GobernAI entra na aceleradora europeia de deep tech ACCEND

Foto: GobernAI

A plataforma GobernAI constrói populações sintéticas calibradas com dados dos Censos para testar uma decisão pública antes de esta ser tomada.

A GobernAI foi selecionada para entrar na ACCEND, aceleradora europeu deep tech financiada pela Horizon Europe, da União Europeia. A start-up desenvolveu um sistema que permite aos governos antecipar, com recurso a inteligência artificial, a opinião dos cidadãos antes de alterar o sentido de uma rua ou aplicar uma política de habitação, por exemplo.Ou seja, quando uma câmara municipal toma uma medida, não sabe qual irá ser a reação da população e quando isso acontece, muitas vezes já não há possibilidade de fazer alterações. É aqui que a GobernAI atua, com aquilo a que a empresa chama uma simulação da decisão. Um decisor público apresenta a medida que tem em cima da mesa e o sistema percorre-a por inteiro antes de esta chegar à rua: se se sustenta, como vai ser recebida pela população e como explicá-la. Cada uma destas perguntas é respondida por um componente diferente.

O primeiro componente chama-se FACTUM e verifica se a decisão política cumpre os melhores padrões internacionais em políticas públicas para a respetiva área. O resultado avalia: viabilidade, sustentabilidade financeira, solidez jurídica, capacidade de execução e impacto social. O relatório pode ser descarregado e inclui uma secção de rastreabilidade em que cada afirmação remete para a respetiva fonte.

O segundo chama-se ÁGORA e responde à pergunta de como os cidadãos vão receber a medida. A GobernAI não consulta pessoas reais nem analisa os seus dados: constrói uma população sintética de cidadãos virtuais, entre mil e cinquenta mil consoante o território, calibrada com dados dos Censos, instrumentos qualitativos/quantitativos anonimizados e um teste de personalidade. Estes cidadãos são persistentes, ou seja, continuam a existir de uma simulação para a seguinte, em vez de serem gerados de novo a cada consulta.

O terceiro chama-se POLITEIA e responde à pergunta de como explicar a medida. Parte das conclusões dos outros dois: sabe de que ajustes a medida precisa e que segmentos da população têm dificuldade em compreendê-la. Com isso, prepara mensagens-chave, a narrativa para cada público e um plano de divulgação para que a população compreenda os benefícios da solução proposta. Este programa da ACCEND culmina em novembro no Smart City Expo World Congress, em Barcelona.

Refira-se que a GobernAIjá tem dois precedentes documentados, ambos sobre política urbana de Nova Iorque. Os valores de reação social calculados pelo sistema ficaram a uma distância de dois a quatro pontos de duas sondagens reais a que a simulação não tinha acesso. “Os governos não têm um problema de dados, têm um problema de antecipação”, afirma Cristofer Correia, fundador e CEO da GobernAI. “Quase qualquer administração consegue dizer-lhe hoje quanto custa uma medida; muito poucas conseguem dizer-lhe quem se vai opor, com que argumento e em que bairro, a tempo de fazer alguma coisa”, acrescenta.

Aldo De Santis, Managing Partner da GobernAI, sublinhou que “a inteligência artificial está atualmente a ser usada no setor público para tratar mais depressa assuntos administrativos, mas estamos convencidos de que o seu uso mais valioso pode ir muito mais longe, quando a decisão ainda pode ser melhorada. A IA propõe; o governo decide”.
O sistema já foi aplicado a casos em Espanha, em Portugal, nos Estados Unidos e no Equador

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