Área de formação influencia capacidade dos licenciados para encontrar emprego

Foto: Ann H, Pexels

A capacidade das pessoas com formação superior entrarem no mercado de trabalho depende muito da sua área de formação, constata o estudo da Fundação Belmiro de Azevedo.

Intitulado “Resultados no Mercado de Trabalho dos Diplomados do Ensino Superior Português”, o estudo feito pela EDULOG, da Fundação Belmiro de Azevedo, concluiu que a área de estudo (ciências, tecnologia, economia, humanidades…) é o fator que mais influencia a capacidade das pessoas com formação superior para entrarem no mercado de trabalho. A conclusão verifica-se tanto no risco de desemprego como na qualidade do emprego, refletindo-se nos salários, estabilidade contratual, satisfação profissional e adequação entre formação e trabalho.

Refira-se que a análise da EDULOG compara os resultados de diplomados de 2016/17, inquiridos cinco anos após a conclusão do curso, e diplomados de 2020/21, inquiridos um ano após a conclusão.

De acordo com a pesquisa, os diplomados de Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas apresentam uma probabilidade de desemprego pelo menos 10 % superior à dos diplomados de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção. As diferenças continuam a ser significativas cinco anos após a conclusão dos estudos, embora com menor expressão.

Entre os fatores individuais, a média final do curso destaca-se como a variável mais frequentemente associada ao desemprego, já que os estudantes que têm as melhores médias finais têm mais probabilidade de conseguir emprego.

As diferenças de aceitação no mercado de trabalho também se estendem ao género. Ou seja, as mulheres têm uma probabilidade mais elevada de desemprego, embora isso aconteça apenas cinco anos após a conclusão do curso. Mulheres diplomadas acabam por estar em situações menos favoráveis no mercado de trabalho, quando comparadas com os homens: menor estabilidade contratual, remunerações mais baixas e níveis inferiores de satisfação com o emprego.

Por outro lado, o grau de mestrado constitui uma vantagem: está associado à menor probabilidade de desemprego face à licenciatura. Todavia, cinco anos depois da conclusão do curso esta diferença deixa de ser estatisticamente significativa.

Já o tipo de instituição frequentada – se é pública ou privada, universitária ou politécnica – não apresenta, em geral, efeitos estatisticamente significativos sobre a probabilidade de desemprego, reforçando o peso da área de formação.

À questão de saber se um diplomado consegue ou não emprego, junta-se ainda uma outra: que tipo de emprego obtém e se o consegue manter. Para responder a esta dúvida, o estudo analisa cinco dimensões da qualidade do emprego: salário por hora, estabilidade contratual, satisfação, sobrequalificação e alinhamento entre formação e emprego.

E também neste ponto, a área de estudo é o fator de diferenciação mais persistente. As TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e Engenharia destacam-se pelos diferenciais salariais positivos e pelos níveis mais elevados de satisfação. As TIC também são recorrentemente associadas a maior estabilidade contratual. Pelo contrário, várias áreas do domínio das Artes, Humanidades, Bem-estar e Serviços apresentam resultados menos favoráveis em diferentes dimensões da qualidade do emprego.

Por sua vez, a sobrequalificação (ter um nível de escolaridade superior ao normalmente exigido num determinado emprego), é a forma mais frequente de desalinhamento verificada no estudo. Entre os diplomados de 2020/21, atinge 50,6% em Humanidades, 50% em Serviços e 46,3% em Artes, face a 6,2% em Medicina e Medicina Dentária.

Os diplomados de mestrado e de ciclo curto apresentam também maior probabilidade de sobrequalificação do que os licenciados. Em suma, significa que Portugal tem dificuldade em colocar os seus diplomados mais qualificados em funções que correspondam ao seu nível de estudos.

Ricardo Biscaia, coordenador do estudo, sublinha que “este estudo mostra que a área escolhida pelos estudantes tem um peso muito significativo nos seus resultados profissionais e que esse efeito vai muito para além de conseguir ou não um emprego”. Acrescenta que “precisamos de olhar também a diversos critérios da qualidade do emprego, como os salários, a estabilidade contratual, a satisfação e para a adequação entre formação e trabalho. É importante garantir que estudantes e famílias dispõem de informação rigorosa para poderem decidir de forma verdadeiramente informada, uma vez que o resultado da frequência no ensino superior não é uniforme no mercado de trabalho”.

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