Qualidade do emprego melhora na UE, mas persistem desigualdades entre países e setores
A qualidade do emprego na União Europeia melhorou na última década, sobretudo ao nível dos salários, da segurança laboral e do tempo de trabalho. No entanto, persistem diferenças entre países e setores. As conclusões são de um relatório da Comissão Europeia.
A qualidade do emprego na União Europeia (UE) melhorou ao longo da última década, com progressos ao nível da remuneração, da segurança no emprego e do tempo de trabalho. A conclusão é do relatório “Perspetivas Europeias do Emprego e da Situação Social 2026″, da Comissão Europeia, que aponta a melhoria das condições laborais como um fator importante para o aumento da produtividade e da competitividade económica.
De acordo com o documento, empregos de maior qualidade podem contribuir para aumentar a produtividade das empresas, ao reforçarem a motivação dos trabalhadores, reduzirem a rotatividade de pessoal e incentivarem o desenvolvimento de competências e uma organização mais eficiente do trabalho.
Apesar da evolução positiva, o mercado de trabalho europeu continua a enfrentar vários desafios, desde o abrandamento do crescimento do emprego e da produtividade até à pressão dos elevados preços da energia sobre os rendimentos das famílias.
A escassez de mão de obra é outro dos problemas identificados, sobretudo nas profissões com condições laborais menos favoráveis. Neste contexto, a Comissão Europeia sublinha que a melhoria da qualidade do emprego pode ajudar as empresas a atrair e reter trabalhadores nos setores com maiores dificuldades de recrutamento. Por sua vez, os ganhos de produtividade podem traduzir-se em melhores salários e condições de trabalho.
A Comissão Europeia prevê apresentar, ainda este ano, uma iniciativa legislativa sobre a qualidade do emprego (Quality Jobs Act), na sequência da segunda fase de consulta aos parceiros sociais europeus.
Desigualdades persistem entre países e setores
A evolução da qualidade do emprego não tem sido uniforme na União Europeia. As melhores condições laborais concentram-se sobretudo em setores de importância estratégica e económica, como a indústria transformadora e os serviços intensivos em conhecimento, revela o relatório.
Em contrapartida, muitas das profissões com maior escassez de trabalhadores continuam associadas a horários atípicos, vínculos laborais menos seguros e remunerações mais baixas.
Entre os setores com empregos de melhor qualidade destacam-se as tecnologias da informação e comunicação, as atividades financeiras e seguradoras, a administração pública e as atividades profissionais, científicas e técnicas.
No extremo oposto, encontram-se o alojamento e a restauração, os serviços administrativos e de apoio e algumas atividades de serviços que exigem níveis de qualificação mais baixos, lê-se no documento.
As diferenças também se fazem sentir entre Estados-membros. Embora a tendência global na UE seja positiva, alguns países registaram, na última década, uma deterioração em pelo menos dois indicadores de qualidade do emprego.
Salários mais elevados podem estimular o investimento e a inovação
A relação entre salários e produtividade é outra das dimensões analisadas. Segundo a Comissão Europeia, o crescimento sustentado das remunerações depende de ganhos de produtividade por parte das empresas.
Ao mesmo tempo, salários mais elevados, particularmente os salários mínimos, podem incentivar as organizações a investir em inovação e eficiência, em vez de basearem a sua competitividade em custos laborais reduzidos.
Desde a adoção da Diretiva europeia relativa a salários mínimos adequados, as remunerações mínimas têm aumentado, sobretudo nos Estados-membros com salários mais baixos e uma maior proporção de trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo.
Inteligência artificial traz ganhos de produtividade, mas também riscos
A crescente utilização da inteligência artificial (IA) está também a transformar o mercado de trabalho europeu, criando oportunidades para melhorar a produtividade e a qualidade do emprego, mas levantando novos desafios, de acordo com o relatório.
A tecnologia pode permitir que os trabalhadores se concentrem em tarefas de maior valor acrescentado e desenvolvam novas competências. No entanto, o impacto da IA dependerá da forma como for introduzida e gerida pelas organizações.
A Comissão Europeia alerta para possíveis efeitos sobre a procura de trabalhadores em funções de início de carreira e em profissões marcadas por tarefas rotineiras, bem como sobre os salários e as condições laborais.
Perante este cenário, a representação dos trabalhadores, o investimento em competências e o diálogo social assumem uma importância crescente.
O relatório chama ainda a atenção para os riscos associados à dependência excessiva de ferramentas automatizadas. Estudos recentes sugerem que a sua utilização intensiva pode comprometer o pensamento crítico, reduzir as oportunidades de aprendizagem através da experiência prática e aumentar a necessidade de supervisão humana.
Os profissionais menos experientes estão entre os que mais beneficiam, numa fase inicial, dos ganhos de produtividade proporcionados pela IA. Contudo, são também aqueles que podem revelar maiores dificuldades em identificar erros nas respostas ou nos resultados gerados pela tecnologia, com o risco de agravar as diferenças de competências entre trabalhadores.
Apesar dos desafios estruturais, o mercado de trabalho europeu tem demonstrado resiliência.
Segundo os dados apresentados pela Comissão Europeia, a taxa de emprego na UE atingiu 76,1% em 2025, enquanto a taxa de desemprego se manteve num mínimo histórico de 6%.







