Europa fica para trás na corrida fintech, diz investidora
Receitas das fintech atingem os 650 mil milhões de dólares (570 mil milhões de euros) a nível global, mas a Europa continua a deixar dinheiro em cima da mesa, afirma Daiva Rakauskaitė, partner e gestora de fundos da Aneli Capital.
A Europa Central e de Leste está bem posicionada para a próxima fase de crescimento das fintech. Países como a Polónia e a Roménia têm dimensão suficiente para validar a procura e desenvolver soluções pensadas, desde o início, para a expansão transfronteiriça, enquanto os países bálticos têm experiência na atração e supervisão de players fintech globais. Quem o afirma é Daiva Rakauskaitė, managing partner da sociedade de capital de risco Aneli Capital, em comunicado.
Depois de vários anos de turbulência, o setor fintech global está a entrar numa nova fase de crescimento. Na Europa, contudo, a penetração das fintech continua abaixo dos 3%, apesar de os consumidores confiarem mais nas plataformas digitais do que nos bancos tradicionais.
Segundo a investidora da sociedade de capital de risco com sede na Lituânia, a próxima fase de crescimento das fintech europeias dependerá de start-ups capazes de desenvolver, desde cedo, competências regulatórias e de utilizar a inteligência artificial para competir com operadores históricos mais bem financiados.
No ano passado, as empresas fintech a nível global geraram aproximadamente 650 mil milhões de dólares (570 mil milhões de euros) em receitas, o que representa uma taxa de crescimento de cerca de 21% em termos homólogos face a 2024, de acordo um relatório recente da McKinsey. Dados de investimento da CB Insights mostram que, no primeiro trimestre deste ano, o valor dos negócios no setor fintech atingiu os 12,1 mil milhões de dólares, mais 3,7% em termos homólogos, com os EUA a captarem 47% dos negócios, enquanto a Europa representou cerca de 21%.
Apesar do crescimento global, o mercado fintech europeu continua subaproveitado, alerta Daiva Rakauskaitė.
Um outro inquérito da McKinsey junto de consumidores em vários países europeus mostra que, pela primeira vez, os consumidores confiam mais nas empresas fintech e nos bancos digitais do que nos bancos tradicionais, considerando as fintech mais inovadoras, mais transparentes nas comissões e, no geral, com melhor relação qualidade-preço.
No entanto, os serviços financeiros prestados por fintech continuam a representar apenas uma fração do mercado financeiro mais amplo. Na Europa, o setor fintech manteve uma dimensão mais reduzida, com uma penetração de mercado de 2,6%, em comparação com 3% na Ásia e 8% na América Latina.
Rakauskaitė salienta ainda que as fintech europeias ficam frequentemente para trás devido à fragmentação dos mercados nacionais, à maior força dos bancos tradicionais, ao menor acesso a capital e à regulação.
“Na Europa, a regulação dita muitas vezes o ritmo da expansão das fintech. Para empresas em fase inicial, os requisitos de compliance e licenciamento podem aumentar o custo e a complexidade da entrada no mercado, favorecendo frequentemente players de maior dimensão e mais capitalizados. Ao mesmo tempo, as fintech que investem cedo em competências regulatórias podem transformar o compliance numa vantagem competitiva, reforçando a confiança dos clientes e aumentando a sua atratividade junto dos investidores”, afirma Rakauskaitė.
Para as start-ups fintech, a investidora identifica algumas das oportunidades mais inexploradas na Europa Central e de Leste. A região oferece um terreno de teste prático: mercados como a Polónia e a Roménia têm dimensão suficiente para validar a procura, mas são suficientemente focados para permitir que as fintech se adaptem cedo à regulação e desenvolvam soluções pensadas, desde o início, para a expansão transfronteiriça.
Entretanto, países como a Lituânia já desenvolveram experiência na atração e supervisão de players fintech globais, incluindo a Revolut, ao mesmo tempo que consolidaram talento técnico e conhecimento regulatório.
Para Rakauskaitė, a principal força motriz da nova vaga de vencedores europeus no setor fintech serão as empresas capazes de crescer num ambiente regulado e de utilizar a inteligência artificial para escalar. Dados de investimento da PitchBook relativos ao primeiro trimestre mostram já que os investidores estão a apostar em startups nativas em IA nas fases mais iniciais, onde equipas mais pequenas estão a atingir metas de crescimento mais rapidamente do que nunca.
“Escalar um produto financeiro exigia, anteriormente, grandes equipas de engenharia, operações e compliance desde o primeiro dia”, afirma Rakauskaitė.
“Hoje, as start-ups nativas em IA conseguem automatizar partes significativas do desenvolvimento de produto, das operações e do apoio ao cliente, permitindo-lhes alcançar o product-market fit e validar canais de distribuição com substancialmente menos capital e equipas mais reduzidas. Embora as atividades financeiras reguladas continuem a exigir funções robustas de compliance e governação, a IA está a reduzir materialmente o custo e o tempo necessários para desenvolver e escalar produtos fintech”, conclui.






