postos na Europa, concretamente em Portugal.

Porquê o seu interesse pelo mercado das start-ups em  Portugal?
Estou interessado em ver o que há fora do Brasil, até porque quero fazer sinergias entre o Brasil e Portugal. Portugal é a porta de entrada da Europa, está a crescer e a incentivar os investimentos aqui. Quero tentar criar ligações com algumas empresas portuguesas, com start-ups, que queiram entrar no Brasil e vice-versa. Tem tudo a ver. A língua é a mesma, a cultura é semelhante e tudo é mais fácil.

Portanto, é um investidor à procura de projetos?
Estou a aberto a vários cenários. O ideal era encontrar uma ideia interessante em Lisboa.

A sua procura incide em alguma área de atividade em particular?
Em tecnologia, com certeza. Também sou consultor, e já estive na área corporativa – durante muitos anos fui consultor na multinacional italiana Ferrero.  Por isso, conheço o mundo corporativo e agora também conheço o das start-ups. São dois mundos muito diferentes mas um precisa do outro, são complementares.
Gostaria de fazer algo no sentido de aproximar estes dois mundos. Fazer com que as empresas tradicionais se possam inovar neste contacto com start-ups, criando spin-offs, fazendo esta sinergia. Acho que há bastante oportunidade para isso.

Quais são as mais-valias que as start-ups podem dar às multinacionais e vice-versa?
As start-ups têm muito mais agilidade, são mais rápidas. E essa questão da agilidade é muito importante para as empresas mais tradicionais. Em contrapartida, as start-ups precisam de processo, de controlo, algo que a empresa tradicional tem. Esta sinergia pode ajudar os dois mundos. Um precisa do outro, sem dúvida.

Como está o mercado brasileiro de start-ups?
Está a crescer muito. A proximidade com Silicon Valley é maior lá do que na Europa e o ecossistema brasileiro tem bastante potencial. As start-ups nascem quando existem problemas e problemas há muitos no Brasil.

Que sugestões dá aos empreendedores portugueses que estejam a olhar para o Brasil?
É importante terem um parceiro, um sócio brasileiro. É fundamental ter lá alguém porque a parte local é complicada, sobretudo, a componente fiscal. É um mercado com muitas oportunidades, mas sugiro que não vão apenas para São Paulo, porque há muita concorrência. Sugiro que olhem para outras cidades, como por exemplo Curitiba ou Florianópolis, cidades médias. As oportunidades são muitas e para Portugal tem tudo a ver, pela língua e pela cultura.

Enquanto investidor, quais são as suas preocupações ao optar por um projeto novo? O que exige desses projetos?
É sempre arriscado no início porque é uma fase a que nós chamamos de “vale da morte”. Quando a start- up já tem pelo menos um protótipo, já tem pelo menos um cliente, ou seja, o ciclo funciona, é a fase em que a start-up, normalmente, precisa mais de dinheiro. Mas não só de dinheiro. Precisa daquilo que a que chamamos de “smart money”, isto é, conhecimento, ajuda na gestão, no network.
Aquilo que avalio mais são as pessoas, a equipa. É claro que o produto e a ideia são importantes. Mas as pessoas, a competência também. A confiança, o comprometimento.. E a complementaridade, tem de haver sempre uma pessoa mais visionária de marketing, um CTO, responsável pela parte da tecnológica (e é importante que seja sócio para não ficar refém de um terceiro, de um fornecedor). E também alguém que faça a administração de tudo isso, alguém que faça acontecer. Normalmente é isto que procuramos, mas também usamos muito a intuição. A experiência também nos ajuda a avaliar a equipa, se vale a pena investir e fazer esta aposta. Mas é arriscado, mais arriscado do que a Bolsa porque aí são empresas consolidadas. As start-ups não. Há estatísticas que dizem que só uma, em cada 15 ou 20, é que dá certo.

Qual o investimento que tem reservado para uma eventual aposta em Portugal?
Com valores na ordem dos 150 a 200 mil euros. Normalmente, não entro sozinho mas com a rede de Curitiba.

Até agora, qual foi a sua melhor aposta em termos de investimentos em start-ups?
Foi uma empresa de omnichannel de Curitiba, de tecnologia na distribuição. É uma das mais promissoras. Até agora não me arrependi de nenhuma empresa em que investi.

 

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