O Link to Leaders entrevistou José Oliveira, o CEO da BI4ALL, uma empresa portuguesa de Business Intelligence que, prevê, facturar, em 2017, perto de 10 milhões de euros.

Desde 2004, a BI4ALL trabalha com um número crescente de empresas para implementar soluções de Business Intelligence, que permitem o acompanhamento diário dos seus objetivos, encontrar novas oportunidades de negócio, reduzir riscos, reorganizar recursos e melhorar a eficiência operacional. Como resultado, desenvolve uma vasta experiência na capacidade de resposta ao conjunto específico de desafios e requisitos de negócio de diferentes setores.

A BI4All nunca viu o seu negócio crescer a menos de dois dígitos. Depois dos 5.2 milhões de euros registados em 2015, no ano passado faturaram 7 milhões. E 2017 não será diferente, segundo o CEO da empresa, que aponta para os 10 milhões de euros.

Normalmente as pessoas em que investe são para ficar ou não fosse o capital humano o seu maior recurso –  cresceu 49% em 2015 e 52% em 2016 em termos de colaboradores. Para José Oliveira, cerca de 80% dos colaboradores da empresa têm menos de 30 anos.

Quem é o público-alvo da BI4ALL?
Multinacionais, empresas de grande dimensão, mesmo que não sejam multinacionais têm de ter um volume de negócio superior a 20 milhões [de euros]e com mais de 100 ou 150 pessoas.

Quanto é que foi a faturação da BI4ALL em 2016?
Sete milhões [de euros]

E o lucro?
Em termos de resultado líquido foi cerca de 1,2 milhões e o resultado depois dos impostos foi cerca de 700 mil euros.

Em 2015 havia várias empresas interessadas em comprar o vosso negócio, esse interesse mantém-se?
Desistimos dessa abordagem, desistimos de querer vender.

Mas há empresas que continuam interessadas?
Há sempre, somos muito apetecíveis. Portugal é um país onde se está a investir imenso. Em termos de capital intelectual, somos bons. Damos dez a zero aos espanhóis e mesmo aos outros países, temos uma cultura muito “multitask”, fazemos várias coisas. E mesmo no resto da Europa, há poucos países que tenham essa capacidade.

Acrescentando a esse ponto, diria que o interesse dos países estrangeiros é pelos preços baixos?
Também, mas não só por isso. Tem a ver com as especializações, em sermos bons, em sermos competitivos. Mas depois está relacionado também com a localização, com o horário, ou seja, em termos de horários, por exemplo, a Índia tem uns horários completamente distintos e a sua cultura é diferente. Nós falamos muito bem línguas, desenrascamo-nos, os preços são bons, em termos de fuso horário estamos na Europa, numa linha que é simpática. Tudo isso junto proporciona que sejamos apetecíveis para investir.

Se a BI4ALL tivesse sido implementada noutro país, teria o mesmo sucesso?
Sim, a BI4ALL é uma empresa de pessoas. O que importa aqui são as pessoas e são elas que fazem o negócio.

Perante as circunstâncias económicas que são vividas hoje em dia e que fazem com que os jovens estejam dois ou três anos num sítio e mudem, como é que a BI4ALL mantém o interesse dos jovens pela empresa?
Nós efetivamente temos uma retenção acima do mercado. Esse trabalho acho que só acontece porque somos uma empresa muito aberta, ou seja, orientada para as pessoas. Não tratamos as pessoas como recursos, mas sim pelos nomes e damos o devido respeito e o louvor quando se tem de dar os parabéns aos colaboradores. Estamos muito orientados para as pessoas, apostamos na formação, no coaching, estamos muito perto, apoiamos, fazemos uma série de sessões de atividades extraprofissionais, por exemplo, jogos de futebol.

E “teambuilding”?
Fazemos todos os anos, gastamos muito dinheiro nesta área. Este ano fomos para Évora durante três dias. Tivemos um crescimento de 52% no ano passado e 49% no anterior, por isso tínhamos perto de 60 pessoas que ainda não tinham participado em nenhum “teambuilding”, nem tinham percebido a dimensão da empresa e da harmonia e do convívio, ou seja, quem realmente é a BI4ALL.

E é através desse “teambuilding” que conseguem passar os valores da empresa ou isso é algo feito diariamente?
Diariamente. Esse “teambuilding” serve para as pessoas deixarem de estar tão inibidas. Porque 70% das pessoas não estão no escritório, estão nos clientes. E nesse evento estamos todos juntos.

Tiveram dificuldades em implementar os vossos valores?
Nos últimos dois anos a BI4ALL dobrou o número de colaboradores, portanto, já não somos a empresa que éramos. Somos uma outra empresa e com uma outra realidade. O meu foco principal são as pessoas. Com isto quero dizer que a cultura de há dois anos já não é a mesma, metade da empresa é nova. Pessoas que vieram doutras empresas, com outras experiências e com outras maturidades juntaram-se à BI4ALL. A minha grande preocupação este ano: fazer a colagem entre o passado – quem nós éramos -, com as pessoas que entraram, o presente. Disto vai surgir outra empresa, portanto, no final do ano vamos ser outra empresa, estamos num processo de colagem das peças porque foi um crescimento muito grande.

Será um processo complicado?
É precisamente a questão da mudança, da cultura, da harmonia, das pessoas o mais difícil de implementar. Porque se nós fossemos uma máquina de encher chouriços, era fácil: metiamos óleo na engrenagem e a máquina funcionava. Com as pessoas isso não dá para fazer, nas pessoas tu tens que estar com elas, tens de ouvir, falar, perceber onde é que estão os problemas, antecipar as preocupações, prevenir os problemas antes destes acontecerem, tens de estar à frente. E parte de a organização conseguir captar e fazer essa colagem, se não conseguir não vai haver harmonia e o negócio vai ressentir, logo os números, o lucro, os projetos, as pessoas, a motivação, tudo isto perde.

E o futuro da BI4ALL?
Está assegurado, a BI4ALL vai crescer mais dois dígitos, como tem crescido sempre, menos que nos outros anos, mas este ano penso que temos 25% [de crescimento]. Mas não é um crescimento baseado na “performance”, é um crescimento porque nós aumentámos também o número de colaboradores.

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