Novo grupo de investimento aposta em PME ibéricas para criar empresas de dimensão internacional

Foto: Manuel Queiroz Pereira, CEO do family office Zoom Investment, João de Sousa Aroso, fundador da Leadzai, e João Bento, ex-CEO dos CTT.

A Caldrew Capital é o novo grupo de investimento que reúne Manuel Queiroz Pereira, CEO do family office Zoom Investment, João de Sousa Aroso, fundador da Leadzai, e João Bento, ex-CEO dos CTT. Com foco nas PME ibéricas com receitas consolidadas, a sociedade pretende apoiar o crescimento de empresas que, pela sua dimensão, ficam fora do radar dos grandes fundos internacionais e enfrentam dificuldades no acesso ao financiamento bancário.

Acaba de nascer em Lisboa um novo grupo de investimento focado em PME Ibéricas. Chama-se Caldrew Capital e tem como objectivo “comprar empresas sólidas e com gestão instalada e usá-las como base para construir grupos com escala através de aquisições sucessivas no mesmo setor”. A sociedade reúne Manuel Queiroz Pereira, CEO do family office Zoom Investment, que preside ao Conselho de Administração, João de Sousa Aroso, fundador da Leedzai, que será executive partner, e João Bento, ex-CEO dos CTT, como sócio não executivo.

O alvo de investimento da Caldrew Capital é o segmento que os grandes fundos internacionais não cobrem e que a banca trata como risco. Empresas industriais e de serviços com receitas consolidadas, margens estáveis e um EBITDA entre 1 e 3 milhões de euros, tipicamente detidas por famílias ou pelo fundador, e demasiado pequenas para atrair capital institucional isoladamente. Agregadas, passam a ter dimensão para negociar com clientes maiores, atrair quadros que nunca conseguiriam contratar sozinhas e chegar a compradores de outra escala, lê-se no comunicado enviado às redações.

A Caldrew propõe-se ser parceiro nesse esforço, sem afastar quem construiu o negócio. O modelo prevê que o fundador mantenha uma participação no crescimento futuro, que ajuda a criar.

Segundo João Aroso, executive partner da Caldrew Capital, “quem compra estas empresas em Portugal costuma comprá-las para as arrumar. Nós compramos para as juntar. O fiundador que vendeu 30 anos de trabalho merece mais do que um cheque e a porta da rua. Se fiicar connosco no capital, ganha com aquilo que ajudou a construir e nós ganhamos o conhecimento do setor que nenhum investidor traz de fiora. Em Portugal e Espanha há casos recentes de fiundadores que venderam uma primeira vez, mantiveram participação e capturaram na segunda saída um múltiplo superior ao da primeira”.

O diagnóstico por trás da tese é conhecido de quem olha para os números da economia portuguesa. O Relatório Anual sobre as PME Europeias 2025/2026, publicado pela Comissão Europeia em junho deste ano, coloca a produtividade das pequenas e médias empresas no centro do desafio da competitividade europeia. Em Portugal, o problema tem contornos próprios: cerca de 45% do valor acrescentado nacional é gerado por microempresas, contra perto de 35% na média da União Europeia; e 42% do emprego está concentrado nessas empresas, contra 31% na média dos 27.

A Caldrew Capital acredita que o que falta em Portugal é, portanto, a faixa intermédia, e é aí que estão a produtividade mais alta e os salários mais altos. A Alemanha construiu o seu Mittelstand ao longo de décadas com empresas desta dimensão. Em Portugal, a maioria delas nunca lá chega porque não encontra capital nem parceiro para dar o salto seguinte. E é aí que os sócios da Caldrew Capital acreditam que podem fazer diferença.

João Bento, partner da Caldrew Capital, refere que “Portugal precisa de mais empresas de média dimensão. Há muitas PME com bons produtos e boas equipas que fiicam paradas numa escala que não lhes permite investir mais nem competir lá fiora. Aceitei juntar-me à Caldrew porque acredito que capital paciente, com boa gestão e boa governação por trás, é a fiorma mais direta de mudar isso”.

Já Manuel Queiroz Pereira, presidente do conselho de administração da Caldrew Capital, acrescenta que a “Zoom Investment podia continuar a investir sozinha, como já fiez. Criámos a Caldrew porque este trabalho exige uma equipa dentro das empresas todas as semanas, e não um conselho de administração que se reúne de três em três meses. É essa a difierença que queremos que os empresários sintam quando nos receberem”.

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