Entrevista/ “Queremos crescer internacionalmente, mas manter Portugal como a nossa base industrial”

Carlos Alves, cofundador e administrador do Grupo HFA
Foto:Carlos Alves, cofundador e administrador do Grupo HFA

“Os produtos e soluções em cuja produção participamos estão hoje presentes em todos os continentes, o que demonstra que a indústria portuguesa tem capacidade para competir ao mais alto nível”, afirma Carlos Alves, cofundador e administrador do Grupo HFA.

De uma empresa com apenas 10 pessoas, fundada em Águeda em 1995, nasceu um grupo tecnológico que hoje reúne várias empresas e leva tecnologia portuguesa a mercados de todo o mundo. Pelo caminho, a HFA passou da eletrónica e reparação de equipamentos para áreas como a microeletrónica, a fotónica, as telecomunicações, as cidades inteligentes e o setor espacial.

À frente deste percurso está Carlos Alves, para quem o crescimento nunca foi um objetivo em si mesmo. A estratégia passou por desenvolver competências, investir em tecnologia e, sobretudo, nas pessoas, mantendo Portugal como base industrial mesmo num contexto de crescente internacionalização.

Em entrevista ao Link to Leaders, Carlos Alves fala da aposta no packaging de semicondutores, da ambição de reforçar a presença da empresa nas cadeias de valor internacionais e dos desafios que ainda condicionam a indústria tecnológica portuguesa, entre os quais a escassez de profissionais qualificados. E deixa uma convicção que atravessa mais de três décadas de atividade empresarial: Portugal tem conhecimento e talento para criar tecnologia capaz de competir à escala mundial.

A HFA nasceu em 1995, com apenas 10 colaboradores, e deu origem a um grupo que reúne hoje várias empresas tecnológicas. Quais foram os momentos mais determinantes deste percurso e que visão esteve na base do crescimento do Grupo HFA?

Começámos com uma convicção muito clara: Portugal podia criar valor através da tecnologia, da inovação e do conhecimento. Na altura éramos considerados loucos por acreditar nisto. Desde o início, procurámos fazer mais do que prestar serviços; quisemos desenvolver competências que nos diferenciassem e construir relações de confiança duradouras com os nossos clientes e parceiros

Ao longo destes mais de 30 anos, houve vários momentos decisivos. A aposta na eletrónica e na reparação de equipamentos tecnológicos, a diversificação para novas áreas de negócio, a internacionalização, o investimento contínuo em pessoas e em tecnologia, e mais recentemente a forte aposta na sustentabilidade, na economia circular e na microeletrónica. Cada uma destas etapas exigiu coragem para investir, capacidade de adaptação e uma visão estratégica de longo prazo.

A criação do Grupo HFA resultou precisamente dessa visão: reunir empresas complementares, capazes de gerar sinergias, partilhar conhecimento e responder aos desafios tecnológicos de forma integrada. O nosso crescimento nunca teve como objetivo crescer por crescer; procurámos sempre criar valor, promover a inovação e contribuir para o desenvolvimento da indústria nacional.

Mas quero realçar que se há um fator que explica este percurso, é o investimento nas pessoas. São elas que transformam ideias em soluções, desafios em oportunidades e inovação em resultados. A tecnologia evolui rapidamente, mas são o talento, a cultura de colaboração e a capacidade de aprender continuamente que garantem a sustentabilidade e o futuro de qualquer organização.

“Estamos focados em desenvolver a área de packaging de semicondutores, posicionando-nos mais a montante da cadeia de valor da microeletrónica”.

Ao longo dos últimos anos, o grupo tem reforçado a aposta em áreas como a microeletrónica, a fotónica, as telecomunicações, a energia e as cidades inteligentes. Quais são atualmente as áreas com maior potencial de crescimento?

Estamos focados em desenvolver a área de packaging de semicondutores, posicionando-nos mais a montante da cadeia de valor da microeletrónica. É uma evolução natural da nossa estratégia e das competências que adquirimos ao longo de 31 anos na montagem e teste de produtos eletrónicos.

A HFA sempre cresceu em função das necessidades dos seus clientes, criando novas capacidades para responder aos seus desafios. A entrada no packaging representa um passo importante, exigindo novos processos, competências especializadas e padrões de qualidade ainda mais elevados, reforçando a nossa posição num setor estratégico para a indústria europeia e mundial.

A HFA participa na Agenda da Microeletrónica, integrada nas Agendas Mobilizadoras do PRR. Que impacto concreto teve este projeto na capacidade produtiva, tecnológica e competitiva da empresa?

A participação da HFA na Agenda da Microeletrónica, integrada nas Agendas Mobilizadoras do PRR, representou um passo muito importante na evolução da empresa. Este projeto permitiu acelerar investimentos em tecnologia, inovação e qualificação das nossas equipas, (realço o projecto com o instituto kaizen) reforçando a nossa capacidade de desenvolver soluções de maior valor acrescentado. Do ponto de vista produtivo, modernizámos processos, aumentámos a eficiência operacional e reforçámos a capacidade de resposta a projetos tecnologicamente mais exigentes. Ao nível tecnológico, consolidámos competências em microeletrónica, eletrónica avançada e economia circular, áreas fundamentais para responder às necessidades dos mercados internacionais.

Em termos de competitividade, este projeto fortaleceu a nossa posição como parceiro tecnológico de referência, permitindo-nos participar em projetos colaborativos com empresas, centros de investigação e universidades. Mais do que os investimentos realizados, o maior impacto foi a criação de conhecimento, o desenvolvimento de novas competências e a abertura de oportunidades para novos mercados e novos produtos.

“Trabalhar em projetos destinados às telecomunicações, ao setor espacial entre outros, significa cumprir os mais elevados padrões de qualidade, fiabilidade e rastreabilidade”.

A empresa tem produzido componentes utilizados em contextos tão distintos como redes de telecomunicações, satélites, a Estação Espacial Internacional e equipamentos da Marinha Portuguesa. O que significa para uma empresa portuguesa estar integrada em cadeias de valor internacionais com níveis de exigência tão elevados?

Para uma empresa portuguesa, integrar cadeias de valor internacionais com este nível de exigência é, acima de tudo, um enorme motivo de orgulho, mas também uma grande responsabilidade. Trabalhar em projetos destinados às telecomunicações, ao setor espacial entre outros, significa cumprir os mais elevados padrões de qualidade, fiabilidade e rastreabilidade. Não há margem para erro.

Ao mesmo tempo, é uma oportunidade única de aprender com os melhores. Cada novo cliente e cada novo projeto trazem desafios tecnológicos que nos obrigam a evoluir, a adquirir novas competências e a reinventar os nossos processos. É esta exigência que impulsiona a inovação dentro da HFA.

Um bom exemplo são os equipamentos eletrónicos destinados ao setor espacial. Os componentes que seguem para um satélite ou para um lançamento espacial têm de resistir a vibrações extremas, variações de temperatura e condições ambientais muito diferentes da eletrónica convencional. Para responder a esses requisitos, tivemos de estudar normas internacionais específicas, adaptar os nossos processos produtivos, reforçar os métodos de controlo da qualidade e qualificar as nossas equipas, sempre em estreita colaboração com os nossos Clientes.

É precisamente esta capacidade de aprender, adaptar-nos e responder aos mais elevados níveis de exigência que tem permitido à HFA afirmar-se como um parceiro tecnológico de confiança em mercados internacionais altamente especializados.

“A Picadvanced dedica-se à fotónica, a Globaltronic desenvolve soluções para cidades inteligentes e IoT, e a GBT atua no desenvolvimento de soluções eletrónicas”.

Num setor marcado por uma rápida evolução tecnológica, como é que o Grupo HFA equilibra a prestação de serviços de produção para terceiros com o desenvolvimento de tecnologia e de produtos próprios?

Esse equilíbrio tem sido possível graças à forma como o Grupo HFA está organizado. Trabalhamos num modelo colaborativo, em que cada empresa do Grupo tem competências muito bem definidas e complementares. A Picadvanced dedica-se à fotónica, a Globaltronic desenvolve soluções para cidades inteligentes e IoT, e a GBT atua no desenvolvimento de soluções eletrónicas. Estas empresas concentram as suas equipas de investigação e desenvolvimento na criação de novas tecnologias e produtos. A HFA, por sua vez, desempenha um papel fundamental na industrialização dessas soluções. Entramos na fase em que é necessário transformar um protótipo ou um conceito num produto industrializável, assegurando que pode ser fabricado com elevados padrões de qualidade, fiabilidade e eficiência.

É precisamente nesta área que acumulámos mais de três décadas de experiência. Naturalmente, trabalhamos com muitos clientes internacionais e estamos vinculados por rigorosos acordos de confidencialidade (NDAs), que garantem a proteção da propriedade intelectual de cada projeto. A separação clara entre as equipas de desenvolvimento e as equipas de industrialização permite-nos cumprir esses compromissos com total rigor, assegurando a confiança dos nossos clientes e, simultaneamente, potenciando a inovação dentro do Grupo.

A inovação depende cada vez mais da colaboração entre empresas, universidades, centros de investigação e entidades públicas. Como avalia atualmente a ligação entre o tecido empresarial e o sistema científico e tecnológico português?

Existe ainda algum receio, por parte das empresas, em trabalhar com as universidades. Tenho constatado esta realidade com frequência, através do meu envolvimento na equipa do CR Inove, uma iniciativa da CCDR Centro que visa aproximar sistema científico e empresas. É comum ouvirmos, junto das empresas, a perceção de que as universidades privilegiam a colaboração com as grandes empresas, que o foco está sobretudo na produção científica, e que nem sempre é clara a fronteira entre os projetos desenvolvidos e os interesses empresariais de alguns docentes.

Nota-se também o desfasamento temporal entre os ciclos de investigação e os ritmos de decisão e execução das empresas, que nem sempre são compatíveis, o que dificulta a construção de boas parcerias que produzam resultados concretos. Por outro lado, o próprio sistema não valoriza suficientemente a ligação às empresas, o que reduz o estímulo dos investigadores para se envolverem em projetos de colaboração empresarial.

A escassez de profissionais qualificados é um dos principais desafios enfrentados pelas empresas tecnológicas. Que perfis são hoje mais difíceis de encontrar e que estratégias tem o Grupo HFA adotado para atrair, formar e reter talento?

A questão do talento é, de facto, um dos temas que mais preocupa as empresas atualmente. Nesta nova área do packaging eletrónico, por exemplo, temos apostado na formação dos nossos colaboradores junto de outras empresas, e visitamos regularmente empresas em Portugal e no estrangeiro para trocar experiências e aprender com boas práticas do setor. Quanto aos perfis mais difíceis de encontrar, destacam-se sobretudo os relacionados com hardware, bem como técnicos para as áreas produtivas — por exemplo, com experiência em soldadura.

Para além disso, temos vindo a reforçar parcerias com escolas técnicas e profissionais, de forma a aproximar os jovens desde cedo à realidade da empresa e do setor. Colaboramos também em projetos de investigação com outras empresas e entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, o que nos permite não só desenvolver conhecimento como identificar e atrair novos talentos. Por fim, temos investido em dar maior visibilidade à empresa junto dos mais jovens, participando em eventos e iniciativas que aproximem o Grupo HFA de quem está a iniciar o seu percurso profissional.

“Hoje, não somos apenas um país competitivo em custos; somos reconhecidos pelo conhecimento, pela engenharia e pela capacidade de desenvolver soluções tecnológicas de elevado valor acrescentado”.

O Grupo HFA trabalha com clientes e parceiros em vários mercados internacionais. Quais são hoje os mercados prioritários e que oportunidades identifica para a expansão internacional das empresas tecnológicas portuguesas?

Os produtos e soluções em cuja produção participamos estão hoje presentes em todos os continentes, o que demonstra que a indústria portuguesa tem capacidade para competir ao mais alto nível. Ao longo dos últimos anos, Portugal conquistou uma reputação muito positiva pela qualidade dos seus recursos humanos, pela capacidade de inovação e pela flexibilidade com que responde aos desafios dos clientes internacionais. Hoje, não somos apenas um país competitivo em custos; somos reconhecidos pelo conhecimento, pela engenharia e pela capacidade de desenvolver soluções tecnológicas de elevado valor acrescentado.

Para o Grupo HFA, a Europa continua a ser o mercado prioritário. É um mercado onde já temos uma presença consolidada, mas onde identificamos ainda um enorme potencial de crescimento, impulsionado pela aposta europeia na reindustrialização, na microeletrónica, na transição digital e na autonomia tecnológica.

Em paralelo, estamos também a reforçar a nossa presença internacional. Através da nossa empresa na Índia, procuramos aproximar a tecnologia portuguesa de um mercado em forte crescimento e criar novas oportunidades de colaboração. Estamos igualmente a acompanhar com grande interesse a evolução do mercado norte-americano, onde acreditamos existirem oportunidades relevantes para empresas com competências diferenciadas nas áreas da eletrónica e da microeletrónica.

No entanto, há um princípio que orienta toda a nossa estratégia: queremos crescer internacionalmente, mas manter Portugal como a nossa base industrial. Acreditamos que é possível exportar tecnologia, conhecimento e inovação para o mundo, preservando no país a produção, o emprego qualificado e a criação de valor. Essa é a nossa visão e o compromisso do Grupo HFA com o futuro da indústria portuguesa.

Tem uma ligação próxima à Universidade de Aveiro e a outras instituições de ensino da região. Que papel podem as universidades desempenhar na criação de empresas, na transferência de conhecimento e na atração de investimento para os territórios?

A minha experiência demonstra que os melhores resultados surgem quando existe uma forte ligação entre universidades, centros de investigação e empresas. É dessa colaboração que nascem novas tecnologias, produtos e soluções capazes de responder aos desafios da indústria. A Universidade de Aveiro é um excelente exemplo deste modelo, tendo contribuído para afirmar a região como um polo de excelência em áreas como a microeletrónica, a fotónica, as telecomunicações e as tecnologias de informação. Este ecossistema atrai talento, investimento e empresas, beneficiando toda a região. Além da formação de profissionais qualificados, as universidades têm um papel cada vez mais importante na transferência de conhecimento, na criação de spin-offs e na valorização da investigação. Quando conseguimos transformar conhecimento em inovação, empresas e emprego qualificado, estamos a reforçar a competitividade da economia portuguesa.

“É fundamental que os diferentes atores do território — empresas, universidades, centros tecnológicos, autarquias e entidades públicas — se conheçam melhor, confiem uns nos outros (…)”.

O que falta fazer para que os territórios do interior consigam atrair profissionais qualificados e projetos tecnológicos?

Penso que o principal desafio não é apenas a localização geográfica, mas sim a existência de uma visão estratégica partilhada. É fundamental que os diferentes atores do território — empresas, universidades, centros tecnológicos, autarquias e entidades públicas — se conheçam melhor, confiem uns nos outros e trabalhem em conjunto com objetivos comuns.  Os profissionais qualificados procuram mais do que um emprego; procuram projetos desafiantes, oportunidades de crescimento, qualidade de vida e ecossistemas dinâmicos de inovação.

Os territórios que conseguirem criar essas condições serão naturalmente mais atrativos. O interior tem muitas vantagens competitivas, mas precisa de uma maior capacidade de colaboração, de liderança e de promoção das suas competências. Quando existe uma estratégia clara e uma rede de parceiros que trabalha em conjunto, é possível atrair investimento, talento e projetos tecnológicos de elevado valor acrescentado.

Enquanto empresário com mais de três décadas de experiência, como observa a evolução da liderança?

Quando fundámos a HFA, há mais de três décadas, a liderança estava muito centrada no controlo, na organização e na capacidade de tomar decisões. Esses aspetos continuam a ser importantes, mas hoje já não são suficientes. As pessoas procuram líderes em quem possam confiar, que saibam ouvir, que sejam coerentes entre o que dizem e o que fazem e que inspirem pelo exemplo.

Curiosamente, sinto que muitos destes princípios sempre fizeram parte da cultura da HFA. Não porque fossem uma tendência de gestão, mas porque acreditámos, desde o início, que o respeito pelas pessoas e a proximidade eram fundamentais. Naturalmente, fomos aprendendo e aperfeiçoando a nossa forma de liderar ao longo dos anos.

Tenho uma convicção muito clara: os bons resultados não são apenas consequência da tecnologia, dos processos ou da estratégia. São, acima de tudo, consequência das pessoas. Sempre procurei liderar mais através de perguntas do que de respostas, envolvendo as equipas na procura das melhores soluções. Acredito que um líder não tem de saber tudo; deve criar as condições para que o talento de cada colaborador possa crescer e contribuir para o sucesso coletivo. O nosso papel é desenvolver pessoas, criar um ambiente de confiança, onde cada um se sinta valorizado, tenha espaço para aprender e seja desafiado a evoluir. Num mundo em constante mudança, a capacidade de adaptação e a aprendizagem contínua são indispensáveis. No fundo, liderar é ajudar as pessoas e a organização a crescerem em conjunto.

Quais são os principais objetivos estratégicos do Grupo HFA para os próximos três a cinco anos?

O principal objetivo estratégico do Grupo HFA para os próximos três a cinco anos é reforçar a atuação como um verdadeiro Grupo. Ao longo dos anos, cada empresa desenvolveu a sua própria cultura e forma de trabalhar, o que tem sido uma mais-valia. Agora, queremos potenciar ainda mais as sinergias entre todas, partilhando conhecimento, competências e recursos, sem perder a identidade de cada uma. Acreditamos que uma visão comum nos permitirá criar mais valor, acelerar a inovação e responder de forma mais integrada aos desafios dos nossos clientes e dos mercados internacionais.

Faz parte da rede CBT – Central Brain Trust, uma comunidade que promove a ligação entre profissionais e empresas. Que importância atribui a este espaço de networking na criação de relações, na partilha de conhecimento e no desenvolvimento de novas oportunidades de negócio?

O CBT tem um papel muito importante porque reúne profissionais e oradores com experiência prática e um profundo conhecimento das suas áreas. Mais do que um espaço para gerar oportunidades de negócio, vejo-o como um fórum de partilha de experiências, aprendizagem e reflexão sobre temas atuais e desafiantes. É essa qualidade das pessoas e das discussões que torna a rede verdadeiramente diferenciadora.

“O talento é essencial, mas o sucesso constrói-se sobretudo com muito trabalho, perseverança e vontade de aprender continuamente”.

Que conselho daria a jovens engenheiros, investigadores ou empreendedores que pretendem construir uma carreira ou lançar um projeto na área tecnológica em Portugal?

Diria aos jovens engenheiros, investigadores e empreendedores que acreditem na sua visão e que nunca tenham receio de pensar em grande. O talento é essencial, mas o sucesso constrói-se sobretudo com muito trabalho, perseverança e vontade de aprender continuamente. Portugal tem pessoas, conhecimento e capacidade para desenvolver tecnologias que podem competir à escala mundial e, em muitos casos, mudar o mundo para melhor. Não devemos olhar para a nossa dimensão como uma limitação, mas como um incentivo para inovar, colaborar e criar valor. Se acreditarem nas suas ideias e estiverem dispostos a trabalhar para as concretizar, podem construir projetos de excelência a partir de Portugal para o mundo e, por favor não deixem que vos roubem a esperança de conseguirem.

Que legado gostaria de deixar através do Grupo HFA e do seu contributo para a indústria tecnológica portuguesa?

Gostaria que o legado do Grupo HFA fosse muito mais do que os produtos que fabricamos. Gostaria que fosse reconhecido pela forma como trabalhamos: envolvendo as pessoas nas decisões, promovendo uma cultura de confiança, inovação e melhoria contínua. Se conseguirmos demonstrar que é possível, a partir de Portugal, desenvolver tecnologia de excelência, competir nos mercados mais exigentes e ser um parceiro credível da indústria mundial, então teremos dado um contributo importante para o futuro da indústria tecnológica portuguesa. Esse será, para mim, o maior legado.

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